sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Capítulo 60

A
cho que se um olhar tivesse o poder de matar, eu teria morrido naquele momento.
Leonardo me fuzilou com aqueles olhos de peixe morto. Eu fiquei morrendo de raiva.
- Não é da sua conta! – nós continuamos falando juntos.
Eu ergui a minha coluna, mas não tirei meus olhos dos dele. Léo continuava com o mesmo ar de superioridade que tinha na época em que a gente mantinha aquela “amizade”.




- Seu pai sabe que você está aqui, Leonardo? – provoquei.
- Primeiro, isso não é da sua conta. Segundo, eu não tenho que dar satisfação da minha vida pra você, mas só para matar a sua curiosidade, sim ele sabe. Porque ao contrário da sua família, a minha aprendeu a me aceitar e eles me apoiam! Já a sua, né?
Ele mexeu em uma ferida e não deveria ter feito aquilo. Se eu não fosse contido, teria partido pra cima daquele desgraçado e teria dado uns bons tabefes naquela cara de pau que ele tinha.
- Que foi? Ficou bravinho, ficou?
- Por que você não some da minha frente de uma vez por todas? Minha noite foi boa demais para ser estragada com você!



- Pelo menos nisso a gente concorda. Toma seu rumo e me deixa em paz. Esquece que eu existo, firmeza?
- Já nem lembrava do seu focinho, garoto! Acha mesmo que eu não tenho coisa melhor para pensar do que pensar em você? Logo em você? Me poupe, né?
- Cala a boca, infeliz. Você é ridículo!
- Ridículo é você! Nem olha por onde anda, tropeça em uma pessoa que está amarrando os tênis e quase cai de cara no chão! Pena que não quebrou todos os dentes pra aprender a olhar por onde anda.
- A culpa é sua! Quem manda ficar aí no meio da calçada?
- Quem manda ser cego e não olhar para baixo?
- Se eu fosse você eu sumiria daqui agora, eu tô quase indo quebrar esse seu nariz horroroso...
- Vem! Vem quebrar seu traidor. Seu filho da puta traidor! Nojento, inseto! Seu verme...
Eu senti o meu sangue ferver. A minha noite tinha sido perfeita demais para ser estragada por aquele micróbio...
- Como... é? – ele se aproximou com o punho cerrado.
- Isso mesmo que você ouviu! Traidor de uma figa... Eu devia ter quebrado sua cara desde o começo...
- Vem quebrar agora, moleque! Vem se você for macho!
E é claro que eu fui, mas não consegui fazer nada. Antes de encostar no rosto do meu ex-amigo, algo me bloqueou e eu parei no meio do caminho.
- Que foi? Não tem coragem? Não consegue entrar em uma briga?
- Melhor não sujar as minhas mãos com você. É perder tempo demais e não vou estragar meu dia com você. Passar bem!
- Covarde – ele deu uma risadinha.






- Ah, e antes que eu me esqueça... – virei e voltei a olhar para aqueles olhos feiosos. – Você bem que tentou me separar do Bruno, não é? Bem que tentou, mas não conseguiu! Sabe por que? Porque nós voltamos pouco tempo depois. Ele me explicou tudo e eu entendi que a culpa foi toda sua... O que você pretendia? Ficar com ele? Pois então você ficou foi chupando o dedo, queridinho, porque ele foi todinho meu!
É claro que ele não precisava saber do pequeno detalhe do Bruno ter ido viajar para a Espanha, né?
- Ficou caladinho? – foi a minha vez de rir. – Você é tão pobre de espírito, Leonardo, que nem arrumar um macho de verdade você consegue. Vai morrer seco e sem ninguém, mas também não é de se admirar! Quem iria querer ficar ao lado de um chato que nem você? Passar bem, querido!
E dizendo isso, eu dei as costas e saí andando pelo outro lado da calçada. Não ia valer a pena arrumar briga com aquele garoto ridículo!
- COVARDE, MEDROSO, CAGÃO! NÃO HONRA A CALÇA QUE VESTE!
Eu virei, respirei fundo e mostrei o dedo do meio ao filho da puta. Ele ficou possuído de tanta raiva, foi atrás de mim e tentou me dar um soco, mas eu consegui me desvencilhar e não deixei que ele continuasse com aquela palhaçada.





- Chega, né Léo? Chega! A gente não precisa brigar. Segue sua vida, eu vou seguir a minha. Você fica feliz, eu fico feliz e tudo fica resolvido.
- Você é muito ridículo, Caio. Muito, muito ridículo.
- E você é um invejoso! É isso que você é! Nunca conseguiu esconder sua inveja. É tão invejoso que quis roubar meu namorado!
- Eu? Roubar aquela bichinha nojenta do Bruno? Me poupe!
- Agora ele é bichinha nojenta, mas na hora de ir pra cama dele você não falou isso. Se toca, vai procurar o que fazer e me deixa em paz!
- E me diz uma coisa, onde é que ele está? Cadê seu namoradinho? Não estão mais juntos não? Ele te largou para ficar com outro? Se foi isso é muito benfeito!
- Como você mesmo disse, eu não devo satisfação da minha vida pra você. E não vou mais perder meu tempo aqui falando com um invejoso feito você. Passar bem.
Eu atravessei a rua rapidamente. Não queria mesmo ficar batendo boca com o Leonardo. Eu tinha mais o que fazer! Precisava descansar, dormir, relaxar e curtir o meu domingo.
Enquanto eu andava, ouvi ele me xingar de muitas coisas, mas obviamente eu não prestei atenção e segui o meu rumo. Ele que ficasse com toda inveja, mau-olhado e tudo de ruim que ele tinha. Garotinho insensato aquele, viu?
- Bom dia? – eu toquei nas costas de um guarda civil.
- Bom dia – ele respondeu com ar de mal-humor.
- Pode me informar onde pego um ônibus para a Lapa, Catete ou Glória?
- Sei não. Sou novo aqui no Rio. Desculpe.
Suspirei. Pelo menos ele foi honesto.
Andei sem rumo por uns 20 minutos e realmente não sabia onde pegar um coletivo até o meu bairro. Em praticamente todas as vezes que fui à Copacabana, fui de metrô e a estação ainda estava fechada naquela hora da manhã. Por este motivo, fiquei de mãos atadas sem saber o que fazer.
O jeito foi parar um táxi e perguntar quanto ia ficar de Copa até o Catete e para a minha felicidade, a corrida não ia ficar lá muito cara.
- No máximo R$ 20,00 – disse o motorista.
- Demorou. Pode me levar?
- Entra aí, garoto.





Eu entrei e coloquei o cinto de segurança. Suspirei de alívio ao repousar meu esqueleto no banco do carro. Eu estava me sentindo muito cansado.
- Veio da boate?
- Aham.
- Curtiu muito?
- Aham.
- Bacana. Agora vai dormir até tarde, né?
- Aham.
Será que ele não percebeu que eu queria ficar calado para colocar os pensamentos em ordem?
Juro que eu queria entender por que o Leonardo me odiava tanto. Será que eu havia feito algo de errado para ele? Que eu me lembrasse, não! Só podia ser inveja mesmo.
- Mais uns 5 minutos nós estaremos lá.
- Aham.
Eu abri meus olhos e me deparei com o mar da Praia de Botafogo. A água estava límpida, muito azul e como o sol estava nascendo, o reflexo da bola de fogo deixou a água iluminada. De verdade, uma paisagem mais do que linda. Perfeita, eu diria.





- Paisagem bonita, não? – o cara puxou assunto.
- Pois é. Esse é o Rio de Janeiro.
- Você não é daqui, né?
- Sou paulista.
- Percebi.
- Eu sei, todos percebem.
E olha que eu não tinha mais sotaque paulista. Já estava quase falando como os cariocas.
- Mora aqui faz tempo?
- Um ano e meio.
Era pergunta demais para uma manhã de domingo e eu não estava com muita vontade de responder tantos questionamentos.
Mas para o meu total agrado, até a porta da minha casa ele não falou mais nada.
- 20 reais – ele disse.
- Bem que você falou.
- Não disse?




Eu tirei o dinheiro da carteira, paguei a corrida, agradeci e dei um pulo do carro. Quando coloquei os pés na calçada, uma brisa gelada passou pelo meu corpo e eu fiquei arrepiado de frio.
- Obrigado – agradeci de novo.
- Meu cartão. Se precisar é só ligar.
Eu aceitei. Era bom ter um telefone de taxista. Vai que acontecia algum imprevisto... Não estamos livres de nada, infelizmente.
- Bom dia – ele falou.
- Igualmente.
Peguei a minha chave e abri o portão com os olhos fechados, tamanho o sono que estava sentindo. A casa ainda estava vazia, os meninos não haviam chegado e eu me perguntei se eles haviam esticado a noite em algum motel... Será?
Mesmo sem coragem, tomei uma ducha rápida, escovei os dentes, comi alguma coisa e quando caí na cama, adormeci muito rapidamente. Definitivamente, eu estava acabado e sem forças, porque só acordei depois das 4 da tarde.
Abri e cocei os olhos lentamente. Eu dei um bocejo pra lá de demorado e percebi que o Rodrigo estava dormindo com a cabeça para os pés da cama e os pés para a cabeceira. Totalmente torto e apenas de cueca azul. Uma delicinha. Pena que era meu melhor amigo e nunca iria me dar a menor bola...
Será que fazia tempo que ele havia chegado? Eu não vi quando o cara chegou no quarto e por este motivo fiquei meio que perdido no tempo.
Coloquei meus chinelos e muito lentamente fui até o banheiro, mas pra variar, ele estava ocupado. O Fabrício estava tirando a água do joelho e com a porta aberta.
- Fechar a porta pra quê, né? – eu dei duas batidinhas e ele olhou pra trás.
- E aí, parceiro? Nem me liguei nisso, foi mau!
- Não tem problema não, fera!
- Pô, você sumiu ontem! Onde foi parar?
Eu fiquei sem saber o que falar.
- Saiu para onde, Caio? – ele deu um sorrisinho safado e eu fiquei completamente sem graça.
- Hã...
- Não, não. Não! Não precisa nem explicar – ele riu.
- Vocês também demoraram muito para chegar em casa, né? Quando eu cheguei nenhum havia chegado ainda...
- Então – ele também ficou vermelho. – Pois é!
- Estamos quites.
O cara sorriu sem mostrar os dentes, bagunçou meu cabelo, apertou meu ombro e passou por mim sem falar nada.
Eu levantei a tampa do vaso, tirei o brinquedo pra fora e tirei toda a água que estava acumulada na bexiga. Quando acabei, dei descarga, lavei as mãos e senti vontade de deitar, mas a fome falou mais alto e fui obrigado a assaltar a geladeira.
Fiz um sanduba de mortadela e depois que forrei o estômago, voltei para a minha cama. Por incrível que pareça, ainda estava cansado e sonolento.
Só acordei em definitivo depois das 21 horas. O Rodrigo já tinha levantado e estava mexendo no meu notebook.




- Finalmente acordou, hein?
- Que horas são?
- 21h10.
- Puta, já?
- Já! Perdeu todo o domingo.
- Olha quem fala! Que horas você chegou?
- Quase 11 – ele disse.
- Caralho! Onde foi?
- Fui pra um motel dar uma relaxada. Você também?
- Não. Fui para uma balada GLS. Não curti aquela balada onde vocês me levaram...
- Não gostou, mas bem que pegou uma gatinha, né?
- Peguei não, menino! Fui assediado, quase me estruparam!
Ele caiu na gargalhada. Fazia muito tempo que nós não mantínhamos um diálogo como aquele.
- Pegou quantas? – perguntei depois de alguns minutos.
- 12. E você?
- Contando com a tarada, peguei 18.
- Ah, tá! Acredito!
- Juro por Deus. Isso se não peguei mais.
- E foi pros finalmentes com alguém?
- Ah, depende do que você chama de “finalmentes”. Quer mesmo que eu conte todos os detalhes?
- NÃO! Obrigado. Pode me poupar dos detalhes sórdidos.
- Ah, tá! Melhor assim. Os meninos também foram para os finalmentes, né?
- Foram.
- Não diga que foi uma suruba de vocês três com três vadias? – só de imaginar fiquei com o pau latejando.
- Claro que não, seu trouxa. Que nojo! Deus me livre de meter com dois machos...
- Não sabe o que você perde! – eu bocejei e senti a barriga roncar.
- Deus é mais, nem quero saber.
- Manézão. Aí, tem janta?
- Aham. O Vini cozinhou uns negócios lá.
- O Vini? Cozinhando? Conta outra!
- Sério! Acho que a balada fez bem e deixou o cara de bom-humor. Fez arroz, feijão e carne de panela. Ficou gostoso, viu?
- Ai essa é boa! Deus me ajude...
Pulei da cama e mesmo de cueca me dirigi até a cozinha e me servi de tudo que pude. E para a minha total surpresa, a comida estava boa. Ou será que a fome modificou o sabor dos alimentos?
- Posso casar? – ele apareceu de toalha no meio da cozinha.
- Pode. Me surpreendeu, hein?
- Posso saber onde o senhor foi ontem à noite? Por que sumiu assim do nada?
- Quer mesmo que eu responda?
- Não, na verdade eu sei onde você foi.
- Sabe?
- Imagino. Fiquei chateado, mas beleza.
- Que bom que você me entende.
- Fiquei sabendo que você pegou uma garota? É verdade?
- Peguei não, ela que me pegou – bebi um gole de refrigerante. Senti a minha cabeça doer de leve e de repente fiquei com muita sede.
- Ah, entendi – ele deu um sorriso lindo, muito lindo.
- Posso fazer uma pergunta?
- Pode sim, Caio.
Vinícius sentou ao meu lado e abriu as pernas de leve. É claro que eu não pude deixar de dar uma conferida naquele corpo escultural que ele tinha.
- Está usando alguma coisa aí embaixo? – perguntei no ouvido do meu amigo.
Ele sorriu, cruzou os braços e disse:
- Não.
- Sério mesmo? – mordi meus lábios.
- Sério!       Quer dar uma conferida?
- Conferida no quê? – Fabrício entrou na cozinha de sopetão.
- Ih, curioso você, hein? – Vini não deu brecha.
- Do que estão falando?
- Da balada de ontem – eu falei.
- Ah, entendi. Pegou quantas, Caio?
- 18 – falei a verdade.
- Hã? – eles não acreditaram e fizeram a mesma cara de incredulidade.
- Fala sério, vai? – Fabrício me olhou.
- Juro por Deus! 18. E vocês?
- Ah, não acredito não! Nem vi você com tantas assim... – Fabrício discordou.
É claro que ele não tinha visto, mas eu não ia falar a verdade.
- Você não viu porque não parou de beijar suas negas, filhote. Pegou quantas?
- 12.
- E você, Vini?
- 14.
- E os dois foram pro motel que eu já fiquei sabendo. Safadinhos!
- Ossos do ofício – o gostosão abriu um sorriso imenso e coçou o saco. Que vontade de ver aquela delícia que ele tinha no meio das pernas!
- Vinícius, tem uma chamada perdida no seu celular. Melhor ver quem é, vai que é da sua família – o companheiro de quarto falou.
- Ah, valeu pelo aviso. Já ia mesmo dormir poque estou exausto! Boa noite para vocês.
- Boa noite – falamos juntos.
Eu tomei a última gota de refrigerante, levantei, coloquei o prato na pia, lavei as mãos, me espreguicei e respirei fundo.
- Acho que vou dormir também. Até amanhã, parceiro.
- Até amanhã, moleque. Vê se não perde a hora pro trampo, hein?
- Pode deixar!
Quando eu entrei no quarto, fui direto pra cama, me aninhei no meio do meu edredom, fechei os olhos e não consegui dormir.
A falta de sono me deixou impaciente e eu fui obrigado a entrar na internet para me entreter um pouco.
Contudo, se eu soubesse que iria passar tanta raiva, teria deixado o Rodrigo continuar fazendo o que estava fazendo e teria ficado olhando pro teto, sem fazer porra nenhuma!
Quando entrei, vi que o Bruno estava novamente online e percebi várias atualizações dele no perfil, sem contar oos zilhares de depoimentos que ele tinha me mandado. Novamente apaguei todos, sem ler nenhum.
Fiquei muito, mas muito irritado. É claro que ele não estava colocando nada para me provocar, mas uma vírgula que ele postava me deixava pra lá de bravo. Senti vontade de jogar o notebook pela janela – e olha que ela ficava ao lado da cama do Rodrigo.
- Que foi?
- O Bruno está online.
- E você está falando com ele?
- Deus me livre e guarde três mil vezes – bati até na madeira.
- Não se falaram mais?
- Não e não quero falar. Estou bem assim!
- Isso mesmo, mano. Assim que tem que ser.
Mas não foi preciso eu ter a iniciativa. Menos de 5 minutos depois de ter conversado com o Rodrigo, a janela com a foto dele subiu e uma janelinha do Messenger começou a piscar enlouquecidamente.
Que ódio! Por que eu não o bloqueava logo de uma vez? Por que eu não colocava um ponto final naquela história em definitivo?
Porque eu era covarde! Já havia bloqueado o menino mais de duas vezes e sempre voltava atrás na minha decisão. Excluir do Orkut seria outro martírio... Por mais que eu não estivesse mais ligado, por mais que eu já tivesse dado a volta por cima naquela situação horrível, eu ainda não tinha me desligado completamente do Bruno.
Mesmo contra a minha vontade, abri a janela, respirei fundo, criei coragem e li:

“A gente pode conversar?”






capítulo 59

E
u até ia colocar tudo na boca, mas quando notei a cabeça daquele pênis melada, pensei melhor e resolvi não continuar com aquela putaria.
- Desistiu? – o cara perguntou.
- Na boa, não vai rolar não – hesitei e dei um passo para o lado direito.
- Por que? – mesmo no escuro consegui ver a desaprovação na face daquele homem.
- Porque não! Boa sorte!
E dizendo isso eu comecei a subir as escadas, mas ele me puxou pela cintura, me prendeu com os braços e me deu um beijo extremamente delicioso, que quase me fez cair em tentação.
- Dá uma chupadinha, vai?








Lembrei do Bruno na hora. Lembrei da hipótese dele ter HIV e lembrei também de todo o sofrimento que tive só de pensar em ser soropositivo.
- Nâo, obrigado! Boa sorte.
- Por que você não quer? – ele colocou a minha mão em cima do pau.
- Porque não – só o que fiz foi acariciar o membro, nada mais.
- Tem certeza?
Conforme eu ia e vinha com a mão, o negócio foi ficando ainda mais duro.
- Tenho sim. Boa sorte – falei de novo.
- Que pena – ele pareceu decepcionado.
- Até mais!
Subi as escadas de dois em dois degraus e em menos de dois minutos já estava de novo na pista de dança.
O estebelecimento começou a ficar lotado aos poucos e conforme os caras iam chegando, as possibilidades de novos ficantes ia aumentando.







Já tinha até perdido as contas de quantos drinques havia bebido, mas ainda não estava satisfeito. Por este motivo, peguei mais uma bebida, mas ao invés de caipirinha, escolhi uma vodca. Eu já estava começando a ficar bêbado.



Foi graças a essa vodca que eu me soltei de vez e comecei a dançar feito louco no meio de tantos homens. 




E quando menos esperei, as coisas começaram a melhorar. Fiquei com um, dois, três, quatro, cinco caras em muito, muito pouco tempo.






Eu já nem estava mais seletivo, praticamente todos que passavam na minha frente eu pegava.
- Qual a sua idade? – um cara perguntou.
- 18 e a sua?
- 55.
Eu arregalei os olhos e me senti nojento! Não era preconceituoso com relação a idade, mas pessoas acima de 30 anos não me excitavam em nada – pelo menos naquela época.
Fiquei literalmente broxado.
- Não curte? – o velho perguntou.
- Não, desculpa!
Definitivamente ele não aparentava a idade que tinha. Eu daria no máximo 30, 35 anos para aquele senhor.
- Tranquilo! Boa sorte.
- Igualmente.
Fiquei com muita, mas muita vontade de beber mais alguma coisa, mas como já estava ficando chapado, achei melhor não abusar.
Depois de uns 5 minutos, um show de Drag Queen foi iniciado e todos pararam para assistir, porém como eu não fiquei interessado, não pensei duas vezes e voltei a subir a escada que dava acesso ao corredor onde eu fiquei anteriormente.







O ambiente estava vazio. Como eu estava me sentindo um pouco cansado, não hesitei e repousei meu corpo no sofá preto que eestava encostado na parede. Me senti relaxado imediatamente.
Só depois que o showzinho terminou foi que os marmanjos começaram a subir e o corredor ficou praticamente lotado.
Eu beijei mais uns quatro ou cinco carinhas e depois subi o último lance de degraus e percebi que alguns caras estavam se pegando na parede e é claro que eu fiquei interessado.
Enconstei ao lado de um casal e fiquei esperando algum movimento ao meu favor e depois de poucos segundos, um deles segurou na minha mão esquerda.
Eu enrosquei meus dedos aos do cara, virei o meu corpo para eles e um beijo triplo começou de imediato.
Eles eram bonitos, altos e com o corpo em dia. Não eram nada musculosos, mas não havia nada de irregular em nenhum lugar do tronco deles.
Fiquei mais do que excitado com aquela situação. Algo totalmente novo e diferente para mim. Nâo pensei que iria gostar tanto daquilo que estava acontecendo!
Um dos carinhas segurou a minha mão e colocou dentro da cueca. Eu fiquei ainda mais animado e aproveitei a oportunidade para brincar com aquela delícia que ainda estava meio mole.
Percebendo o que estava acontecendo, o outro também segurou a minha mão e imitou o que o “amigo” havia feito.
Era a primeira vez que eu segurava dois paus ao mesmo tempo. Percebi que um era maior que o outro e fiquei morrendo de vontade de experimentar os dois, mas e o receio?
E se algum deles tivesse AIDS ou outra doença sexualmente transmissível?
O que era melhor? A minha vida ou uma simples brincadeira para matar o tesão?
Entre as duas opções, é claro que eu escolhi a primeira. Por este motivo, não coloquei nada na boca e só fiquei brincando.
Enquanto eu masturbava os caras, alguém começou a me encoxar e rapidamente senti um dedo no meio de minhas nádegas.
Que putaria deliciosa! Será que era sempre daquele jeito? Eu nem tinha ido embora e já estava pensando na próxima vez que iria naquele lugar...
Sem mais nem menos a luz que iluminava aquele pequeno ambiente foi apagada e eu me vi em um breu total. À princípio fiquei muito amedrontado e não entendi o que estava acontecendo, entretanto, quando eu me liguei que se tratava de um “dark room”, me tranquilizei e deixei o negócio rolar naturalmente.
Alguém que eu não sei quem é abaixou a minha calça e cueca e ficou brincando com minha bunda. Fiquei morrendo de vergonha, mas como estava escuro eu sabia que ninguém ia me ver e fiquei mais calmo.
- Posso te chupar? – ouvi uma voz afeminada atrás da minha orelha.
- Não – eu não curti o timbre do cara.
Ele não insistiu e pareceu desaparecer de vista. Os carinhas que eu estava brincando foram embora e eu fiquei decepcionado, mas em seguida as picas foram substituídas.
Um cara aparentemente gostoso começou a me beijar e ficou roçando os nossos membros. Eu já estava ficando babado.
- Quer mamar?
- Não, valeu – decidi só ficar na pegação mesmo.
- Pena...
É claro que eu queria, mas definitivamente não estava me sentindo confortável!
Comecei a ouvir gemidos fortes e barulho de peles se tocando. Com toda certeza do mundo alguém estava fodendo perto de mim e só de ouvir aqueles gemidos de machos, fiquei duas vezes mais excitado!
- Posso te comer, pelo menos? – ele perguntou.
- Depende! Tem camisinha?
- Não!
- Então não pode.
- Eu tenho camisinha – outro cara falou. – Eu posso te comer?
Meu pau cresceu no ar. Será que eu devia?
- Não sei...
Ele me deu um beijo bom, mas como tinha gosto de cigarro, eu não segui adiante.
- Valeu, valeu – tentei me afastar, contudo o local estava cheio demais e não consegui ir muito longe.
Segurei a minha calça e tentei recuar, só que trombei com um cara com a rola muito dura.
- Desculpa.
- Não tem problema – ele falou com a voz grossa.
Me apaixonei por aquela voz deliciosa.
Um beijo começou e eu não me fiz de rogado. Segurei no pau com as duas mãos e quase não consegui me segurar na hora que ele mandou eu chupar.
- Nâo confio não, na boa...
- Relaxa, eu tenho camisinha.
- Aí melhora, hein? Qual sua idade?
Um beijo bem demorado e lento.
- 27 e você?
- 18.
- Novinho, do jeito que eu gostava.
- É?
- Sim! Seu nome?
- Edgard e o seu?
- Caio!
Outro beijo.
- Muito prazer, Caio!
- Prazer é todo meu!
Edgard segurou no meu membro com força e uma gota de esperma caiu no chão. Eu estava mesmo muito excitado!
- Tá com tesão, delícia? – ele perguntou.
- Muito!
- Vira pra mim?
- Viro.
Eu me virei, encostei meu corpo na parede e senti algo quente e molhado me invadir de uma vez só.
- Ah... – gemi e fechei meus olhos.
Eu não estava acreditando que ele estava me chupando! Ele era louco ou o quê?
A língua do Edgard brincou comigo por muito tempo e se ele continuasse aquela safadeza por mais um minuto, eu ia gozar sem nem encostar na minha vara.
- Que delícia...
- Gostou? – ele me deu um selinho.
- Muito.
- Já tinham feito isso com você?
- Não tão bem assim...
- Quer me chupar agora?
- Só se for com camisinha!
- Sem problemas.



Em menos de um minuto eu já estava ajoelhado com a piroca na boca. É claro que a sensação não foi lá muito agradável. Eu estava sentindo um gosto esquisito de plástico na boca, mas ainda assim eu não desisti e fui até o fim.
- Brinca com minhas bolas, brinca?
Eu passei meus dedos pelo meio das pernas do cara e fiquei puxando os pelos dele com as pontas dos dedos.
Quando eu ouvi um gemido de prazer, fiquei enlouquecido e coloquei tudo na minha boca.
Enquanto rolou aquele boquete, mais dois ou três caras se aproximaram e as picas ficaram na altura do meu rosto.
Senti o cheiro dos caras de longe e o meu tesão só foi aumentando, aumentando, aumentando e por pouco eu não encorporei o Bruno e comecei a me enroscar com todos.
- Vou gozar – o carinha falou e em menos de 5 segundos eu senti a ponta da camisinha ficar quente e pesada.
Ele gemeu muito gostoso e quando o pau ficou mole, eu levantei e recebi um beijo delicioso, mas muito rápido para o meu gosto.
- Valeu – ele suspirou.
- Pena que não vai rolar de novo.
- Quem sabe? Vem sempre aqui?
- Primeira vez que venho, mas gostei e com certeza virei de novo. E você? Sempre vem aqui?
- Sim! A gente se tromba.
- Falou!
Nem deu tempo dele dar as costas e eu já estava beijando outro. Esse foi mais cauteloso e não me provou muito como eu gostaria.
- Idade? – perguntou.
- 18 e você?
- 29. Não curto novinhos, boa sorte!
Fiquei frustrado, mas não tive tempo para reclamar pois em seguida mais um cara se aproximou e começou a me baijar. Eu estava gostando demais daquele dark room!
O cara me punhetou bem gostoso e eu acabei o imitando. O suor tomou conta do meu corpo, eu fiquei grudando e senti uma necessidade imensa de tomar um banho gelado.
- Vou gozar – ele falou.
Eu afastei as minhas pernas e senti o esperma escoar pelos meus dedos. Ele gemeu ao mesmo tempo que outros caras gemeram e sem mais nem menos a música parou de tocar na pista de dança.
- Que porra, já vai fechar? – alguém reclamou.
Que horas seriam? Será que o dia já havia amanhecido?
Sequei meus dedos na parede e quando eu já ia me vestir, alguém colocou a mão na minha vara e com duas estocadas fortes meu esperma começou a voar por todos os lados.
- Porra! – exclamei.
- Delícia, hein cara?
- A-aham... – senti minhas pernas tremerem.
- Como se chama?
- Caio e você? – arfei completamente sem ar.
- Juliano. Idade, Caio?
- 18 e você?
- Também! Acho que agora você poderia me ajudar também, né?
O local estava ficando vazio aos poucos. Eu segurei na pica do menino.  Não era lá muito grande, mas deu para me divertir um pouco. Assim que ele gozou eu me vesti, me recompus e resolvi sair daquele lugar.
- Não vai falar mais nada? Vai embora assim do nada?
- O que quer que eu fale? Já gozamos, foi bom e acabou nisso. Até mais!
Acho que eu fui duro demais, mas o que ele queria? Um relacionamento sério? Namoro era tudo o que eu não queria naquele momento!
Quando eu ia saindo do dark room, quase levei um tombo ao escorregar no esperma que estava no chão. A quantidade era tanta que eu seria capaz de jurar que o chão deveria estar literalmente branco!
- Caraca...
Aquele lugar era bacana, porém eu fiquei com um pouco de nojo depois que cheguei na pista de dança.
Fui obrigado a ir ao banheiro para lavar as mãos e quando entrei no cubículo, me espantei com a quantidade de caras que estava se pegando próximo aos mictórios.
- Deus é mais!
Lavei as mãos rapidamente, lavei o rosto, arrumei meus cabelos, me sequei com alguns papeis e saí rapidamente antes que alguém resolvesse me bulinar.
Foi uma noite bacana. Era a primeira vez que eu tinha ido em uma balada GLS e por ser a primeira experiência, até que me dei bem.
Segundo as minhas contas, fiquei com dezessete caras diferentes. Muito puto? Talvez, mas eu tinha 18 anos de idade, estava com os hormônios à flor da pele e não medi nenhuma consequência para buscar a minha felicidade.
O Bruno tinha me feito sofrer tanto que tudo o que eu queria era esquecer do passado, viver o presente e pensar no meu futuro.
Eu estava crente que tinha que ser feliz. Não ia me importar como ia encontrar a felicidade, mas eu estava disposto a encontrá-la, fosse de um jeito, fosse de outro.
Eu merecia aquilo. Eu tinha direito àquela felicidade. Depois de tanto sofrimento, nada mais justo que eu tivesse dias melhores. Ou seria pedir demais?
Ainda mais naquelas circunstâncias. Por mais que eu falasse para todos que já não sentia mais nada pelo Bruno e que já o havia esquecido, aquilo era mentira.
Eu ainda o amava e pensava nele, embora não com tanta frequência como antes.
Sair de casa, curtir a vida, aproveitar a minha adolescência e juventude, era o mínimo que eu podia fazer para tentar me desvencilhar daquele cafajeste! E era exatamente aquilo que eu ia fazer!
Quando coloquei os pés na calçada da rua, fiquei aliviado em respirar o ar puro da madrugada. Estava me sentindo leve, renovado. Ter entrado naquela boate me fez muito bem mesmo!



Percebi que o cadarço do meu tênis direito estava desamarrado e fui obrigado a agachar para amarrá-lo e quando o fiz, acabei sendo atropelado por uma pessoa desatenta, que quase caiu no chão com o impacto de nossos corpos.
- Desculpa – ouvi uma voz desesperada soar perto de mim.
- Tudo bem, você está bem?
- Sim, estou ótimo. Desculpa mesmo, eu sou 




 distraído...
Quando eu levantei a minha cabeça e os nossos olhos se encontraram, meu queixo caiu, minhas mãos começaram a suar e o meu coração disparou. Não era possível que ele estivesse ali na minha frente...
- Léo? – falei depois de um segundo.
- Caio? – ele fez a mesma expressão de surpresa que eu.
Os nossos olhos não se desgrudaram. Eu não sabia o que fazer, não sabia o que falar, não sabia como reagir!
- O que você está fazendo aqui? – nós dois falamos ao mesmo tempo e ficamos um olhando para a cara do outro, sem desviar os olhos um segundo sequer