A
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Quele não era o momento dele me falar alguma coisa, qualquer coisa que fosse, por mais importante que fosse. Tudo o que ele tinha que fazer naquele momento, era focar em sua saúde e em sua recuperação, nada além disso.

- Caio... – ele me fitou com muita profundidade.
- Digow, agora não é hora pra isso!
- Caio... – de repente ele começou a se retorcer na cama e isso me deixou espantado. – Ai, Caio...
- Que foi, Digow? O que você está sentindo?
- Voltou... voltou a doer... Ai...
- Calma, calma – eu fiquei apavorado. Será que ele estava tendo alguma complicação? – Fica calmo, não se mexe e não fala nada.
- Ai, Caio... Ai... Está... está doendo... muito...
Ele se mexeu tanto que quis se levantar. Eu fui obrigado a segurá-lo pelos ombros, senão ele ia acabar fazendo uma loucura.
- Não... não estou... aguentando... – Rodrigo colocou a cabeça pra trás e respirou muito profundamente. Notei que ele estava começando a ficar vermelho demais e que seus batimentos cardíacos estavam se elevando muito rapidamente.
- Calma... calma... Eu vou... eu vou chamar... o médico!
Nem foi preciso. Vendo a movimentação que o Rodrigo estava tendo na maca, o doutor Ronaldo foi ao encontro do meu melhor amigo e logo perguntou:
- O que está acontecendo?
- Ele está sentindo dor – expliquei. – Faz alguma coisa, doutor!
- Acalme-se – ele abaixou o lençol que cobria o meu amigo. – É o efeito da anestesia que está chegando ao fim.
Eu quase desmaiei quando vi a barriga do Rodrigo. Estava horrível! Estava inchada, igual barriga de mulher grávida. E ele era magro! Nunca teve nenhuma gordura localizada na área do abdômen, como aquilo poderia estar daquele jeito?
Sem contar no curativo enorme que estava em sua pele. Eu senti um gelo esquisitíssimo tomar conta do meio das minhas pernas quando vi aquele negócio na minha frente.
- Fica tranquilo aí, Rodrigo – o médico falou. – Eu vou te aplicar um sedativo.
- Ai... – os olhinhos dele estavam fechados, mas mesmo assim as lágrimas estavam escorrendo. – Caio... Caio... Caio...
- Eu estou aqui, eu estou aqui – falei, quase que entrando em colapso nervoso.
- Me... me ajuda... me ajuda... pelo amor... de Deus...

Pra que ele foi falar aquilo? Eu não estava mais aguentando ver tanto sofrimento assim! Eu daria qualquer coisa pra ver o meu amigo fora daquela cama e se eu pudesse, eu passaria por tudo aquilo no lugar dele.
- Digow... – choraminguei mais para mim mesmo. Infelizmente não tinha nada que eu pudesse fazer naquele momento para tentar ajudá-lo, a não ser rezar.
- Pronto – o médico voltou com uma seringa enorme. – Agora ele vai ficar bem.
Pela primeira vez eu percebi que meu irmão estava no soro. Eu fiquei com meu coração estraçalhado com tudo aquilo que estava acontecendo.
- Fique em paz – ele cobriu o corpo do paciente. – Logo você se sentirá melhor. É questão de minutos pra você pegar no sono.
- Mas... mas está... doendo muito...
- É normal doer assim, é a anestesia que passou. Não se preocupe, você já vai ficar bem.
Quando o médico ia saindo, eu fui atrás dele. Eu precisava saber de fato como o Rodrigo estava,
- Doutor?
- Sim? – ele virou e me fitou.
- Ele vai ficar bem?
- Sim! Não se preocupe, foi apenas a anestesia que passou. A dor é normal quando isso acontece.
- Mas... Ele corre algum risco de... morte?
- Eu diria que esse risco não existe mais – o médico parecia seguro do que estava falando.
- Mas ele pode ter alguma complicação, sei lá? O quadro é muito grave?
- Não, ele está estável. Agora só precisamos controlar a infecção...
- Infecção? – eu franzi o cenho e o interrompi.
- Sim! Seu amigo teve o rompimento do apêndice, teve peritonite e nesses casos é normal gerar infecção, mas ele já está sendo tratado. Não se preocupe.
- E quanto tempo ele ficará aqui na UTI?
- Alguns dias. Eu sugiro que você vá embora agora. Você e seus amigos já ficaram aqui tempo demais.
- Caio... – ele choramingou.
Eu me virei. Ele já parecia mais calmo.
- Tem certeza que ele vai ficar bem? – perguntei.
- Absoluta. Não se preocupe.
- Eu estou preocupado!
- Não fique. Acredite em mim, ele vai melhorar. Agora vá, você não pode mais ficar aqui dentro porque o horário de visitas já chegou ao fim.

- Ca... – meu amigo tentou balbuciar o meu nome, mas em seguida pegou no sono. Eu me perguntei como aquele sedativo pôde fazer efeito em tão pouco tempo.
Enquanto eu caminhava para a sala de espera, fiquei pensando no meu amigo. Como ele estava com a aparência péssima! Meu coração ficou partido, porque o Rodrigo não merecia tudo aquilo que ele estava passando, não merecia mesmo!
- E aí? Como foi? – sondou Fabrício.
- Péssimo. Horroroso – falei, suspirei e me sentei.
- Por quê?!
- Ele acordou e não me parece nada bem. Ele está sentindo muita dor novamente.
- É o efeito da anestesia, Caio – Vinícius colocou o braço sobre o meu ombro. – Já deve estar acabando o efeito da anestesia, por isso ele sente dor.
- Foi o que o médico disse.
- Viu só? Ele aplicou algum remédio?
- Um sedativo no soro. Ele já voltou a dormir.
- Perfeito. Agora ele vai dormir até amanhã cedo e a gente já pode ir pra casa.
- Pra casa? – eu olhei pro futuro médico.
- É sim, Caio – quem respondeu foi o Fabrício. – Você não quer ficar aqui a noite inteira, quer?
- Essa é a minha vontade, Fabrício! No que dependesse de mim, eu não sairia de perto dele um segundo sequer.
- Mas não precisa ficar aqui – ele falou. – Até mesmo porquê ele não pode receber visitas agora e não pode ficar nenhum acompanhante com ele.
- O Fabrício tem razão. Nós temos que ir pra casa.
Fui vencido. Eu queria muito ficar, mas sabia que não tinha mais nada a fazer ali naquele momento.
- Vini? – chamei meu amigo quando a gente já estava indo pro ponto de ônibus.
- Diga?
- Ele está com a barriga tão... grande!
- É normal isso. Ele foi operado, normal que fique um pouco inchado. Ele deve estar com gases também... É bem comum!
- O médico falou que ele está com infecção. Por quê?!
- Porque houve o rompimento do apêndice e uma lesão no peritônio. É normal que haja infecção nesses casos, mas nada que seja do outro mundo.
- Será que ele vai ficar bem de verdade?
- Claro que vai! O pior já passou! Ele sai dessa rapidinho agora!!!
- Deus te ouça!
- Não precisa mais se preocupar com a vida dele, Caio – ele passou o braço pelo meu ombro de novo. – Ele não está mais correndo risco de vida.
- Eu me preocupo sim! O Rodrigo é uma das poucas pessoas que eu tenho aqui no Rio de Janeiro. As outras duas são vocês. Vocês três são as pessoas mais importantes da minha vida!
- Obrigado por me incluir nesse pacote, cara – Fabrício bagunçou o meu cabelo.
- Você também é importante pra gente, seu pivete – Vinícius bagunçou o meu cabelo. – Fica tranquilo, tá bom?
- Qual vai ser o próximo horário de visitas? – indaguei. – Nem perguntei lá na UTI...
- Às 8 da manhã – falou Vinícius.
- Então às 8 eu venho vê-lo novamente.
- Não vai vir não senhor – Fabrício meteu o bedelho onde não foi chamado.
- Por que não? – me revoltei.
- Porque amanhã cedo é a vez dos pais dele. Lembra que eles estão vindo pra cá?
- Ah, é verdade! Eu não me lembrava mais desse detalhe.
Parece até que foi transmissão de pensamentos. Bastou eu fechar o bico pra Dona Inês entrar em contato com o celular do filho:
- Alô? – atendi.
- Caio?
- Dona Inês?
- Nós já chegamos! Como estão as coisas?
- Bem, agora está tudo sob controle – falei a verdade.
- E qual o hospital onde ele está?
Eu informei o nome e o endereço do hospital onde o Rodrigo estava internado.
- Nós estamos indo pra lá agora ficar com ele. Obrigada, querido!
- Não, Dona Inês! Não pode ficar nenhum acompanhante com ele.
- Não? Como não? Por que não ele não pode ter acompanhante, Caio?
- É que ele está na UTI, Dona Inês!
- UTI? – bastou isso pra mulher gritar e entrar em desespero. A voz dela que já estava rouca devido o choro, naquele momento ficou parecendo voz de homem. – É GRAVE ASSIM, CAIO?
- Não, Dona Inês! O pior já passou. Ele só está lá por causa da infecção...
- Infecção? Que infecção? Não era apendicite?
- Sim, mas o apêndice rompeu antes dele ser operado e o quadro se agravou para uma peritonite.
- Ai, meu Deus! E agora...
- Calma, Dona Inês! Eu acabei de vê-lo e ele está dormindo. O médico aplicou um sedativo por causa da anestesia que tinha acabado e ele vai dormir até amanhã cedo. Ele está bem na medida do possível.
- E eu não posso mesmo ficar com ele?
- Não – garanti. – Não pode.
- Mesmo assim eu vou pro hospital. Não aguento ficar nessa agonia, não aguento!
- Tudo bem. Amanhã eu pretendo visitá-lo e talvez a gente se encontre pessoalmente.
- Tudo bem – ela fungou. – Obrigada por tudo, Caio. Muito obrigada.
- Por nada. Até logo, Dona Inês!

- Caio... – ele me fitou com muita profundidade.
- Digow, agora não é hora pra isso!
- Caio... – de repente ele começou a se retorcer na cama e isso me deixou espantado. – Ai, Caio...
- Que foi, Digow? O que você está sentindo?
- Voltou... voltou a doer... Ai...
- Calma, calma – eu fiquei apavorado. Será que ele estava tendo alguma complicação? – Fica calmo, não se mexe e não fala nada.
- Ai, Caio... Ai... Está... está doendo... muito...
Ele se mexeu tanto que quis se levantar. Eu fui obrigado a segurá-lo pelos ombros, senão ele ia acabar fazendo uma loucura.
- Não... não estou... aguentando... – Rodrigo colocou a cabeça pra trás e respirou muito profundamente. Notei que ele estava começando a ficar vermelho demais e que seus batimentos cardíacos estavam se elevando muito rapidamente.
- Calma... calma... Eu vou... eu vou chamar... o médico!
Nem foi preciso. Vendo a movimentação que o Rodrigo estava tendo na maca, o doutor Ronaldo foi ao encontro do meu melhor amigo e logo perguntou:
- O que está acontecendo?
- Ele está sentindo dor – expliquei. – Faz alguma coisa, doutor!
- Acalme-se – ele abaixou o lençol que cobria o meu amigo. – É o efeito da anestesia que está chegando ao fim.
Eu quase desmaiei quando vi a barriga do Rodrigo. Estava horrível! Estava inchada, igual barriga de mulher grávida. E ele era magro! Nunca teve nenhuma gordura localizada na área do abdômen, como aquilo poderia estar daquele jeito?
Sem contar no curativo enorme que estava em sua pele. Eu senti um gelo esquisitíssimo tomar conta do meio das minhas pernas quando vi aquele negócio na minha frente.
- Fica tranquilo aí, Rodrigo – o médico falou. – Eu vou te aplicar um sedativo.
- Ai... – os olhinhos dele estavam fechados, mas mesmo assim as lágrimas estavam escorrendo. – Caio... Caio... Caio...
- Eu estou aqui, eu estou aqui – falei, quase que entrando em colapso nervoso.
- Me... me ajuda... me ajuda... pelo amor... de Deus...
Pra que ele foi falar aquilo? Eu não estava mais aguentando ver tanto sofrimento assim! Eu daria qualquer coisa pra ver o meu amigo fora daquela cama e se eu pudesse, eu passaria por tudo aquilo no lugar dele.
- Digow... – choraminguei mais para mim mesmo. Infelizmente não tinha nada que eu pudesse fazer naquele momento para tentar ajudá-lo, a não ser rezar.
- Pronto – o médico voltou com uma seringa enorme. – Agora ele vai ficar bem.
Pela primeira vez eu percebi que meu irmão estava no soro. Eu fiquei com meu coração estraçalhado com tudo aquilo que estava acontecendo.
- Fique em paz – ele cobriu o corpo do paciente. – Logo você se sentirá melhor. É questão de minutos pra você pegar no sono.
- Mas... mas está... doendo muito...
- É normal doer assim, é a anestesia que passou. Não se preocupe, você já vai ficar bem.
Quando o médico ia saindo, eu fui atrás dele. Eu precisava saber de fato como o Rodrigo estava,
- Doutor?
- Sim? – ele virou e me fitou.
- Ele vai ficar bem?
- Sim! Não se preocupe, foi apenas a anestesia que passou. A dor é normal quando isso acontece.
- Mas... Ele corre algum risco de... morte?
- Eu diria que esse risco não existe mais – o médico parecia seguro do que estava falando.
- Mas ele pode ter alguma complicação, sei lá? O quadro é muito grave?
- Não, ele está estável. Agora só precisamos controlar a infecção...
- Infecção? – eu franzi o cenho e o interrompi.
- Sim! Seu amigo teve o rompimento do apêndice, teve peritonite e nesses casos é normal gerar infecção, mas ele já está sendo tratado. Não se preocupe.
- E quanto tempo ele ficará aqui na UTI?
- Alguns dias. Eu sugiro que você vá embora agora. Você e seus amigos já ficaram aqui tempo demais.
- Caio... – ele choramingou.
Eu me virei. Ele já parecia mais calmo.
- Tem certeza que ele vai ficar bem? – perguntei.
- Absoluta. Não se preocupe.
- Eu estou preocupado!
- Não fique. Acredite em mim, ele vai melhorar. Agora vá, você não pode mais ficar aqui dentro porque o horário de visitas já chegou ao fim.
- Ca... – meu amigo tentou balbuciar o meu nome, mas em seguida pegou no sono. Eu me perguntei como aquele sedativo pôde fazer efeito em tão pouco tempo.
Enquanto eu caminhava para a sala de espera, fiquei pensando no meu amigo. Como ele estava com a aparência péssima! Meu coração ficou partido, porque o Rodrigo não merecia tudo aquilo que ele estava passando, não merecia mesmo!
- E aí? Como foi? – sondou Fabrício.
- Péssimo. Horroroso – falei, suspirei e me sentei.
- Por quê?!
- Ele acordou e não me parece nada bem. Ele está sentindo muita dor novamente.
- É o efeito da anestesia, Caio – Vinícius colocou o braço sobre o meu ombro. – Já deve estar acabando o efeito da anestesia, por isso ele sente dor.
- Foi o que o médico disse.
- Viu só? Ele aplicou algum remédio?
- Um sedativo no soro. Ele já voltou a dormir.
- Perfeito. Agora ele vai dormir até amanhã cedo e a gente já pode ir pra casa.
- Pra casa? – eu olhei pro futuro médico.
- É sim, Caio – quem respondeu foi o Fabrício. – Você não quer ficar aqui a noite inteira, quer?
- Essa é a minha vontade, Fabrício! No que dependesse de mim, eu não sairia de perto dele um segundo sequer.
- Mas não precisa ficar aqui – ele falou. – Até mesmo porquê ele não pode receber visitas agora e não pode ficar nenhum acompanhante com ele.
- O Fabrício tem razão. Nós temos que ir pra casa.
Fui vencido. Eu queria muito ficar, mas sabia que não tinha mais nada a fazer ali naquele momento.
- Vini? – chamei meu amigo quando a gente já estava indo pro ponto de ônibus.
- Diga?
- Ele está com a barriga tão... grande!
- É normal isso. Ele foi operado, normal que fique um pouco inchado. Ele deve estar com gases também... É bem comum!
- O médico falou que ele está com infecção. Por quê?!
- Porque houve o rompimento do apêndice e uma lesão no peritônio. É normal que haja infecção nesses casos, mas nada que seja do outro mundo.
- Será que ele vai ficar bem de verdade?
- Claro que vai! O pior já passou! Ele sai dessa rapidinho agora!!!
- Deus te ouça!
- Não precisa mais se preocupar com a vida dele, Caio – ele passou o braço pelo meu ombro de novo. – Ele não está mais correndo risco de vida.
- Eu me preocupo sim! O Rodrigo é uma das poucas pessoas que eu tenho aqui no Rio de Janeiro. As outras duas são vocês. Vocês três são as pessoas mais importantes da minha vida!
- Obrigado por me incluir nesse pacote, cara – Fabrício bagunçou o meu cabelo.
- Você também é importante pra gente, seu pivete – Vinícius bagunçou o meu cabelo. – Fica tranquilo, tá bom?
- Qual vai ser o próximo horário de visitas? – indaguei. – Nem perguntei lá na UTI...
- Às 8 da manhã – falou Vinícius.
- Então às 8 eu venho vê-lo novamente.
- Não vai vir não senhor – Fabrício meteu o bedelho onde não foi chamado.
- Por que não? – me revoltei.
- Porque amanhã cedo é a vez dos pais dele. Lembra que eles estão vindo pra cá?
- Ah, é verdade! Eu não me lembrava mais desse detalhe.
Parece até que foi transmissão de pensamentos. Bastou eu fechar o bico pra Dona Inês entrar em contato com o celular do filho:
- Alô? – atendi.
- Caio?
- Dona Inês?
- Nós já chegamos! Como estão as coisas?
- Bem, agora está tudo sob controle – falei a verdade.
- E qual o hospital onde ele está?
Eu informei o nome e o endereço do hospital onde o Rodrigo estava internado.
- Nós estamos indo pra lá agora ficar com ele. Obrigada, querido!
- Não, Dona Inês! Não pode ficar nenhum acompanhante com ele.
- Não? Como não? Por que não ele não pode ter acompanhante, Caio?
- É que ele está na UTI, Dona Inês!
- UTI? – bastou isso pra mulher gritar e entrar em desespero. A voz dela que já estava rouca devido o choro, naquele momento ficou parecendo voz de homem. – É GRAVE ASSIM, CAIO?
- Não, Dona Inês! O pior já passou. Ele só está lá por causa da infecção...
- Infecção? Que infecção? Não era apendicite?
- Sim, mas o apêndice rompeu antes dele ser operado e o quadro se agravou para uma peritonite.
- Ai, meu Deus! E agora...
- Calma, Dona Inês! Eu acabei de vê-lo e ele está dormindo. O médico aplicou um sedativo por causa da anestesia que tinha acabado e ele vai dormir até amanhã cedo. Ele está bem na medida do possível.
- E eu não posso mesmo ficar com ele?
- Não – garanti. – Não pode.
- Mesmo assim eu vou pro hospital. Não aguento ficar nessa agonia, não aguento!
- Tudo bem. Amanhã eu pretendo visitá-lo e talvez a gente se encontre pessoalmente.
- Tudo bem – ela fungou. – Obrigada por tudo, Caio. Muito obrigada.
- Por nada. Até logo, Dona Inês!
Quando os meninos e eu chegamos em casa, Maicon e Éverton estavam nos aguardando na sala. Ambos pareciam muito preocupados com o nosso sumiço.
- Por que não me contaram? – Maicon ficou enfurecido. – Eu teria ido pro hospital também!
- Eu tentei avisar – falou Vinícius –, mas os celulares de vocês estavam desligados ou fora da área de cobertura.
- E como o Rodrigo está? – sondou Éverton.
- Fora de perigo – falou Fabrício.
Eu deixei o meu corpo cair em cima do sofá. Eu estava me sentindo exausto!
- E o que ele teve afinal de contas? – Éverton perguntou novamente.
- Apendicite e peritonite – respondeu Vinícius.
- Sério? Isso é grave, não é? – Maicon se preocupou.
- Bastante, mas agora ele já está fora de perigo.
Rodrigo... Como eu estava preocupado com ele!
- Bom, que ele fique bem o mais rápido possível – Éverton levantou e se espreguiçou.
- O melhor que a gente tem a fazer agora é dormir – falou Vinícius. – A noite de hoje foi cansativa demais.
Pouco a pouco todos eles foram saindo da sala e eu acabei ficando sozinho. Sozinho não, eu estava com os meus pensamentos.
Pensamentos esses que giravam em torno de uma única pessoa: o meu melhor amigo, o Digow, o Rodrigo. Como será que ele estaria naquele momento? Será mesmo que iria dormir até o dia seguinte? E se ele acordasse? E se voltasse a sentir dor?
Pela primeira vez me dei conta de como o Digow era crucial na minha vida. Só naquele momento de dificuldades percebi de fato o quão ele era importante em minha vida e o quão ele me faria falta caso alguma coisa acontecesse com ele.
E percebi ainda, que tudo o que eu era naquele momento, tudo o que eu tinha naquele momento, eu devia à ele e à ninguém mais.
Foi o Rodrigo que me convidou para morar naquela república de estudantes. Foi graças a ele que eu conheci o Fabrício, que me levou pra trabalhar com ele na loja do shopping e foi graças a isso que eu conheci a Janaína, que me levou pra trabalhar na loja de móveis e eletrodomésticos do shopping.
Foi graças ao Rodrigo que eu pude enfrantar o pior momento da minha vida, quando eu estive com depressão, Foi ele que me levou pro Paraná praticamente arrastado e foi ele também que me ensinou que a vida iria continuar, com Bruno, ou sem Bruno.
Foi o Rodrigo que me salvou da morte e foi ele que abriu meus olhos a respeito da burrada que eu iria fazer com a minha vida.
Todrigo, tudo tinha sido graças ao Rodrigo! Como não me preocupar com ele sendo que ele era a pessoa mais importante da minha vida naquele momento?
Meu melhor amigo, meu irmão postiço. Era isso o que ele era pra mim. Um irmão, um irmão que Deus me deu no lugar do irmão de sangue que me virou as costas.
Um melhor amigo com o qual eu podia contar em qualquer momento. Fosse na hora da alegria, fosse na hora da tristeza, eu sabia que ele estaria ali, pra me ajudar, pra rir comigo e pra puxar a minha orelha se preciso fosse.
Um melhor amigo como Víctor também era pra mim, mas um melhor amigo com muitas particulareidades. Ele era meu cúmplice, meu confidente, meu ombro amigo, meu camarada. E com o Víctor nada disso poderia acontecer. Talvez pela distância, talvez pelas diferenças que ele tinha do Digow... Eu não sabia explicar!
O fato é que eu devia o que eu era ao Rodrigo e se acontecesse alguma coisa com ele, eu jamais me perdoaria.
Impotente. Era assim que eu me sentia naquele momento. Eu sabia que ele estava mal, eu sabia que ele estava doente e eu não podia fazer nada para ajudar. Aquilo estava me matando!
- Caio? – ouvi uma voz grave entrar no meu ouvido.
- Hum? Ah, oi Fabrício?
- Vem deitar! Você está cansado e precisa dormir pra recompor as energias.
- Já vou. O banheiro está livre?
- Está sim! Não demora não que já é tarde, viu?
Pela primeira vez eu olhei no relógio na parede da sala. Já passava da uma da madrugada. Tarde mesmo. O tempo tinha passado e eu nem me dei conta, ao contrário do momento em que ele estava sendo operado, quando os ponteiros se arrastaram e os minutos pareceram décadas.
Saí da sala e fui direto pro banho. Só me dei conta que não peguei nenhuma roupa quando voltei pro quarto e vi o Fabrício deitado na cama.
O jeito foi me trocar na frente dele. Pra não expor nada indevido, tentei colocar a cueca por debaixo da toalha, mas acabei não conseguindo e fui obrigado a ficar pelado na frente do meu amigo pela primeira vez.
Não sei se por educação ou pura falta de interesse, Fabrício não comentou nada a respeito da minha nudez, o que me deixou contente e aliviado. Ainda bem que ele era tranquilo com relação a isso.
- Posso apagar a luz? – perguntei.
- Pode, claro. Vamos dormir que já está tarde.
- Verdade. Boa noite, mano.
- Boa noite. Dorme bem, Caio.
- Você também.

Eu não dormi de imediato. Antes de fazê-lo, bati um papinho com Deus e pedi a Ele que cuidasse do meu irmãozinho. Eu já estava morrendo de saudades do Rodrigo, essa é que era a verdade.
- Por que não me contaram? – Maicon ficou enfurecido. – Eu teria ido pro hospital também!
- Eu tentei avisar – falou Vinícius –, mas os celulares de vocês estavam desligados ou fora da área de cobertura.
- E como o Rodrigo está? – sondou Éverton.
- Fora de perigo – falou Fabrício.
Eu deixei o meu corpo cair em cima do sofá. Eu estava me sentindo exausto!
- E o que ele teve afinal de contas? – Éverton perguntou novamente.
- Apendicite e peritonite – respondeu Vinícius.
- Sério? Isso é grave, não é? – Maicon se preocupou.
- Bastante, mas agora ele já está fora de perigo.
Rodrigo... Como eu estava preocupado com ele!
- Bom, que ele fique bem o mais rápido possível – Éverton levantou e se espreguiçou.
- O melhor que a gente tem a fazer agora é dormir – falou Vinícius. – A noite de hoje foi cansativa demais.
Pouco a pouco todos eles foram saindo da sala e eu acabei ficando sozinho. Sozinho não, eu estava com os meus pensamentos.
Pensamentos esses que giravam em torno de uma única pessoa: o meu melhor amigo, o Digow, o Rodrigo. Como será que ele estaria naquele momento? Será mesmo que iria dormir até o dia seguinte? E se ele acordasse? E se voltasse a sentir dor?
Pela primeira vez me dei conta de como o Digow era crucial na minha vida. Só naquele momento de dificuldades percebi de fato o quão ele era importante em minha vida e o quão ele me faria falta caso alguma coisa acontecesse com ele.
E percebi ainda, que tudo o que eu era naquele momento, tudo o que eu tinha naquele momento, eu devia à ele e à ninguém mais.
Foi o Rodrigo que me convidou para morar naquela república de estudantes. Foi graças a ele que eu conheci o Fabrício, que me levou pra trabalhar com ele na loja do shopping e foi graças a isso que eu conheci a Janaína, que me levou pra trabalhar na loja de móveis e eletrodomésticos do shopping.
Foi graças ao Rodrigo que eu pude enfrantar o pior momento da minha vida, quando eu estive com depressão, Foi ele que me levou pro Paraná praticamente arrastado e foi ele também que me ensinou que a vida iria continuar, com Bruno, ou sem Bruno.
Foi o Rodrigo que me salvou da morte e foi ele que abriu meus olhos a respeito da burrada que eu iria fazer com a minha vida.
Todrigo, tudo tinha sido graças ao Rodrigo! Como não me preocupar com ele sendo que ele era a pessoa mais importante da minha vida naquele momento?
Meu melhor amigo, meu irmão postiço. Era isso o que ele era pra mim. Um irmão, um irmão que Deus me deu no lugar do irmão de sangue que me virou as costas.
Um melhor amigo com o qual eu podia contar em qualquer momento. Fosse na hora da alegria, fosse na hora da tristeza, eu sabia que ele estaria ali, pra me ajudar, pra rir comigo e pra puxar a minha orelha se preciso fosse.
Um melhor amigo como Víctor também era pra mim, mas um melhor amigo com muitas particulareidades. Ele era meu cúmplice, meu confidente, meu ombro amigo, meu camarada. E com o Víctor nada disso poderia acontecer. Talvez pela distância, talvez pelas diferenças que ele tinha do Digow... Eu não sabia explicar!
O fato é que eu devia o que eu era ao Rodrigo e se acontecesse alguma coisa com ele, eu jamais me perdoaria.
Impotente. Era assim que eu me sentia naquele momento. Eu sabia que ele estava mal, eu sabia que ele estava doente e eu não podia fazer nada para ajudar. Aquilo estava me matando!
- Caio? – ouvi uma voz grave entrar no meu ouvido.
- Hum? Ah, oi Fabrício?
- Vem deitar! Você está cansado e precisa dormir pra recompor as energias.
- Já vou. O banheiro está livre?
- Está sim! Não demora não que já é tarde, viu?
Pela primeira vez eu olhei no relógio na parede da sala. Já passava da uma da madrugada. Tarde mesmo. O tempo tinha passado e eu nem me dei conta, ao contrário do momento em que ele estava sendo operado, quando os ponteiros se arrastaram e os minutos pareceram décadas.
Saí da sala e fui direto pro banho. Só me dei conta que não peguei nenhuma roupa quando voltei pro quarto e vi o Fabrício deitado na cama.
O jeito foi me trocar na frente dele. Pra não expor nada indevido, tentei colocar a cueca por debaixo da toalha, mas acabei não conseguindo e fui obrigado a ficar pelado na frente do meu amigo pela primeira vez.
Não sei se por educação ou pura falta de interesse, Fabrício não comentou nada a respeito da minha nudez, o que me deixou contente e aliviado. Ainda bem que ele era tranquilo com relação a isso.
- Posso apagar a luz? – perguntei.
- Pode, claro. Vamos dormir que já está tarde.
- Verdade. Boa noite, mano.
- Boa noite. Dorme bem, Caio.
- Você também.
Eu não dormi de imediato. Antes de fazê-lo, bati um papinho com Deus e pedi a Ele que cuidasse do meu irmãozinho. Eu já estava morrendo de saudades do Rodrigo, essa é que era a verdade.
Quando eu acordei na manhã seguinte, percebi que Fabrício já estava de pé e completamente arrumado. Será que eu tinha perdido a hora?
- Eu estou atrasado? – perguntei.
- É o que parece. Agiliza aí, senão você vai se atrasar de vez!
Dei um pulo da cama, fui pro banheiro e tomei o banho mais rápido da minha vida. Em 10 minutos o Fabrício e eu já estávamos no ponto de ônibus, esperando o transporte que nos levaria até o shopping onde trabalhávamos.
- Será que o Digow acordou? – perguntei, mais para mim mesmo.
- Eu acho que sim – ele supôs. – Já deve ter passado o efeito do sedativo.
- Pobrezinho... Espero que ele não esteja sentindo nenhuma dor.
- É! O cara não merece passar por nada disso.
- Não mesmo – concordei em gênero, número e grau.
- Eu estou atrasado? – perguntei.
- É o que parece. Agiliza aí, senão você vai se atrasar de vez!
Dei um pulo da cama, fui pro banheiro e tomei o banho mais rápido da minha vida. Em 10 minutos o Fabrício e eu já estávamos no ponto de ônibus, esperando o transporte que nos levaria até o shopping onde trabalhávamos.
- Será que o Digow acordou? – perguntei, mais para mim mesmo.
- Eu acho que sim – ele supôs. – Já deve ter passado o efeito do sedativo.
- Pobrezinho... Espero que ele não esteja sentindo nenhuma dor.
- É! O cara não merece passar por nada disso.
- Não mesmo – concordei em gênero, número e grau.
- Bom dia! – cumprimentei minha amiga Janaína.
- Bom dia, amor! Como você está?
- Mais ou menos. Um pouco cansado.
- É, dá pra ver no seu rosto. E como está o seu amigo?
- Como você sabe? – me espantei.
- Eu vi você correndo como o diabo corre da cruz ontem na hora da saída e perguntei ao Jonas o que tinha acontecido.
- Hum, sim! Ele está melhor eu acho.
- Mas o que ele tinha?
- Ele teve apendicite e peritonite.
- Jesus, Maria José! Isso é grave, não?
- Um pouco. Mas ele operou e já está fora de perigo.
- Quem operou aí? – Eduarda apareceu e se meteu onde não era chamada.
- Meu amigo – informei. – Ele teve apendicite e teve que ser operado às pressas.
- Nossa, sério? Mas ele está bem?
- Não sei, eu ainda não fui no hospital hoje.
- Ah! Se você quiser ir, tiver que sair mais cedo, é só me falar, viu? Eu autorizo a sua saída.
- Obrigado, chefa. Porém o horário de visitas é só no período da noite. Obrigado pela compreensão>
- Se precisar de algo, não hesite em me procurar.
- Obrigado, de verdade!
- Bom dia, amor! Como você está?
- Mais ou menos. Um pouco cansado.
- É, dá pra ver no seu rosto. E como está o seu amigo?
- Como você sabe? – me espantei.
- Eu vi você correndo como o diabo corre da cruz ontem na hora da saída e perguntei ao Jonas o que tinha acontecido.
- Hum, sim! Ele está melhor eu acho.
- Mas o que ele tinha?
- Ele teve apendicite e peritonite.
- Jesus, Maria José! Isso é grave, não?
- Um pouco. Mas ele operou e já está fora de perigo.
- Quem operou aí? – Eduarda apareceu e se meteu onde não era chamada.
- Meu amigo – informei. – Ele teve apendicite e teve que ser operado às pressas.
- Nossa, sério? Mas ele está bem?
- Não sei, eu ainda não fui no hospital hoje.
- Ah! Se você quiser ir, tiver que sair mais cedo, é só me falar, viu? Eu autorizo a sua saída.
- Obrigado, chefa. Porém o horário de visitas é só no período da noite. Obrigado pela compreensão>
- Se precisar de algo, não hesite em me procurar.
- Obrigado, de verdade!
Só tive tempo pra falar com o Henrique depois do almoço dele. Aquele foi um dia turbulento na loja e a minha preocupação com o Rodrigo só fez as coisas ficarem ainda piores.
- Desculpa não ter vindo falar com você antes – me redimi.
- Não tem problema. Você está bem? Que carinha de cansaço é essa?
- Estou mesmo um pouco cansado.
- Como está o seu amigo?
- Melhor, eu acho. Ainda não tive notícias dele hoje.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro – falei.
- Você promete que vai ser bem sincero comigo?
- Sim! O que foi?
- Ele... Ele é só o seu amigo mesmo, né?
Não acreditei que eu estava ouvindo aquela pergunta!
- Claro que é! O Rodrigo é praticamente meu irmão mais velho, Henrique!
- Tem certeza disso, né?
- Ah, pelo amor de Deus – revirei meus olhos. Isso me deixou irritado.
- Não, eu estou fazendo essa pergunta porque ontem à noite você estava todo desesperado por causa dele.
- E estava mesmo, porque ele estava passando mal!
- E precisava sair correndo daquele jeito?
- Qual a parte do “ele estava passando mal” que você não entendeu, Henrique?
- Posso sentir ciúmes do meu namorado?
- Não, não pode! Até mesmo porque a gente nem namora direito ainda! Francamente... Quer saber de uma coisa? Eu vou é pro meu setor que ganho mais.
- Espera ai, Caio!
- Boa tarde, Henrique!
- Caio, espera!
- Boa tarde, Henrique – eu repeti a frase e saí andando.
Era só o que me faltava! Eu já tinha preocupações demais pra ter que ficar administrando aquela crise de ciúmes ridícula por parte do meu namorado.
- Licença, meu filho? – ouvi uma voz grave soar atrás de mim.
- Sim? – eu me virei e vi uma senhorinha muito idosa. – Pois não? Boa tarde, eu posso ajudar?
- Boa tarde. Você trabalha aqui?
Sim. Posso ajudar a senhora?
- Pode sim, meu filho. Sabe o que é? Eu precisava comprar um “guarda-vestidos” porque o meu está todo “escangalhado”.
Guarda-vestidos? Desde que eu me mudara pro Rio de Janeiro, aquela era a primeira vez que eu ouvia aquele termo inusitado.
- A senhora quer comprar um guarda-roupas? – a corrigi.
- Não, um “guarda-vestidos”. Você me ajuda a escolher um bem bonito, meu filho?
- Por favor, senhora, me acompanhe. Eu vou encaminhá-la a um vendedor do setor de móveis.
- Não quer me atender, meu filho?
- Não, senhora, não é isso. Eu não posso atender a senhora porque eu sou do setor de eletrodomésticos. Não tenho autorização pra efetuar vendas de móveis. Porém a senhora será muito bem atendida por um vendedor deste departamento.
- Tudo bem, meu filho, tudo bem.
Saí caçando a Janaína por todos os lados e só a encontrei quando estava quase desistindo. A doida estava literalmente atrás de um guarda-roupas enorme. Eu não acreditei quando a vi ali.
- O que você está fazendo ai, criatura de Deus?
- Sabe o que é? Eu vim procurar um pote de ouro – ela me olhou com aquela cara de brava que ela tinha às vezes. – Tá vendo isso daqui na minha mão, Caio?
- Sim, é um espanador!
- ENTÃO O QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTAVA FAZENDO ALI ATRÁS? LIMPANDO O GUARDA-ROUPA!!! – ela deu um chilique, mas tudo de brincadeira.
- Cala a boca, sua débil! Eu consegui uma cliente pra você!
- Jura? – ela se derreteu todinha, me agarrou e me balançou pra lá e pra cá. – Sabia que você é o mais lindo de todos os lindos?
- Obrigado, mas você pode me soltar agora?
- Ingrato! E cadê a minha cliente?
- Ela está bem ali, vendo aquele guarda-roupa tabaco com branco – sorri.
- OI?! – Janaína ficou incrédula. – Caiô, eu preciso de uma cliente, não da mãe do finado Pedro Alvares Cabral!!!
- Ai, Janaína – eu ri. – Você é muito idiota! Anda, vai atender a pobre da velhinha. Ela parece ser gente boa.
- Gente boa, né? Eu vou dar o gente boa no meio da sua orelha já, já!

- Desculpa não ter vindo falar com você antes – me redimi.
- Não tem problema. Você está bem? Que carinha de cansaço é essa?
- Estou mesmo um pouco cansado.
- Como está o seu amigo?
- Melhor, eu acho. Ainda não tive notícias dele hoje.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro – falei.
- Você promete que vai ser bem sincero comigo?
- Sim! O que foi?
- Ele... Ele é só o seu amigo mesmo, né?
Não acreditei que eu estava ouvindo aquela pergunta!
- Claro que é! O Rodrigo é praticamente meu irmão mais velho, Henrique!
- Tem certeza disso, né?
- Ah, pelo amor de Deus – revirei meus olhos. Isso me deixou irritado.
- Não, eu estou fazendo essa pergunta porque ontem à noite você estava todo desesperado por causa dele.
- E estava mesmo, porque ele estava passando mal!
- E precisava sair correndo daquele jeito?
- Qual a parte do “ele estava passando mal” que você não entendeu, Henrique?
- Posso sentir ciúmes do meu namorado?
- Não, não pode! Até mesmo porque a gente nem namora direito ainda! Francamente... Quer saber de uma coisa? Eu vou é pro meu setor que ganho mais.
- Espera ai, Caio!
- Boa tarde, Henrique!
- Caio, espera!
- Boa tarde, Henrique – eu repeti a frase e saí andando.
Era só o que me faltava! Eu já tinha preocupações demais pra ter que ficar administrando aquela crise de ciúmes ridícula por parte do meu namorado.
- Licença, meu filho? – ouvi uma voz grave soar atrás de mim.
- Sim? – eu me virei e vi uma senhorinha muito idosa. – Pois não? Boa tarde, eu posso ajudar?
- Boa tarde. Você trabalha aqui?
Sim. Posso ajudar a senhora?
- Pode sim, meu filho. Sabe o que é? Eu precisava comprar um “guarda-vestidos” porque o meu está todo “escangalhado”.
Guarda-vestidos? Desde que eu me mudara pro Rio de Janeiro, aquela era a primeira vez que eu ouvia aquele termo inusitado.
- A senhora quer comprar um guarda-roupas? – a corrigi.
- Não, um “guarda-vestidos”. Você me ajuda a escolher um bem bonito, meu filho?
- Por favor, senhora, me acompanhe. Eu vou encaminhá-la a um vendedor do setor de móveis.
- Não quer me atender, meu filho?
- Não, senhora, não é isso. Eu não posso atender a senhora porque eu sou do setor de eletrodomésticos. Não tenho autorização pra efetuar vendas de móveis. Porém a senhora será muito bem atendida por um vendedor deste departamento.
- Tudo bem, meu filho, tudo bem.
Saí caçando a Janaína por todos os lados e só a encontrei quando estava quase desistindo. A doida estava literalmente atrás de um guarda-roupas enorme. Eu não acreditei quando a vi ali.
- O que você está fazendo ai, criatura de Deus?
- Sabe o que é? Eu vim procurar um pote de ouro – ela me olhou com aquela cara de brava que ela tinha às vezes. – Tá vendo isso daqui na minha mão, Caio?
- Sim, é um espanador!
- ENTÃO O QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTAVA FAZENDO ALI ATRÁS? LIMPANDO O GUARDA-ROUPA!!! – ela deu um chilique, mas tudo de brincadeira.
- Cala a boca, sua débil! Eu consegui uma cliente pra você!
- Jura? – ela se derreteu todinha, me agarrou e me balançou pra lá e pra cá. – Sabia que você é o mais lindo de todos os lindos?
- Obrigado, mas você pode me soltar agora?
- Ingrato! E cadê a minha cliente?
- Ela está bem ali, vendo aquele guarda-roupa tabaco com branco – sorri.
- OI?! – Janaína ficou incrédula. – Caiô, eu preciso de uma cliente, não da mãe do finado Pedro Alvares Cabral!!!
- Ai, Janaína – eu ri. – Você é muito idiota! Anda, vai atender a pobre da velhinha. Ela parece ser gente boa.
- Gente boa, né? Eu vou dar o gente boa no meio da sua orelha já, já!
Eu cheguei no hospital faltando exatamente meia hora para as visitas serem liberadas. E enquanto isso, fiquei sentado na sala de espera, sem ter nada pra fazer, literalmente falando.
Não encontrei os pais do Rodrigo em lugar algum daquele hospital e deduzi que eles iriam chegar mais tarde, o que de fato aconteceu. Eles apareceram faltando apenas 5 minutos para a entrada dos familiares na UTI, mas nenhum dos dois percebeu a minha presença na saleta. Será que não me viram? Ou não me reconheceram?
- Dona Inês – chamei a atenção da mulher.
- Caio!!! – ela virou, me fitou e foi logo me abraçando com muita, muita força.
Fazia muito tempo que eu não recebia um abraço gostoso como aquele. Eu me senti de novo nos braços de uma mãe... Aquele foi um verdadeiro abraço de mãe... Eu me senti tão... Acolhido...
- Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada por você ter salvo a vida do meu filho!!!
- Imagina, Dona Inês! Eu não fiz nada, absolutamente nada.
- Fez sim, Caio! Você salvou a vida do meu filho. E eu serei eternamente grata a você por isso. Eternamente grata.
- Nós seremos – o pai do meu amigo falou. – Não temos como te agradecer nunca, Caio! Obrigado mesmo!
- Não precisam agradecer, eu fiz de coração! O Rodrigo é como se fosse meu irmão, eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance pra salvá-lo. Faria tudo de novo se fosse necessário.
- Eu não tenho como te agradecer – a mulher estava com os olhos marejados. – A não ser te considerar como parte da família, te considerar como filho!
- Muito obrigado, Dona Inês! Eu fico feliz em ter ajudado de alguma forma.
- Você ajudou muito, rapaz – o pai dele parecia muito aliviado. – Você vai querer vê-lo?
- Sim – falei. – Se possível, é claro!
- Claro que sim – Dona Inês sorriu. – Ele quer muito falar com você.
- E como ele está? – indaguei.
- Melhorando – ela respondeu. – Ainda sente um pouco de dor, mas disseram que isso é normal. O pior já passou.
- Caio, nós vamos entrar primeiro, tudo bem? – perguntou o homem.
- Claro! Mas será que pode entrar nós três?
- Pode sim, não tem problema não – falou a mãe do meu melhor amigo.
Mas teve. Da mesma forma do dia anterior, os médicos não quiseram liberar nossa entrada. Só conseguimos convencê-los porque o Ronaldo lembrou de mim e permitiu a minha entrada.
- 15 minutos de cada um – falou o pai dele.
- Perfeito. Eu espero aqui.
Eu realmente esperei. No entanto, fiquei extremamente impaciente, porque aqueles 15 minutos pareceram 15 horas, ou quiçá 15 dias, menos 15 minutos!
Quando o casal saiu, eu tratei logo de perguntar como meu amigo estava.
- Ansioso pra te ver – falou a mãe dele.
- Vai lá – o pai dele deu dois tapinhas no meu ombro.
- Ah, eu vou mesmo!
Não falei mais nada, empurrei as portas e segui rumo à UTI. Quando entrei, encontrei um Rodrigo mais calmo, porém com a fisionomia péssima, pior que a do dia anterior.
Meu amigo estava muito amarelado, com os olhos envoltos em olheiras profundas e com o abdômen muito, mas muito inchado mesmo.
- Caio!!! – ele sorriu quando me viu.
- Digow! – eu também sorri. A minha vontade era de abraçá-lo ali mesmo, mas infelizmente não pude fazê-lo.
- Você veio!!!
- Claro que eu vim! Acha que eu ia ficar sem saber notícias suas? Como você está?
- Um pouco melhor – ele estava olhando direto nos meus olhos e nem piscava –, mas ainda sinto muita dor.
- É normal, cara. Você operou recentemente.
- Ai, mano! Que bom que você veio, eu tenho algo muito importante pra te falar!
- Não tem nada pra me falar não senhor! O que você tem a fazer nesse momento é descansar e cudiar da sua recuperação, só isso!
- Eu tenho sim, Caio! Eu tenho algo pra te falar há muito tempo...
- Eu não quero ouvir. Não quero mesmo! Eu quero só que você se recupere nesse momento.
- É importante, é sobre o Bruno!
- Sobre o infeliz? Tanta coisa pra me falar você vai falar logo sobre o infeliz? Agora é que eu não quero ouvir mesmo!
- Caio, é sério! É importante... Eu me sinto culpado por ter guardado isso há tanto tempo...
- Digow, não fala nada, por favor! Não é local e não é hora pra gente falar sobre isso.
- Mas eu tenho que te contar, cacete!!!
- Tá, tudo bem! Eu juro que eu te escuto, tá? Mas não nesse momento porque aqui não é lugar pra gente falar sobre isso.
- Promete que vai me ouvir depois então?
- Sim, prometo sim. Agora trata de descansar que tudo está muito recente ainda.
Ele suspirou e continuou me olhando.
- Eu fiquei com tanto medo, Caio! Eu pensei que ia morrer, sabia?
- Você não ia morrer não, seu bobo!
- Eu tenho que te agradecer!
- Agradecer? Pelo quê?!
- Como pelo quê, Caio? Você salvou a minha vida!
- Não fala nada, tá bom? Você tem que descansar.
- Obrigado, Caio! Eu não sei como te agradecer. Se eu estou aqui agora é porquê você me salvou, porque você me trouxe até aqui...
- Não fala nada – eu sorri. – Eu não fiz mais do que a minha obrigação!
- Eu devo a minha vida à você agora, mano!
- E eu devo a minha vida à você, lembra? Estamos quites! Você me salvou, eu te salvei.
Eu coloquei a mão em cima da dele e pra minha surpresa, ele entrelaçou os dedos aos meus.
- E eu tenho certeza que isso só vai aproximar a gente ainda mais! Minha mãe está muito grata pelo que você fez por mim.
- Eu já conversei com ela lá fora.
- Ela disse que você é da família agora. Agora nós somos oficialmente irmãos.
- E eu tenho o maior prazer e a maior honra de ser seu irmão, Digow!
- Obrigado por ter me salvado, Caio!
- Já disse que você não tem nada que agradecer.
Pausa. Ele não parava de me olhar nos olhos.
- Os caras te mandaram um abraço e falaram que é pra você voltar logo pra casa.
- Obrigado! Manda outro pra eles e fala que eu volto rapidinho, se Deus quiser.
- Pode deixar que eu falo sim.
- O horário de visitas acabou – uma enfermeira foi ao meu encontro e me alertou.
- Já? Que droga!
- Fica aqui comigo? – ele fez um bico tão lindo que a minha vontade era de agarrá-lo!
- Se eu pudesse eu ficava mesmo, juro que ficava, mas eu não posso.
- Eu não aguento mais ficar nesse lugar! É horrível!
- Eu sei que é, Digow. Mas logo você sai dessa, você vai ver. Eu tenho que ir agora.
- Vem amanhã de novo? Por favor?
- Lógico que eu vou vir, né? Você acha mesmo que eu ia te deixar aqui sozinho? Jamais!
- Você... – aparentemente ele não soube o que falar. – Você é... demais!
- Sou nada, sou apenas eu e nada mais que isso.
- O horário de visitas acabou – a funcionária falou novamente.
- Já estou indo moça.
Eu olhei pro meu amigo e suspirei. O pobrezinho estava com a pele muito amarelada.
- Até amanhã, tá bom? Se cuida, se comporta e obedece aos médicos. Quero te ver fora daqui o mais rápido possível. Promete que vai melhorar?
- Prometo!
- Então até amanhã. Tchau, mano.
- Tchau... Caio...
Eu dei meia volta e quando comecei a andar, ouvi ele me chamando novamente:
- Caio?
- Oi, Digow?
- Eu tenho uma coisa muito importante pra te falar...
- Já falei que outra hora, agora não.
- Não é isso, é outra coisa!
- E o que é então?
- Algo que eu nunca... nunca falei antes, mas que eu quero te falar agora.
- E o que é? – perguntei de novo.
- Eu... eu... eu te... eu te amo, Caio!
Não encontrei os pais do Rodrigo em lugar algum daquele hospital e deduzi que eles iriam chegar mais tarde, o que de fato aconteceu. Eles apareceram faltando apenas 5 minutos para a entrada dos familiares na UTI, mas nenhum dos dois percebeu a minha presença na saleta. Será que não me viram? Ou não me reconheceram?
- Dona Inês – chamei a atenção da mulher.
- Caio!!! – ela virou, me fitou e foi logo me abraçando com muita, muita força.
Fazia muito tempo que eu não recebia um abraço gostoso como aquele. Eu me senti de novo nos braços de uma mãe... Aquele foi um verdadeiro abraço de mãe... Eu me senti tão... Acolhido...
- Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada por você ter salvo a vida do meu filho!!!
- Imagina, Dona Inês! Eu não fiz nada, absolutamente nada.
- Fez sim, Caio! Você salvou a vida do meu filho. E eu serei eternamente grata a você por isso. Eternamente grata.
- Nós seremos – o pai do meu amigo falou. – Não temos como te agradecer nunca, Caio! Obrigado mesmo!
- Não precisam agradecer, eu fiz de coração! O Rodrigo é como se fosse meu irmão, eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance pra salvá-lo. Faria tudo de novo se fosse necessário.
- Eu não tenho como te agradecer – a mulher estava com os olhos marejados. – A não ser te considerar como parte da família, te considerar como filho!
- Muito obrigado, Dona Inês! Eu fico feliz em ter ajudado de alguma forma.
- Você ajudou muito, rapaz – o pai dele parecia muito aliviado. – Você vai querer vê-lo?
- Sim – falei. – Se possível, é claro!
- Claro que sim – Dona Inês sorriu. – Ele quer muito falar com você.
- E como ele está? – indaguei.
- Melhorando – ela respondeu. – Ainda sente um pouco de dor, mas disseram que isso é normal. O pior já passou.
- Caio, nós vamos entrar primeiro, tudo bem? – perguntou o homem.
- Claro! Mas será que pode entrar nós três?
- Pode sim, não tem problema não – falou a mãe do meu melhor amigo.
Mas teve. Da mesma forma do dia anterior, os médicos não quiseram liberar nossa entrada. Só conseguimos convencê-los porque o Ronaldo lembrou de mim e permitiu a minha entrada.
- 15 minutos de cada um – falou o pai dele.
- Perfeito. Eu espero aqui.
Eu realmente esperei. No entanto, fiquei extremamente impaciente, porque aqueles 15 minutos pareceram 15 horas, ou quiçá 15 dias, menos 15 minutos!
Quando o casal saiu, eu tratei logo de perguntar como meu amigo estava.
- Ansioso pra te ver – falou a mãe dele.
- Vai lá – o pai dele deu dois tapinhas no meu ombro.
- Ah, eu vou mesmo!
Não falei mais nada, empurrei as portas e segui rumo à UTI. Quando entrei, encontrei um Rodrigo mais calmo, porém com a fisionomia péssima, pior que a do dia anterior.
Meu amigo estava muito amarelado, com os olhos envoltos em olheiras profundas e com o abdômen muito, mas muito inchado mesmo.
- Caio!!! – ele sorriu quando me viu.
- Digow! – eu também sorri. A minha vontade era de abraçá-lo ali mesmo, mas infelizmente não pude fazê-lo.
- Você veio!!!
- Claro que eu vim! Acha que eu ia ficar sem saber notícias suas? Como você está?
- Um pouco melhor – ele estava olhando direto nos meus olhos e nem piscava –, mas ainda sinto muita dor.
- É normal, cara. Você operou recentemente.
- Ai, mano! Que bom que você veio, eu tenho algo muito importante pra te falar!
- Não tem nada pra me falar não senhor! O que você tem a fazer nesse momento é descansar e cudiar da sua recuperação, só isso!
- Eu tenho sim, Caio! Eu tenho algo pra te falar há muito tempo...
- Eu não quero ouvir. Não quero mesmo! Eu quero só que você se recupere nesse momento.
- É importante, é sobre o Bruno!
- Sobre o infeliz? Tanta coisa pra me falar você vai falar logo sobre o infeliz? Agora é que eu não quero ouvir mesmo!
- Caio, é sério! É importante... Eu me sinto culpado por ter guardado isso há tanto tempo...
- Digow, não fala nada, por favor! Não é local e não é hora pra gente falar sobre isso.
- Mas eu tenho que te contar, cacete!!!
- Tá, tudo bem! Eu juro que eu te escuto, tá? Mas não nesse momento porque aqui não é lugar pra gente falar sobre isso.
- Promete que vai me ouvir depois então?
- Sim, prometo sim. Agora trata de descansar que tudo está muito recente ainda.
Ele suspirou e continuou me olhando.
- Eu fiquei com tanto medo, Caio! Eu pensei que ia morrer, sabia?
- Você não ia morrer não, seu bobo!
- Eu tenho que te agradecer!
- Agradecer? Pelo quê?!
- Como pelo quê, Caio? Você salvou a minha vida!
- Não fala nada, tá bom? Você tem que descansar.
- Obrigado, Caio! Eu não sei como te agradecer. Se eu estou aqui agora é porquê você me salvou, porque você me trouxe até aqui...
- Não fala nada – eu sorri. – Eu não fiz mais do que a minha obrigação!
- Eu devo a minha vida à você agora, mano!
- E eu devo a minha vida à você, lembra? Estamos quites! Você me salvou, eu te salvei.
Eu coloquei a mão em cima da dele e pra minha surpresa, ele entrelaçou os dedos aos meus.
- E eu tenho certeza que isso só vai aproximar a gente ainda mais! Minha mãe está muito grata pelo que você fez por mim.
- Eu já conversei com ela lá fora.
- Ela disse que você é da família agora. Agora nós somos oficialmente irmãos.
- E eu tenho o maior prazer e a maior honra de ser seu irmão, Digow!
- Obrigado por ter me salvado, Caio!
- Já disse que você não tem nada que agradecer.
Pausa. Ele não parava de me olhar nos olhos.
- Os caras te mandaram um abraço e falaram que é pra você voltar logo pra casa.
- Obrigado! Manda outro pra eles e fala que eu volto rapidinho, se Deus quiser.
- Pode deixar que eu falo sim.
- O horário de visitas acabou – uma enfermeira foi ao meu encontro e me alertou.
- Já? Que droga!
- Fica aqui comigo? – ele fez um bico tão lindo que a minha vontade era de agarrá-lo!
- Se eu pudesse eu ficava mesmo, juro que ficava, mas eu não posso.
- Eu não aguento mais ficar nesse lugar! É horrível!
- Eu sei que é, Digow. Mas logo você sai dessa, você vai ver. Eu tenho que ir agora.
- Vem amanhã de novo? Por favor?
- Lógico que eu vou vir, né? Você acha mesmo que eu ia te deixar aqui sozinho? Jamais!
- Você... – aparentemente ele não soube o que falar. – Você é... demais!
- Sou nada, sou apenas eu e nada mais que isso.
- O horário de visitas acabou – a funcionária falou novamente.
- Já estou indo moça.
Eu olhei pro meu amigo e suspirei. O pobrezinho estava com a pele muito amarelada.
- Até amanhã, tá bom? Se cuida, se comporta e obedece aos médicos. Quero te ver fora daqui o mais rápido possível. Promete que vai melhorar?
- Prometo!
- Então até amanhã. Tchau, mano.
- Tchau... Caio...
Eu dei meia volta e quando comecei a andar, ouvi ele me chamando novamente:
- Caio?
- Oi, Digow?
- Eu tenho uma coisa muito importante pra te falar...
- Já falei que outra hora, agora não.
- Não é isso, é outra coisa!
- E o que é então?
- Algo que eu nunca... nunca falei antes, mas que eu quero te falar agora.
- E o que é? – perguntei de novo.
- Eu... eu... eu te... eu te amo, Caio!
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