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apidamente a adrenalina tomou conta de todo o meu corpo e o cansaço já não fez mais parte da minha pessoa.
- AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ – por incrível que pareça os três subiram praticamente em cima de mim pra me felicitar.
Eu caí na gargalhada porque eles me fizeram cócegas e automaticamente me senti totalmente relaxado.
- Finalmente – suspirei.
- Parabéns – Fabrício bagunçou o meu cabelo. – Eu sei o que você está sentindo, eu fiquei assim também nas minhas primeiras férias da faculdade.
- É muito boa a sensação de dever cumprido, né? – Vinícius deu um tapa no meu ombro. – Parabéns!
- Eu sabia que você ia passar, palhaço – Rodrigo me empurrou e eu caí deitado na minha cama. – Deixa eu ver suas notas?
- Aham, olha aí – eu dei um pulo da cama pra poder tomar banho. – Que alegria, que alegria!!!
- Aproveita essas férias pra descansar. É o conselho que eu te dou – Vinícius voltou pra cama.
- Vou aproveitar horrores. Vou acordar 11 horas todos os dias.
- Somos dois – Rodrigo bocejou. – Caralho, não tirou nenhum 7? Só 8 e 9? Tirou 9 em Matemática?
- Isso porque ele odeia matemática, hein? – Fabrício roubou o note do Rodrigo. – Imagina se gostasse!
- Foi a sua ajuda, Fabrício. Foi a sua ajuda.
Saí do quarto praticamente saltitando. Eu abri a porta do banheiro e dei de cara com o Éverton. Ele estava se barbeando.
- Desculpa, Éverton... Posso tomar uma ducha?
- Opa, pode sim. Ficou de férias, foi?
- Uhum – sorri.
- Eu ouvi o seu grito. Eu fiquei também. Agora só faltam 5 semestres.
- Pra mim só faltam 3 – suspirei de alegria.
- Vai se foder! Começou a estudar esse ano e já vai se formar... Ridículo!
- Quem pode, pode – eu dei risada e entrei debaixo do chuveiro.
Só de pensar que não ia ter que me preocupar com os estudos por um mês eu me senti extremamente aliviado.
Não ia mais precisar acordar às 6 horas da manhã, ia poder descansar um pouco mais e através desse descanso eu ia ganhar mais qualidade de vida. Foi uma sensação muito boa perceber que estava de férias.

- AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ – por incrível que pareça os três subiram praticamente em cima de mim pra me felicitar.
Eu caí na gargalhada porque eles me fizeram cócegas e automaticamente me senti totalmente relaxado.
- Parabéns – Fabrício bagunçou o meu cabelo. – Eu sei o que você está sentindo, eu fiquei assim também nas minhas primeiras férias da faculdade.
- É muito boa a sensação de dever cumprido, né? – Vinícius deu um tapa no meu ombro. – Parabéns!
- Eu sabia que você ia passar, palhaço – Rodrigo me empurrou e eu caí deitado na minha cama. – Deixa eu ver suas notas?
- Aham, olha aí – eu dei um pulo da cama pra poder tomar banho. – Que alegria, que alegria!!!
- Aproveita essas férias pra descansar. É o conselho que eu te dou – Vinícius voltou pra cama.
- Vou aproveitar horrores. Vou acordar 11 horas todos os dias.
- Somos dois – Rodrigo bocejou. – Caralho, não tirou nenhum 7? Só 8 e 9? Tirou 9 em Matemática?
- Isso porque ele odeia matemática, hein? – Fabrício roubou o note do Rodrigo. – Imagina se gostasse!
- Foi a sua ajuda, Fabrício. Foi a sua ajuda.
Saí do quarto praticamente saltitando. Eu abri a porta do banheiro e dei de cara com o Éverton. Ele estava se barbeando.
- Desculpa, Éverton... Posso tomar uma ducha?
- Opa, pode sim. Ficou de férias, foi?
- Uhum – sorri.
- Eu ouvi o seu grito. Eu fiquei também. Agora só faltam 5 semestres.
- Pra mim só faltam 3 – suspirei de alegria.
- Vai se foder! Começou a estudar esse ano e já vai se formar... Ridículo!
- Quem pode, pode – eu dei risada e entrei debaixo do chuveiro.
Só de pensar que não ia ter que me preocupar com os estudos por um mês eu me senti extremamente aliviado.
Não ia mais precisar acordar às 6 horas da manhã, ia poder descansar um pouco mais e através desse descanso eu ia ganhar mais qualidade de vida. Foi uma sensação muito boa perceber que estava de férias.
Na hora que eu entrei na sala de aula, vi muitas carinhas felizes e outras não tão contentes. Pelo jeito alguns alunos tinham ficado em DP.
- Bom dia – eu cumprimentei os meus colegas um a um. – Como vocês estão?
- Felizes – respondeu Fernanda. – De férias, finalmente.
- Ai nem me fala. Nem me fala!!!
- Caio, o Diguinho já foi pra sala? – perguntou Marcela.
“SÓ EU PODIA CHAMAR O RODRIGO DE DIGUINHO, SUA VACA.”.
- Já sim, Marcela. Já sim.
- Ah... – ela fez bico.
Revirei meus olhos e nesse exato momento o professor entrou na sala. Eu comecei a prestar atenção na aula e não dei mais bola pra chata da minha cunhada.
- Bom dia – eu cumprimentei os meus colegas um a um. – Como vocês estão?
- Felizes – respondeu Fernanda. – De férias, finalmente.
- Ai nem me fala. Nem me fala!!!
- Caio, o Diguinho já foi pra sala? – perguntou Marcela.
“SÓ EU PODIA CHAMAR O RODRIGO DE DIGUINHO, SUA VACA.”.
- Já sim, Marcela. Já sim.
- Ah... – ela fez bico.
Revirei meus olhos e nesse exato momento o professor entrou na sala. Eu comecei a prestar atenção na aula e não dei mais bola pra chata da minha cunhada.
Eu só ia voltar pra faculdade em 4 de agosto, uma segunda-feira. Ia passar todo o mês de julho em casa, ia descansar e não queria saber de mais nada que fosse relacionado aos meus estudos. Só foi uma pena não ficar de férias também no curso de inglês, mas tudo bem.
- Tchau, Diguinho – eu dei um soco no ombro do meu irmão postiço. – Estou indo nessa.
- Onde você vai com tanta pressa?
- Pra academia, oras bolas. Pra onde mais eu poderia ir?
- Então me espera, lagartixa. Eu vou com você!
- Lagartixa? Por que me chamou de lagartixa?
- Porque você é branquelo igual a uma lagartixa – ele começou a dar risada.
Eu não sabia se chorava ou se dava na cara dele.
- Lagartixa não é branca, é cinza. Seu idiota! E se eu sou uma lagartixa você é uma folha de sulfite ambulante. Seu tosco – bufei.
- É brincadeira, Cacs. Vai me esperar ou não?
- Se você for demorar eu vou embora. Eu não vou ficar de vela não.
- Não vai ficar de vela, relaxa. Espera aí, é sério!
Dei de ombros e abri um sorrisinho de satisfação. Pelo jeito a nossa briga havia dado resultado.
- Que saudade – a Marcela caiu nos braços do namorado. – Que saudade de você...
-Eu também, minha gostosa... Deixa eu te falar: eu vou treinar com meu irmão hoje, tá bom?
- Ah... – Marcela choramingou. – Por quê?
- Porque faz muito tempo que eu não vou pra academia e isso significa que eu estou pagando a toa. Preciso voltar pra continuar meu treino, amor.
AMOR? VADIA DO CARALHO!!!
- Mas e eu?
- A gente se vê amanhã, lindona... Você também precisa fazer as suas coisas, né?
- Ah, Diguinho... Vai não... Fica comigo...
ELE NÃO VAI FICAR COM VOCÊ SUA AMEBA ENLATADA!
- Me dá um beijo e para de ser pidona, minha gostosa...
GOSTOSA? AQUELA GALINHA COM PENAS DE URUBU? ONDE AQUILO ERA GOSTOSA?
Eles se beijaram e beijaram muito. Em um determinado momento eu dei uma cotovelada nas costas do Rodrigo e ele até ficou engasgado.
- O que foi? O que você tem? Está passando mal? – a namorada do Rodrigo ficou toda preocupada.
- Não – ele tossiu. – Só fiquei sem ar. Preciso ir agora, viu princesa? Eu te ligo assim que sair da academia.
- Então tá, né? Se não tem jeito...
- Bobinha. Eu te amo, tá bom? – ele deu um selinho na mulher.
- Eu te amo também.
Rolou mais um beijo e eu dei outra cotovelada nele, mas dessa vez ele retribuiu com um chute na minha canela e eu acabei vendo estrelas e conhecendo Jesus de tanta dor. Senti vontade de gritar.
- Tchau – ele falou pra vaca.
Eu comecei a descer as escadas praticamente mancando. Meus olhos ficaram até lacrimejando por causa da dor.
- Tchau, cunhado – ouvi ela falando comigo. – Boas férias!
- Tchau, CUnhada – falei, sem olhar pra trás. – Boas férias também!
- Precisava ter me espancado daquele jeito? – ele deu um tabefe na minha cabeça.
- Você disse que eu não ia ficar de vela. E você chutou muito forte a minha canela. Está doendo!
- E você quase me fez perder o pulmão. Estamos quites!
- Seu tosco.
- Seu ridículo – Rodrigo bufou.


- Tchau, Diguinho – eu dei um soco no ombro do meu irmão postiço. – Estou indo nessa.
- Onde você vai com tanta pressa?
- Pra academia, oras bolas. Pra onde mais eu poderia ir?
- Então me espera, lagartixa. Eu vou com você!
- Lagartixa? Por que me chamou de lagartixa?
- Porque você é branquelo igual a uma lagartixa – ele começou a dar risada.
Eu não sabia se chorava ou se dava na cara dele.
- Lagartixa não é branca, é cinza. Seu idiota! E se eu sou uma lagartixa você é uma folha de sulfite ambulante. Seu tosco – bufei.
- É brincadeira, Cacs. Vai me esperar ou não?
- Se você for demorar eu vou embora. Eu não vou ficar de vela não.
- Não vai ficar de vela, relaxa. Espera aí, é sério!
Dei de ombros e abri um sorrisinho de satisfação. Pelo jeito a nossa briga havia dado resultado.
- Que saudade – a Marcela caiu nos braços do namorado. – Que saudade de você...
-Eu também, minha gostosa... Deixa eu te falar: eu vou treinar com meu irmão hoje, tá bom?
- Ah... – Marcela choramingou. – Por quê?
- Porque faz muito tempo que eu não vou pra academia e isso significa que eu estou pagando a toa. Preciso voltar pra continuar meu treino, amor.
AMOR? VADIA DO CARALHO!!!
- Mas e eu?
- A gente se vê amanhã, lindona... Você também precisa fazer as suas coisas, né?
- Ah, Diguinho... Vai não... Fica comigo...
ELE NÃO VAI FICAR COM VOCÊ SUA AMEBA ENLATADA!
- Me dá um beijo e para de ser pidona, minha gostosa...
GOSTOSA? AQUELA GALINHA COM PENAS DE URUBU? ONDE AQUILO ERA GOSTOSA?
Eles se beijaram e beijaram muito. Em um determinado momento eu dei uma cotovelada nas costas do Rodrigo e ele até ficou engasgado.
- O que foi? O que você tem? Está passando mal? – a namorada do Rodrigo ficou toda preocupada.
- Não – ele tossiu. – Só fiquei sem ar. Preciso ir agora, viu princesa? Eu te ligo assim que sair da academia.
- Então tá, né? Se não tem jeito...
- Bobinha. Eu te amo, tá bom? – ele deu um selinho na mulher.
- Eu te amo também.
Rolou mais um beijo e eu dei outra cotovelada nele, mas dessa vez ele retribuiu com um chute na minha canela e eu acabei vendo estrelas e conhecendo Jesus de tanta dor. Senti vontade de gritar.
- Tchau – ele falou pra vaca.
Eu comecei a descer as escadas praticamente mancando. Meus olhos ficaram até lacrimejando por causa da dor.
- Tchau, cunhado – ouvi ela falando comigo. – Boas férias!
- Tchau, CUnhada – falei, sem olhar pra trás. – Boas férias também!
- Precisava ter me espancado daquele jeito? – ele deu um tabefe na minha cabeça.
- Você disse que eu não ia ficar de vela. E você chutou muito forte a minha canela. Está doendo!
- E você quase me fez perder o pulmão. Estamos quites!
- Seu tosco.
- Seu ridículo – Rodrigo bufou.
A cada dia que passava a Alexia parecia melhor e isso me deixou muito feliz.
- Como você está, amiga?
- Melhor, Caio. Obrigada pela preocupação.
- E sua família?
- Uns bem, outros não tão bem assim, mas a gente está se acostumando. Hoje os meus primos tiraram tudo o que era do meu tio da casa pra não deixar a energia dele no ambiente.
- Isso é bacana. O que seria legal também é dar uma renovada na casa. Tirar tudo o que lembrar ele. Assim sua tia ficará melhor.
- É, eles vão fazer isso. Meus primos disseram que vão até mudar de casa pra tentar refazer a vida.
- Isso é muito bom. Seu tio está descansando agora e a vida continua, né?
- Verdade.
Fui falar com o resto do pessoal e encontrei uma Janaína totalmente desmotivada.
- O que você tem? – sondei.
- Estou de chico hoje. Estressada.
- Que nojo – franzi o nariz. – Graças a Deus eu nasci macho.
- Macho? Aonde? – isso fez a Jana dar risada.
- Me respeita, hein frango de macumba? Me respeita! Sou macho sim...
- Macho? Tá longe, hein? – ela gargalhou.
- Isso é bullying só porque eu sou negro. Vou te processar na lei Maria da Penha.
- Lei Maria da Penha é pra mulher que apanha do marido, não pro viado que é descriminado pela amiga que é linda, negra e estupidamente gostosa.
- Vaca. Só de raiva eu vou colocar cola “Super Bonder” na sua cadeira pra você não levantar nunca mais daí. E você não é estupidamente gostosa, você é estupidamente horrorosa!
Saí falando sozinho e em tom baixo. É claro que tudo não passava de brincadeira. A Jana e eu estávamos ficando mais próximos a cada dia que passava.

- Como você está, amiga?
- Melhor, Caio. Obrigada pela preocupação.
- E sua família?
- Uns bem, outros não tão bem assim, mas a gente está se acostumando. Hoje os meus primos tiraram tudo o que era do meu tio da casa pra não deixar a energia dele no ambiente.
- Isso é bacana. O que seria legal também é dar uma renovada na casa. Tirar tudo o que lembrar ele. Assim sua tia ficará melhor.
- É, eles vão fazer isso. Meus primos disseram que vão até mudar de casa pra tentar refazer a vida.
- Isso é muito bom. Seu tio está descansando agora e a vida continua, né?
- Verdade.
Fui falar com o resto do pessoal e encontrei uma Janaína totalmente desmotivada.
- O que você tem? – sondei.
- Estou de chico hoje. Estressada.
- Que nojo – franzi o nariz. – Graças a Deus eu nasci macho.
- Macho? Aonde? – isso fez a Jana dar risada.
- Me respeita, hein frango de macumba? Me respeita! Sou macho sim...
- Macho? Tá longe, hein? – ela gargalhou.
- Isso é bullying só porque eu sou negro. Vou te processar na lei Maria da Penha.
- Lei Maria da Penha é pra mulher que apanha do marido, não pro viado que é descriminado pela amiga que é linda, negra e estupidamente gostosa.
- Vaca. Só de raiva eu vou colocar cola “Super Bonder” na sua cadeira pra você não levantar nunca mais daí. E você não é estupidamente gostosa, você é estupidamente horrorosa!
Saí falando sozinho e em tom baixo. É claro que tudo não passava de brincadeira. A Jana e eu estávamos ficando mais próximos a cada dia que passava.
- Alô? – atendi o celular na hora do almoço.
- E aí? – era o Murilo.
- Tudo bom?
- Bom e você?
- Bem, obrigado. Quanto tempo, hein?
- Pois é. Você sumiu...
- Sumi nada, continuo sempre aqui. Você que não quis mais falar comigo – me fiz de vítima.
- Até parece. E aí, já está de férias?
- Hoje foi o meu último dia, graças a Deus – suspirei. – E você?
- Estou também. Isso significa que o senhor vai ter tempo pra me encontrar agora?
- Pode até significar – eu dei uma garfada no meu prato.
- Hum... Gostei! A gente precisa terminar aquilo, né?
Fiquei vermelho. Ainda bem que eu estava sozinho.
- Aquilo o quê? – me fiz de sonso.
- Aquilo que a gente começou lá na minha casa. Lembra?
- Não... A gente começou alguma coisa? – brinquei.
- Ah, não se faça de desentendido, garoto – ele riu.
Ri em seguida.
- Quem sabe a gente termina?
- Quem sabe nada, a gente vai terminar!!! – o carinha era decidido pelo jeito.
- Vamos ver, vamos ver. E as novas?
- Tirando as férias eu não tenho nenhuma e você?
- Tudo na mesma por aqui.
Nesse momento o meu celular começou a fazer um barulho esquisito. Ao olhar o visor, percebi que havia outra pessoa me ligando e essa pessoa era o Bruno.
- Murilo, tem gente me ligando. Eu vou desligar e depois te ligo, beleza?
- Vai ligar mesmo ou só está me enrolando?
- Se eu disse que vou ligar é porque eu vou ligar.
Eu nunca gostei de pessoas que duvidavam do que eu falava.
- Então eu vou esperar o seu telefonema. Se você não ligar eu vou ficar muito chateado com você, hein?
- Pode esperar que eu te ligo. Um abraço.
- Outro, Caio. Até mais.
- Até.
Desliguei e atendi o Bruno porque eu sabia que se eu não o atendesse ele continuaria me ligando eternamente e eu quis evitar a fadiga logo de cara:

- O que é? – bufei.
- Boa tarde pra você também, Caio.
- A tarde estava boa até agora. Por que está me ligando?
- Pra conversar. Pra que mais seria? – Bruno foi sarcástico.
- Olha só, eu já não quero falar com você e você ainda fica com sarcasmo? Vai se lascar e me deixa em paz!
- Desculpa... Só foi uma brincadeira... Me perdoa... Você está bem?
- Eu estava bem do verbo não estou mais.
- E não está por quê?
- Porque você estragou o meu dia, estragou a minha tarde, estragou a minha semana, estragou o meu mês, estragou o meu ano e estragou a minha vida!
Bruno suspirou.
- Eu sinto muito que você pense desse jeito. Eu não queria que as coisas fossem desse jeito, pode acreditar.
- Ah, não? – eu dei risada. – Se você não quer que as coisas sejam desse jeito então por obséquio, me deixa em paz.
- Eu já disse que eu não vou desistir de falar com você, Caio. Eu não vou desistir, eu não vou!
- Meu você não tem o que fazer não? Você não trabalha? Você não estuda? Você não faz nada da vida a não ser encher o meu saco? É isso mesmo?
- Eu trabalho sim, Caio... Eu estou em horário de almoço!
- Ah, é? Então me faz um favor: volta pro seu trabalho e me deixa em paz!
- Eu estou te atrapalhando?
- Você sempre me atrapalha, idiota. Sempre – bufei.
- Você está trabalhando também?
- Isso não é da sua conta...
- Você sai todos os dias às 22 horas?
- Pra que você quer saber? Pra ficar de guarda na porta do shopping? Pois saiba que eu não devo satisfação da minha vida pra você!
- Quando você vai me dar uma chance pra gente conversar, hein?
- No dia de São Nunca, idiota. Passar bem.
Bruno conseguiu me irritar e eu desliguei o telefone, mas ele tornou a me ligar em seguida.
- Bruno... Bruno... – eu suspirei com os olhos fechados. – O que você quer pra me deixar em paz? Diz?
- Eu quero que você converse comigo, só isso.
- Se eu fizer isso você me deixa em paz?
- Deixo – foi a vez dele suspirar.
- Você jura que me deixa em paz se eu ouvir o que você tem pra me contar?
Ele ficou calado.
- Eu sabia que era mentira. Eu sabia! Eu não sei mais o que faço com você, moleque. Eu não sei mais... Eu não quero nada demais, eu só quero viver em paz – senti vontade de chorar. – Só isso, Bruno! Só isso... Eu não quero muito eu só quero seguir a minha vida...
- E eu só quero conversar com você – senti vontade de chorar, mas foi ele que chorou. – Você sabe o que eu estou sentindo? Você sabe o que eu estou passando com esse seu ódio por mim?
- Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Isso daí não é nada comparado ao que eu senti, sabe? Ao que eu continuo sentindo, a essa dor insuportável que eu sinto todas as vezes que ouço a sua voz...
- Se você desse uma oportunidade só pra mim eu poderia explicar tudo... Tudo o que aconteceu...
- Mas eu não quero – bufei. – Eu não quero! Será possível que você não entende isso? Você não pode mandar nas minhas vontades, não pode!
- Eu não quero mandar nas suas vontades, eu só quero uma oportunidade pra me explicar... Só isso! Será que é pedir demais?
- Todo pedido que você me fizer será pedir demais pra mim. Você não tem noção do mal que me causou...
- Eu não queria ter feito isso. De verdade – Bruno continuava chorando. Era um choro calmo e silencioso, mas eu sabia que ele chorava.
- Mas fez. Fez isso e muito mais. É por esses e outros motivos que eu não quero falar com você. Por favor, me deixa em paz. Eu preciso desligar.
- Antes eu posso te fazer uma pergunta?
- Não.
- Uma pergunta só? E depois você pode desligar.
Suspirei e fechei meus olhos. O meu coração estava doendo. A voz dele era muito linda...
- O que você quer saber?
- Você está... Solteiro?
Fiquei calado. Para que ele queria saber?
- Está? – ele parecia apreensivo.
- Não, Bruno – menti. – Eu não estou solteiro.
- Não? – a voz dele saiu em um sussurro.
- Não – continuei mentindo. – E esse é mais um motivo pra você me deixar em paz.
- Você está... Falando sério?
- Muito sério. Eu estou namorando e muito feliz. Não perca mais tempo comigo, OK? Tchau.
Desliguei de novo e fiquei olhando pro visor do meu celular, mas ele não me ligou mais. Pelo menos eu consegui que ele me deixasse em paz, mas até quando essa paz ia durar?
- Deixa eu adivinhar? – a Janaína me analisou. – Você falou com o Bruno?
- Como você sabe? – fiquei chocado.
- Pela sua cara de tristeza, raiva, dor... Eu já te conheço muito bem, sabia?
- Percebi! Que medo que eu tenho de você. Eu, hein?
- E aí, o que falaram?
- As mesmas coisas de sempre. Ele quer falar comigo, eu não quero falar com ele...
- Eu não me meto mais nesse assunto. Você é criança demais.
Outra coisa que eu odiava era quando me chamavam de criança. Eu não era criança!
- Não sou criança – me zanguei com ela.
- Adulto é o que você não é tendo essa atitude ridícula, mas enfim... Boa sorte pra vocês.
- Sorte? Deseje-me sorte para eu me livrar dele isso sim.
- Vocês que são brancos que se entendam. Tem cliente para nós dois, vamos atender!
- E aí? – era o Murilo.
- Tudo bom?
- Bom e você?
- Bem, obrigado. Quanto tempo, hein?
- Pois é. Você sumiu...
- Sumi nada, continuo sempre aqui. Você que não quis mais falar comigo – me fiz de vítima.
- Até parece. E aí, já está de férias?
- Hoje foi o meu último dia, graças a Deus – suspirei. – E você?
- Estou também. Isso significa que o senhor vai ter tempo pra me encontrar agora?
- Pode até significar – eu dei uma garfada no meu prato.
- Hum... Gostei! A gente precisa terminar aquilo, né?
Fiquei vermelho. Ainda bem que eu estava sozinho.
- Aquilo o quê? – me fiz de sonso.
- Aquilo que a gente começou lá na minha casa. Lembra?
- Não... A gente começou alguma coisa? – brinquei.
- Ah, não se faça de desentendido, garoto – ele riu.
Ri em seguida.
- Quem sabe a gente termina?
- Quem sabe nada, a gente vai terminar!!! – o carinha era decidido pelo jeito.
- Vamos ver, vamos ver. E as novas?
- Tirando as férias eu não tenho nenhuma e você?
- Tudo na mesma por aqui.
Nesse momento o meu celular começou a fazer um barulho esquisito. Ao olhar o visor, percebi que havia outra pessoa me ligando e essa pessoa era o Bruno.
- Murilo, tem gente me ligando. Eu vou desligar e depois te ligo, beleza?
- Vai ligar mesmo ou só está me enrolando?
- Se eu disse que vou ligar é porque eu vou ligar.
Eu nunca gostei de pessoas que duvidavam do que eu falava.
- Então eu vou esperar o seu telefonema. Se você não ligar eu vou ficar muito chateado com você, hein?
- Pode esperar que eu te ligo. Um abraço.
- Outro, Caio. Até mais.
- Até.
Desliguei e atendi o Bruno porque eu sabia que se eu não o atendesse ele continuaria me ligando eternamente e eu quis evitar a fadiga logo de cara:
- O que é? – bufei.
- Boa tarde pra você também, Caio.
- A tarde estava boa até agora. Por que está me ligando?
- Pra conversar. Pra que mais seria? – Bruno foi sarcástico.
- Olha só, eu já não quero falar com você e você ainda fica com sarcasmo? Vai se lascar e me deixa em paz!
- Desculpa... Só foi uma brincadeira... Me perdoa... Você está bem?
- Eu estava bem do verbo não estou mais.
- E não está por quê?
- Porque você estragou o meu dia, estragou a minha tarde, estragou a minha semana, estragou o meu mês, estragou o meu ano e estragou a minha vida!
Bruno suspirou.
- Eu sinto muito que você pense desse jeito. Eu não queria que as coisas fossem desse jeito, pode acreditar.
- Ah, não? – eu dei risada. – Se você não quer que as coisas sejam desse jeito então por obséquio, me deixa em paz.
- Eu já disse que eu não vou desistir de falar com você, Caio. Eu não vou desistir, eu não vou!
- Meu você não tem o que fazer não? Você não trabalha? Você não estuda? Você não faz nada da vida a não ser encher o meu saco? É isso mesmo?
- Eu trabalho sim, Caio... Eu estou em horário de almoço!
- Ah, é? Então me faz um favor: volta pro seu trabalho e me deixa em paz!
- Eu estou te atrapalhando?
- Você sempre me atrapalha, idiota. Sempre – bufei.
- Você está trabalhando também?
- Isso não é da sua conta...
- Você sai todos os dias às 22 horas?
- Pra que você quer saber? Pra ficar de guarda na porta do shopping? Pois saiba que eu não devo satisfação da minha vida pra você!
- Quando você vai me dar uma chance pra gente conversar, hein?
- No dia de São Nunca, idiota. Passar bem.
Bruno conseguiu me irritar e eu desliguei o telefone, mas ele tornou a me ligar em seguida.
- Bruno... Bruno... – eu suspirei com os olhos fechados. – O que você quer pra me deixar em paz? Diz?
- Eu quero que você converse comigo, só isso.
- Se eu fizer isso você me deixa em paz?
- Deixo – foi a vez dele suspirar.
- Você jura que me deixa em paz se eu ouvir o que você tem pra me contar?
Ele ficou calado.
- Eu sabia que era mentira. Eu sabia! Eu não sei mais o que faço com você, moleque. Eu não sei mais... Eu não quero nada demais, eu só quero viver em paz – senti vontade de chorar. – Só isso, Bruno! Só isso... Eu não quero muito eu só quero seguir a minha vida...
- E eu só quero conversar com você – senti vontade de chorar, mas foi ele que chorou. – Você sabe o que eu estou sentindo? Você sabe o que eu estou passando com esse seu ódio por mim?
- Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Isso daí não é nada comparado ao que eu senti, sabe? Ao que eu continuo sentindo, a essa dor insuportável que eu sinto todas as vezes que ouço a sua voz...
- Se você desse uma oportunidade só pra mim eu poderia explicar tudo... Tudo o que aconteceu...
- Mas eu não quero – bufei. – Eu não quero! Será possível que você não entende isso? Você não pode mandar nas minhas vontades, não pode!
- Eu não quero mandar nas suas vontades, eu só quero uma oportunidade pra me explicar... Só isso! Será que é pedir demais?
- Todo pedido que você me fizer será pedir demais pra mim. Você não tem noção do mal que me causou...
- Eu não queria ter feito isso. De verdade – Bruno continuava chorando. Era um choro calmo e silencioso, mas eu sabia que ele chorava.
- Mas fez. Fez isso e muito mais. É por esses e outros motivos que eu não quero falar com você. Por favor, me deixa em paz. Eu preciso desligar.
- Antes eu posso te fazer uma pergunta?
- Não.
- Uma pergunta só? E depois você pode desligar.
Suspirei e fechei meus olhos. O meu coração estava doendo. A voz dele era muito linda...
- O que você quer saber?
- Você está... Solteiro?
Fiquei calado. Para que ele queria saber?
- Está? – ele parecia apreensivo.
- Não, Bruno – menti. – Eu não estou solteiro.
- Não? – a voz dele saiu em um sussurro.
- Não – continuei mentindo. – E esse é mais um motivo pra você me deixar em paz.
- Você está... Falando sério?
- Muito sério. Eu estou namorando e muito feliz. Não perca mais tempo comigo, OK? Tchau.
Desliguei de novo e fiquei olhando pro visor do meu celular, mas ele não me ligou mais. Pelo menos eu consegui que ele me deixasse em paz, mas até quando essa paz ia durar?
- Deixa eu adivinhar? – a Janaína me analisou. – Você falou com o Bruno?
- Como você sabe? – fiquei chocado.
- Pela sua cara de tristeza, raiva, dor... Eu já te conheço muito bem, sabia?
- Percebi! Que medo que eu tenho de você. Eu, hein?
- E aí, o que falaram?
- As mesmas coisas de sempre. Ele quer falar comigo, eu não quero falar com ele...
- Eu não me meto mais nesse assunto. Você é criança demais.
Outra coisa que eu odiava era quando me chamavam de criança. Eu não era criança!
- Não sou criança – me zanguei com ela.
- Adulto é o que você não é tendo essa atitude ridícula, mas enfim... Boa sorte pra vocês.
- Sorte? Deseje-me sorte para eu me livrar dele isso sim.
- Vocês que são brancos que se entendam. Tem cliente para nós dois, vamos atender!
- Vamos embora pessoal – Jonas estava alvoroçado naquela noite.
- Nem precisa pedir duas vezes – eu me joguei na minha cadeira e abri o sistema para acompanhar os meus pedidos.
- Vai ficar aí? – perguntou um colega do meu setor.
- Só vou acompanhar as entregas de amanhã. 2 minutinhos e eu já saio.
- Larga mão disso, cara. Se não entregar o cliente liga no SAC e se resolve lá. Não fica perdendo seu tempo!
- Já ouviu falar em algo chamado pós-venda? Eu preciso fidelizar os meus clientes, meu querido. Eu só paro de acompanhar as minhas vendas após a montagem.
- Puxa saco é assim mesmo, né? Fazer o quê?!
- Puxa saco é o caralho – eu me estressei. – Eu não puxo saco de ninguém!
- Imagina se puxasse, né? – o cara riu.
- Ah, vai se foder, Júlio. Vai cuidar das suas coisas que das minhas cuido eu.
- Eu é que não vou perder tempo com você, garoto. Passar bem!
- Então some. Cara chato!!!
Se já não me bastasse todos os problemas que eu tinha com o Bruno, com o Rodrigo e com os clientes eu ainda tinha que aguentar colega de trabalho recalcado? Ah, pelo amor de Deus, né?
- Vamos, Caio? – Jonas passou na minha mesa. – O que está fazendo aí?
- Vendo os pedidos de 4 clientes. Eles vão ser entregues amanhã e eu quero saber se está tudo certo.
- Muito bom... Assim que tem que ser...
- Acredita que o Júlio me chamou de puxa saco? Vê se eu mereço uma coisa dessas?
- Ah é inveja. Nem liga, filho. Terminou aí?
- Já. Vou me trocar e a gente já vai.
- Beleza. Eu vou ao banheiro rapidinho também.
Entrei no vestiário, abri o meu armário, peguei minha mochila e comecei a me trocar. Percebi que um dos meninos do crediário estava me olhando enquanto eu me arrumava. Será que ele era do babado?


- Cada dia mais bombado, hein? – Jonas deu risada.
- Não acho. Só estou mantendo o que conquistei na academia.
- Quem me dera eu tivesse coragem pra encarar isso daí. Você é corajoso.
- Só quero ficar bem comigo mesmo – suspirei e terminei de me arrumar. – Vamos?
- Vamos sim.
Olhei pro espelho, arrumei o meu cabelo e em seguida a gente saiu. Jonas conferiu a filial, perguntou se não tinha nenhuma menina no vestiário e em seguida a gente abandonou a loja. E assim acabou mais um dia de trabalho.
- Nem precisa pedir duas vezes – eu me joguei na minha cadeira e abri o sistema para acompanhar os meus pedidos.
- Vai ficar aí? – perguntou um colega do meu setor.
- Só vou acompanhar as entregas de amanhã. 2 minutinhos e eu já saio.
- Larga mão disso, cara. Se não entregar o cliente liga no SAC e se resolve lá. Não fica perdendo seu tempo!
- Já ouviu falar em algo chamado pós-venda? Eu preciso fidelizar os meus clientes, meu querido. Eu só paro de acompanhar as minhas vendas após a montagem.
- Puxa saco é assim mesmo, né? Fazer o quê?!
- Puxa saco é o caralho – eu me estressei. – Eu não puxo saco de ninguém!
- Imagina se puxasse, né? – o cara riu.
- Ah, vai se foder, Júlio. Vai cuidar das suas coisas que das minhas cuido eu.
- Eu é que não vou perder tempo com você, garoto. Passar bem!
- Então some. Cara chato!!!
Se já não me bastasse todos os problemas que eu tinha com o Bruno, com o Rodrigo e com os clientes eu ainda tinha que aguentar colega de trabalho recalcado? Ah, pelo amor de Deus, né?
- Vamos, Caio? – Jonas passou na minha mesa. – O que está fazendo aí?
- Vendo os pedidos de 4 clientes. Eles vão ser entregues amanhã e eu quero saber se está tudo certo.
- Muito bom... Assim que tem que ser...
- Acredita que o Júlio me chamou de puxa saco? Vê se eu mereço uma coisa dessas?
- Ah é inveja. Nem liga, filho. Terminou aí?
- Já. Vou me trocar e a gente já vai.
- Beleza. Eu vou ao banheiro rapidinho também.
Entrei no vestiário, abri o meu armário, peguei minha mochila e comecei a me trocar. Percebi que um dos meninos do crediário estava me olhando enquanto eu me arrumava. Será que ele era do babado?
- Cada dia mais bombado, hein? – Jonas deu risada.
- Não acho. Só estou mantendo o que conquistei na academia.
- Quem me dera eu tivesse coragem pra encarar isso daí. Você é corajoso.
- Só quero ficar bem comigo mesmo – suspirei e terminei de me arrumar. – Vamos?
- Vamos sim.
Olhei pro espelho, arrumei o meu cabelo e em seguida a gente saiu. Jonas conferiu a filial, perguntou se não tinha nenhuma menina no vestiário e em seguida a gente abandonou a loja. E assim acabou mais um dia de trabalho.
- Obrigado pela sua carona, chefe.
- De nada, Caio. Bom descanso e até amanhã.
- Até – apertei a mão dele e abri a porta.
- Ah – Jonas murmurou. – Amanhã eu vou sair com uma gata. Não vou poder te trazer, tá certo?
- Não tem problema – eu fitei meu gerente. – Eu posso voltar de ônibus.
- Mas depois de amanhã eu te trago.
- Sem crise. Vai ver que é por isso que o pessoal me chama de puxa saco – dei risada. – Porque você vive me dando carona.
- E você liga? Deixa esse povo pra lá. É pura inveja isso daí.
- Verdade. Boa noite, chefe.
- Boa noite, Caio.
A maioria dos marmanjos estava na sala na hora que eu subi. Assim que me viu, Kléber foi logo falar comigo:
- Começo o meu treinamento na semana que vem.
- Sério? – me espantei com a agilidade. – Que da hora! Já assinou o contrato?
- Já sim. Fiz isso hoje e você mais uma vez não estava lá.
- Você só vai no meu horário de almoço – me defendi. – O que posso fazer?
- Só te vi lá uma vez. Você estava atendendo, todo concentrado. Parecia até gente – ele brincou e sorriu.
- Me respeita, idiota – dei um tapa no braço do cara. – Que dia começa seu treinamento?
- Dia 30. Eu viajo pra São Paulo no dia 29 à noite.
- Ah, comigo também foi assim. Vai ficar em um hotel muito chique, viu?
- É?
- É sim. Você vai adorar.
- Assim espero. Tomara que dê tudo certo. O foda vai ser ficar 21 dias úteis lá.
- É, mas passa bem rápido você vai ver.
- Tomara. Você me ajuda quando eu começar?
- Ajudo, é claro. Vou te dar várias dicas. Pode deixar.
- O que vocês tanto cochicham aí, hein? – perguntou Maicon.
- Estou falando pro Caio que começo meu treinamento no dia 30.
- Ah, é – Miguel se meteu. – Vamos ficar de férias do Kléber por um mês.
Isso foi o assunto da noite. Os meninos ficaram meio que comemorando a saída do Kléber e em nenhum momento eu percebi que era brincadeira. Isso me deixou meio triste... Coitado do menino.
Só quem estava brincando era o Miguel, afinal ele era irmão do cara, mas o Maicon e o Éverton pareciam estar mesmo vibrando pela saída do rapaz da república. Até parecia que ele ia embora pra sempre e não por 30 e poucos dias.
- Nossa Senhora – Vinícius me fitou. – Você está esgotado, hein?
- Estou mesmo, Vini. Cansado pra caramba. Onde está Rodrigo?
- Saiu com a Marcela e ainda não voltou, mas ele já está chegando. Acabei de ligar pra saber onde ele estava.
- E o Fabrício?
- Fazendo o TCC.
- Mas ele não está de férias?
- Sim, mas TCC é foda, Caio... Consome muito tempo da gente... Último ano da faculdade nos deixa loucos, viu?
- Imagino. Será que comigo também vai ser assim?
- Que nada, a sua vai ser suave porque é tecnólogo. Se fosse curso com duração de 4 anos aí sim você veria o que é bom pra tosse.
- Deus me livre.
- Imagina eu com 6 anos? Já estou ficando lesado – ele abriu um sorriso lindo.
- Deus me livre e guarde. 2 anos já me mata imagina 6? Eu, hein? É muito amor pela medicina.
- Eu nasci pra ser médico, Caio. Eu nasci pra salvar vidas.
Achei isso lindo. Muito lindo mesmo.
- Que lindo ouvir isso. Parabéns pela sua vocação!

Eu caí deitado na cama e joguei meus tênis longe. Estava tão cansado...
- Quer que eu faça uma massagem em você? – Vini pulou da cama. O médico estava só de cueca branca, como sempre.
- Adoraria, mas não quero te incomodar.
- Incomoda não. Deita aí. Adoro fazer massagem nas pessoas. Principalmente na minha Bruna.
Revirei os olhos.
- E como ela está?
- Bem. Obrigado por perguntar. Vai tira a camiseta que eu faço a massagem, mano.
Eu simplesmente não resisti. Tirei a camiseta, deitei de bruços e ele começou a massagem. Como as mãos dele eram firmes e certeiras, eu comecei a relaxar de imediato.
- Ui – gemi.
- Doeu? Está muito forte?
- Nada... Está perfeito! Continua, por favor.
- Relaxa aí que você tá muito tenso – Vinícius apertou os meus ombros e eu senti uma dor esquisita onde ele estava apertando. Era um nó te tensão.
- Ai que delícia... Nossa você massageia bem... Poderia até virar massoterapeuta.
- Quero não, embora dê muito dinheiro.
- Isso dá dinheiro, é?
- Muito! A minha prima é esteticista e massoterapeuta. Ela ganha de 3 à 4 mil por mês. Em um ano comprou um carro 0 km.
- Ah, tudo isso? Acredito não!
- É verdade, Caio! É porque as massagens são R$ 50,00 cada, fora os procedimentos estéticos... A bicha ganha muito bem, mas trabalha muito.
- Acho que encontrei a minha profissão – brinquei.
- Dá dinheiro, mas tem que trabalhar bem e muito.
- Não tenho medo do trabalho – bocejei.
- Relaxa mais um pouco.
Obedeci. Como eu estava com os meus olhos fechados, o sono foi tomando conta de mim, tomando conta de mim, tomando conta de mim até que eu adormeci.
- De nada, Caio. Bom descanso e até amanhã.
- Até – apertei a mão dele e abri a porta.
- Ah – Jonas murmurou. – Amanhã eu vou sair com uma gata. Não vou poder te trazer, tá certo?
- Não tem problema – eu fitei meu gerente. – Eu posso voltar de ônibus.
- Mas depois de amanhã eu te trago.
- Sem crise. Vai ver que é por isso que o pessoal me chama de puxa saco – dei risada. – Porque você vive me dando carona.
- E você liga? Deixa esse povo pra lá. É pura inveja isso daí.
- Verdade. Boa noite, chefe.
- Boa noite, Caio.
A maioria dos marmanjos estava na sala na hora que eu subi. Assim que me viu, Kléber foi logo falar comigo:
- Começo o meu treinamento na semana que vem.
- Sério? – me espantei com a agilidade. – Que da hora! Já assinou o contrato?
- Já sim. Fiz isso hoje e você mais uma vez não estava lá.
- Você só vai no meu horário de almoço – me defendi. – O que posso fazer?
- Só te vi lá uma vez. Você estava atendendo, todo concentrado. Parecia até gente – ele brincou e sorriu.
- Me respeita, idiota – dei um tapa no braço do cara. – Que dia começa seu treinamento?
- Dia 30. Eu viajo pra São Paulo no dia 29 à noite.
- Ah, comigo também foi assim. Vai ficar em um hotel muito chique, viu?
- É?
- É sim. Você vai adorar.
- Assim espero. Tomara que dê tudo certo. O foda vai ser ficar 21 dias úteis lá.
- É, mas passa bem rápido você vai ver.
- Tomara. Você me ajuda quando eu começar?
- Ajudo, é claro. Vou te dar várias dicas. Pode deixar.
- O que vocês tanto cochicham aí, hein? – perguntou Maicon.
- Estou falando pro Caio que começo meu treinamento no dia 30.
- Ah, é – Miguel se meteu. – Vamos ficar de férias do Kléber por um mês.
Isso foi o assunto da noite. Os meninos ficaram meio que comemorando a saída do Kléber e em nenhum momento eu percebi que era brincadeira. Isso me deixou meio triste... Coitado do menino.
Só quem estava brincando era o Miguel, afinal ele era irmão do cara, mas o Maicon e o Éverton pareciam estar mesmo vibrando pela saída do rapaz da república. Até parecia que ele ia embora pra sempre e não por 30 e poucos dias.
- Nossa Senhora – Vinícius me fitou. – Você está esgotado, hein?
- Estou mesmo, Vini. Cansado pra caramba. Onde está Rodrigo?
- Saiu com a Marcela e ainda não voltou, mas ele já está chegando. Acabei de ligar pra saber onde ele estava.
- E o Fabrício?
- Fazendo o TCC.
- Mas ele não está de férias?
- Sim, mas TCC é foda, Caio... Consome muito tempo da gente... Último ano da faculdade nos deixa loucos, viu?
- Imagino. Será que comigo também vai ser assim?
- Que nada, a sua vai ser suave porque é tecnólogo. Se fosse curso com duração de 4 anos aí sim você veria o que é bom pra tosse.
- Deus me livre.
- Imagina eu com 6 anos? Já estou ficando lesado – ele abriu um sorriso lindo.
- Deus me livre e guarde. 2 anos já me mata imagina 6? Eu, hein? É muito amor pela medicina.
- Eu nasci pra ser médico, Caio. Eu nasci pra salvar vidas.
Achei isso lindo. Muito lindo mesmo.
- Que lindo ouvir isso. Parabéns pela sua vocação!
Eu caí deitado na cama e joguei meus tênis longe. Estava tão cansado...
- Quer que eu faça uma massagem em você? – Vini pulou da cama. O médico estava só de cueca branca, como sempre.
- Adoraria, mas não quero te incomodar.
- Incomoda não. Deita aí. Adoro fazer massagem nas pessoas. Principalmente na minha Bruna.
Revirei os olhos.
- E como ela está?
- Bem. Obrigado por perguntar. Vai tira a camiseta que eu faço a massagem, mano.
Eu simplesmente não resisti. Tirei a camiseta, deitei de bruços e ele começou a massagem. Como as mãos dele eram firmes e certeiras, eu comecei a relaxar de imediato.
- Ui – gemi.
- Doeu? Está muito forte?
- Nada... Está perfeito! Continua, por favor.
- Relaxa aí que você tá muito tenso – Vinícius apertou os meus ombros e eu senti uma dor esquisita onde ele estava apertando. Era um nó te tensão.
- Ai que delícia... Nossa você massageia bem... Poderia até virar massoterapeuta.
- Quero não, embora dê muito dinheiro.
- Isso dá dinheiro, é?
- Muito! A minha prima é esteticista e massoterapeuta. Ela ganha de 3 à 4 mil por mês. Em um ano comprou um carro 0 km.
- Ah, tudo isso? Acredito não!
- É verdade, Caio! É porque as massagens são R$ 50,00 cada, fora os procedimentos estéticos... A bicha ganha muito bem, mas trabalha muito.
- Acho que encontrei a minha profissão – brinquei.
- Dá dinheiro, mas tem que trabalhar bem e muito.
- Não tenho medo do trabalho – bocejei.
- Relaxa mais um pouco.
Obedeci. Como eu estava com os meus olhos fechados, o sono foi tomando conta de mim, tomando conta de mim, tomando conta de mim até que eu adormeci.
Acordei e o quarto estava todo escuro. Olhei para um lado, olhei para o outro e não vi nada. Que horas seriam? Será que eu tinha dormido há muito tempo? Eu ainda estava com a calça jeans e estava todo grudado de suor devido ao calor. Por que os meninos não me acordaram?
Tirei a calça, me arrumei na cama e olhei a hora no celular. Já passava das 2 da manhã. Será que o Rodrigo já havia chegado?
Eu levantei e sem acender a luz passei a mão pela cama do meu amigo. Ele estava lá. Será que estava dormindo?
- Rodrigo? – cochichei.
Silêncio. Sim ele estava dormindo. Continuei passando a mão pelo corpo do meu amigo até chegar aonde eu queria.
Ele estava só de cueca e extremamente excitado. Segurei no pau dele por cima da cueca e senti a maior vontade do mundo de colocar tudo pra fora, entretanto fiquei com medo. Eu não sabia se ele ia acordar ou não, mas a vontade estava falando mais alto...
- Rodrigo? – chamei de novo pra ver se ele acordava, mas nada aconteceu.
Pelo jeito o menino estava com o sono pesado e embora eu estivesse com muita vontade de segurar no negócio dele de novo, achei melhor respeitá-lo e tirei a minha mão de onde estava o mais rápido que pude.
Voltei pra minha cama com o pau endurecido. Eu queria ficar com o Rodrigo e a cretina da Marcela veio só pra atrapalhar tudo. Se bem que eu e ele nunca teríamos oportunidade para ficarmos de verdade. Eu tinha certeza que ele sempre ia dar pra trás na hora H.
Continuei a pensar que era melhor manter a amizade do Rodrigo ao invés de entrar na incerteza de um relacionamento. Se ele estava bem com a Marcela, quem seria eu para impedir o namoro?
Comigo ele não ia ficar... Comigo ele não ia namorar de verdade... Era melhor eu esquecer aquele assunto e não dar em cima de um cara que era hetero. Fechei meus olhos e rapidamente eu voltei a dormir.

Tirei a calça, me arrumei na cama e olhei a hora no celular. Já passava das 2 da manhã. Será que o Rodrigo já havia chegado?
Eu levantei e sem acender a luz passei a mão pela cama do meu amigo. Ele estava lá. Será que estava dormindo?
- Rodrigo? – cochichei.
Silêncio. Sim ele estava dormindo. Continuei passando a mão pelo corpo do meu amigo até chegar aonde eu queria.
Ele estava só de cueca e extremamente excitado. Segurei no pau dele por cima da cueca e senti a maior vontade do mundo de colocar tudo pra fora, entretanto fiquei com medo. Eu não sabia se ele ia acordar ou não, mas a vontade estava falando mais alto...
- Rodrigo? – chamei de novo pra ver se ele acordava, mas nada aconteceu.
Pelo jeito o menino estava com o sono pesado e embora eu estivesse com muita vontade de segurar no negócio dele de novo, achei melhor respeitá-lo e tirei a minha mão de onde estava o mais rápido que pude.
Voltei pra minha cama com o pau endurecido. Eu queria ficar com o Rodrigo e a cretina da Marcela veio só pra atrapalhar tudo. Se bem que eu e ele nunca teríamos oportunidade para ficarmos de verdade. Eu tinha certeza que ele sempre ia dar pra trás na hora H.
Continuei a pensar que era melhor manter a amizade do Rodrigo ao invés de entrar na incerteza de um relacionamento. Se ele estava bem com a Marcela, quem seria eu para impedir o namoro?
Comigo ele não ia ficar... Comigo ele não ia namorar de verdade... Era melhor eu esquecer aquele assunto e não dar em cima de um cara que era hetero. Fechei meus olhos e rapidamente eu voltei a dormir.
Foi automático: eu abri os meus olhos às 6 horas em ponto e só então lembrei que não tinha que ir pra faculdade.
- Droga – reclamei comigo mesmo.
- Caio? – a voz do Digão estava grogue de sono.
- Oi, Digow? Bom dia!
- Bom dia! Você também acordou sozinho?
- Pois é. Esqueci que hoje não tem aula...
- Eu também. Que porra, viu?
- É! Vou ao banheiro e depois vou tentar dormir de novo.
- Somos dois.
Parecia a fila do INSS no banheiro. O Maicon, o Éverton e o Kléber estavam encostados na parede, todos com cara de sono.
- Bom dia – eu falei, mas ninguém me respondeu.
Bando de mal-educados. Pelo jeito todos estavam de mau-humor naquela manhã de sexta-feira.
Um a um nós fomos entrando no banheiro e quando chegou a minha vez eu fiquei surpreendido com a tamanha sujeira que estava no local. O azulejo estava ensopado, a pia molhada, o tapete jogado num canto e tinha um monte de roupa jogada pra tudo que era lado.
- Passou um furacão aqui? – perguntei pra mim mesmo.
Como eu sempre fui meio chato pra organização, bastou olhar aquele banheiro nojento para eu ficar virado no giraia. Custava os caras fazerem a parte deles e deixarem as coisas arrumadinhas? A resposta é NÃO!
Assim que fiz xixi eu voltei pra cama e tentei dormir e por sorte eu consegui. Só voltei a acordar quando já tinha passado das 10 da madrugada e eu ainda estava sentindo sono.
Olhei pro lado e o Vinícius não estava mais na cama. Provavelmente já tinha ido pra faculdade. Será que o Rodrigo ainda estava dormindo ou já teria levantado?
- Digão? – chamei.
- Hum?
- Acordou faz tempo? – bocejei.
- Uma meia hora. E você?
- Acabei de acordar. Você vai pra academia?
- Sim senhor e o senhor?
- Eu vou também. Só estou criando coragem pra sair da cama.
- Somos dois.
Eu me espreguicei, fechei os olhos, abracei o travesseiro e senti vontade de dormir, mas não deixei o sono me vencer. Eu precisava ir pra academia.
Me coloquei de pé, arrumei a minha cama e mesmo sem coragem eu fui pra debaixo do chuveiro. Assim que entrei no banheiro percebi que o mesmo ainda estava sujo e bagunçado. Isso foi me deixando irritado!
- Que zona é essa aqui? – Digão entrou no banheiro bem atrás de mim.
- Pois é. Eu também queria entender.
- E essas cuecas? De quem são?
- Minhas é que não são e eu não ponho a mão nisso nem que me paguem.
- Muito menos eu. Vou falar com o Vini pra ele por ordem no barraco.
Como o Vinícius era um dos mais velhos da casa, ele meio que era responsável por cobrar a ordem das coisas e era ele também que ficava responsável pelo pagamento de todas as despesas da nossa república. O médico era uma espécie de chefe no nosso lar.
- Vai demorar aí, Cacs?
- Nâo muito, Digow. Eu já vou sair.
Nem adiantava tomar um banho muito demorado porque eu ia suar feito um camelo no desertom na academia e lá ia ter que tomar outro banho mesmo, então eu logo fechei a ducha, me sequei e fui pro quarto. Bastou entrar lá pro Rodrigo sair na direção do chuveiro.

- Droga – reclamei comigo mesmo.
- Caio? – a voz do Digão estava grogue de sono.
- Oi, Digow? Bom dia!
- Bom dia! Você também acordou sozinho?
- Pois é. Esqueci que hoje não tem aula...
- Eu também. Que porra, viu?
- É! Vou ao banheiro e depois vou tentar dormir de novo.
- Somos dois.
Parecia a fila do INSS no banheiro. O Maicon, o Éverton e o Kléber estavam encostados na parede, todos com cara de sono.
- Bom dia – eu falei, mas ninguém me respondeu.
Bando de mal-educados. Pelo jeito todos estavam de mau-humor naquela manhã de sexta-feira.
Um a um nós fomos entrando no banheiro e quando chegou a minha vez eu fiquei surpreendido com a tamanha sujeira que estava no local. O azulejo estava ensopado, a pia molhada, o tapete jogado num canto e tinha um monte de roupa jogada pra tudo que era lado.
- Passou um furacão aqui? – perguntei pra mim mesmo.
Como eu sempre fui meio chato pra organização, bastou olhar aquele banheiro nojento para eu ficar virado no giraia. Custava os caras fazerem a parte deles e deixarem as coisas arrumadinhas? A resposta é NÃO!
Assim que fiz xixi eu voltei pra cama e tentei dormir e por sorte eu consegui. Só voltei a acordar quando já tinha passado das 10 da madrugada e eu ainda estava sentindo sono.
Olhei pro lado e o Vinícius não estava mais na cama. Provavelmente já tinha ido pra faculdade. Será que o Rodrigo ainda estava dormindo ou já teria levantado?
- Digão? – chamei.
- Hum?
- Acordou faz tempo? – bocejei.
- Uma meia hora. E você?
- Acabei de acordar. Você vai pra academia?
- Sim senhor e o senhor?
- Eu vou também. Só estou criando coragem pra sair da cama.
- Somos dois.
Eu me espreguicei, fechei os olhos, abracei o travesseiro e senti vontade de dormir, mas não deixei o sono me vencer. Eu precisava ir pra academia.
Me coloquei de pé, arrumei a minha cama e mesmo sem coragem eu fui pra debaixo do chuveiro. Assim que entrei no banheiro percebi que o mesmo ainda estava sujo e bagunçado. Isso foi me deixando irritado!
- Que zona é essa aqui? – Digão entrou no banheiro bem atrás de mim.
- Pois é. Eu também queria entender.
- E essas cuecas? De quem são?
- Minhas é que não são e eu não ponho a mão nisso nem que me paguem.
- Muito menos eu. Vou falar com o Vini pra ele por ordem no barraco.
Como o Vinícius era um dos mais velhos da casa, ele meio que era responsável por cobrar a ordem das coisas e era ele também que ficava responsável pelo pagamento de todas as despesas da nossa república. O médico era uma espécie de chefe no nosso lar.
- Vai demorar aí, Cacs?
- Nâo muito, Digow. Eu já vou sair.
Nem adiantava tomar um banho muito demorado porque eu ia suar feito um camelo no desertom na academia e lá ia ter que tomar outro banho mesmo, então eu logo fechei a ducha, me sequei e fui pro quarto. Bastou entrar lá pro Rodrigo sair na direção do chuveiro.
- Gostei de ver – Felipe me elogiou. – Vai ficar mais tempo treinando. É assim que se faz.
- Só vou fazer isso porque eu estou de férias na faculdade, senão nada feito.
- Vai pra esteira. Meia hora!
- Meia hora? Não sei se tenho tudo isso de tempo não.
- Vai pra lá e se não puder ficar os 30 minutos me avisa que eu compenso na próxima aula.
- Beleza.
Escolhi uma esteira no fundo da academia. Subi, liguei e aumentei a velocidade até começar a correr. Como eu já fazia exercícios físicos há um tempinho, já estava meio que acostumado com a intensidade do treino e não senti nenhuma dificuldade na corrida. O mesmo não acontecia com um cara que estava no meu lado direito.
Eu olhei pra ele de rabo de olho e senti o sofrimento do coitado. Ele era meio baixo, calvo e tinha uma barriga bem avantajada. Se o homem fosse mulher eu poderia jurar que naquela barriga cabia gêmeos e deveria até ser uma gestação de 9 meses. O senhorzinho nem conseguia correr direito e já no 2º ou 3º passo ele ficou com a língua pra fora.
Tive que me concentrar pra não rir, então olhei pra frente, ergui a minha coluna e me concentrei na minha corrida. Não demorou muito pro suor começar a pingar.
- Na esteira hoje? Que milagre é esse? – Rodrigo subiu na esteira que ficava ao meu lado esquerdo.
- Coisas do Felipe, Vai entender.
- Vai fazer quanto tempo?
- Meia hora e você?
- Eu também. Começou faz tempo?
- 2 minutos e meio.
- Vai conseguir completar a meia hora?
- Acho que não, mas vou tentar.
Rodrigo e eu ficamos correndo e ao mesmo tempo trocando ideia. Quando ele começou a falar da namorada eu aumentei a velocidade para diminuir a minha raiva.
- E ela é tão linda não é?
- Não. Não é.
- Bobo – ele soltou o ar e deu risada. O meu amigo também estava suando muito. – Eu acho ela linda.
- Porque você é burro.
- Me respeita, meu!
- Onde aquela baranga é linda?
- Melhor mudar de assunto antes que eu te soque a cara.
- Melhor mesmo antes que eu tenha um ataque de tanto ciúmes.
- Bobo – ele riu de novo.
Ainda bem que ele levava as minhas brincadeiras na esportiva. E ainda bem também que ele voltou ao normal com a nossa amizade. Não sei o que seria de mim se ele não tivesse voltado ao normal.
- Que horas são?
- Vai dar meio dia – respondeu Rodrigo.
- Ah, vai dar tempo de terminar a meia hora, mas só vou fazer isso hoje. Amanhã vou vir mais cedo.
Completei os 30 minutos de corrida e em nenhum momento eu diminui a velocidade, o que deixou o Felipe bem contente:
- Parabéns. É assim que se faz! Estou gostando de ver, você progrediu muito ultimamente.
- Que bom. Fico feliz. Estou dispensado, né?
- Está sim. Vai pro banho que você tá é pingando suor, garoto.
- O que você esperava? Quase me matei nessa esteira, no mínimo eu tenho que ficar suado, né?
- Vai lá então. Amanhã vê se vem mais cedo que hoje pra completar com musculação.
- Venho sim, pode deixar! Até amanhã, Felipe.
- Estou liberado também, LIpe? – perguntou Rodrigo.
- Você? Liberado? Só depois que compensar todos os dias que faltou. Só vai sair daqui às 16 horas hoje, meu querido. Bora pra musculação agora...
- Benfeito – eu dei risada e caçoei do meu melhor amigo.
Rodrigo bufou e seguiu o nosso personal trainer. O coitado estava é ferrado na mão daquele carrasco em forma de professor.
- Só vou fazer isso porque eu estou de férias na faculdade, senão nada feito.
- Vai pra esteira. Meia hora!
- Meia hora? Não sei se tenho tudo isso de tempo não.
- Vai pra lá e se não puder ficar os 30 minutos me avisa que eu compenso na próxima aula.
- Beleza.
Escolhi uma esteira no fundo da academia. Subi, liguei e aumentei a velocidade até começar a correr. Como eu já fazia exercícios físicos há um tempinho, já estava meio que acostumado com a intensidade do treino e não senti nenhuma dificuldade na corrida. O mesmo não acontecia com um cara que estava no meu lado direito.
Eu olhei pra ele de rabo de olho e senti o sofrimento do coitado. Ele era meio baixo, calvo e tinha uma barriga bem avantajada. Se o homem fosse mulher eu poderia jurar que naquela barriga cabia gêmeos e deveria até ser uma gestação de 9 meses. O senhorzinho nem conseguia correr direito e já no 2º ou 3º passo ele ficou com a língua pra fora.
Tive que me concentrar pra não rir, então olhei pra frente, ergui a minha coluna e me concentrei na minha corrida. Não demorou muito pro suor começar a pingar.
- Na esteira hoje? Que milagre é esse? – Rodrigo subiu na esteira que ficava ao meu lado esquerdo.
- Coisas do Felipe, Vai entender.
- Vai fazer quanto tempo?
- Meia hora e você?
- Eu também. Começou faz tempo?
- 2 minutos e meio.
- Vai conseguir completar a meia hora?
- Acho que não, mas vou tentar.
Rodrigo e eu ficamos correndo e ao mesmo tempo trocando ideia. Quando ele começou a falar da namorada eu aumentei a velocidade para diminuir a minha raiva.
- E ela é tão linda não é?
- Não. Não é.
- Bobo – ele soltou o ar e deu risada. O meu amigo também estava suando muito. – Eu acho ela linda.
- Porque você é burro.
- Me respeita, meu!
- Onde aquela baranga é linda?
- Melhor mudar de assunto antes que eu te soque a cara.
- Melhor mesmo antes que eu tenha um ataque de tanto ciúmes.
- Bobo – ele riu de novo.
Ainda bem que ele levava as minhas brincadeiras na esportiva. E ainda bem também que ele voltou ao normal com a nossa amizade. Não sei o que seria de mim se ele não tivesse voltado ao normal.
- Que horas são?
- Vai dar meio dia – respondeu Rodrigo.
- Ah, vai dar tempo de terminar a meia hora, mas só vou fazer isso hoje. Amanhã vou vir mais cedo.
Completei os 30 minutos de corrida e em nenhum momento eu diminui a velocidade, o que deixou o Felipe bem contente:
- Parabéns. É assim que se faz! Estou gostando de ver, você progrediu muito ultimamente.
- Que bom. Fico feliz. Estou dispensado, né?
- Está sim. Vai pro banho que você tá é pingando suor, garoto.
- O que você esperava? Quase me matei nessa esteira, no mínimo eu tenho que ficar suado, né?
- Vai lá então. Amanhã vê se vem mais cedo que hoje pra completar com musculação.
- Venho sim, pode deixar! Até amanhã, Felipe.
- Estou liberado também, LIpe? – perguntou Rodrigo.
- Você? Liberado? Só depois que compensar todos os dias que faltou. Só vai sair daqui às 16 horas hoje, meu querido. Bora pra musculação agora...
- Benfeito – eu dei risada e caçoei do meu melhor amigo.
Rodrigo bufou e seguiu o nosso personal trainer. O coitado estava é ferrado na mão daquele carrasco em forma de professor.
NO DOMINGO...
Naquele domingo em especial, o Jonas permitiu que eu entrasse às 10 horas da manhã no trabalho, o que me deixou bem aliviado. Pelo menos eu ia poder curtir um pouco a noite na praia e isso ia me fazer relaxar bastante.
Antes de sair, eu fui no quarto vizinho para me despedir do Kléber. Pelo jeito ele estava bem ansioso para a viagem à São Paulo:
- Boa viagem, aproveita bastante o treinamento e aprende tudo o que tiver que aprender, viu?
- Obrigado, moço. Sempre serei grato por você ter me indicado essa loja. Ela parece ser muito boa mesmo.
- Eu gosto e não tenho do que reclamar. Parabéns por ter passado, aproveita o treinamento, hein? E a viagem também porque é tudo pago e o hotel é 4 estrelas!
- Tudo o que eu mais preciso agora. De férias em um hotel 4 estrelas.
- Querem parar com esse papo? – Miguel se meteu. – Já estou ficando com inveja!
- Sinto muito, maninho. Isso é pra quem pode, não pra quem quer. Desculpa aí.
- Ah... E manda um beijo pra Nilva se ela for a sua instrutora, beleza?
- Nilva? Que nome feio!
- Não é só o nome, acredite. Enfim, aproveita lá e qualquer coisa me liga. Boa viagem!
- Valeu Caio. A gente se vê na volta.
Antes de sair, eu fui no quarto vizinho para me despedir do Kléber. Pelo jeito ele estava bem ansioso para a viagem à São Paulo:
- Boa viagem, aproveita bastante o treinamento e aprende tudo o que tiver que aprender, viu?
- Obrigado, moço. Sempre serei grato por você ter me indicado essa loja. Ela parece ser muito boa mesmo.
- Eu gosto e não tenho do que reclamar. Parabéns por ter passado, aproveita o treinamento, hein? E a viagem também porque é tudo pago e o hotel é 4 estrelas!
- Tudo o que eu mais preciso agora. De férias em um hotel 4 estrelas.
- Querem parar com esse papo? – Miguel se meteu. – Já estou ficando com inveja!
- Sinto muito, maninho. Isso é pra quem pode, não pra quem quer. Desculpa aí.
- Ah... E manda um beijo pra Nilva se ela for a sua instrutora, beleza?
- Nilva? Que nome feio!
- Não é só o nome, acredite. Enfim, aproveita lá e qualquer coisa me liga. Boa viagem!
- Valeu Caio. A gente se vê na volta.
Recebi um telefonema do Murilo no meio do meu expediente. Ele queria me ver e eu acabei aceitando o convite para voltar na casa dele.
Obviamente que eu não aceitei de primeira, mas ele me encheu tanto o saco que eu fui obrigado a topar. Então, depois que saí da loja eu peguei um ônibus pra Ipanema e quando cheguei ao bairro do Murilo, fiquei totalmente apreensivo e com medo de encontrar o Vítor ou o Bruno.
Era como se algo estivesse me dizendo que isso ia acontecer. Se eu fosse continuar me encontrando com o Murilo e se fosse rolar algo a mais entre nós dois, a gente teria que dar um jeito para se encontrar fora daquele bairro. Eu não queria encontrar o Bruno de jeito nenhum.
Por sorte não achei nenhum conhecido na rua do Murilo. Isso me deixou aliviado. Na hora de passar na frente da casa da avó dos meninos eu até andei mais rápido pra evitar que alguém me visse.
Eu toquei a campainha da casa do novinho e rapidamente a mãe dele saiu para me atender:
- Pois não?
- Boa noite, o Murilo está?
- Não, não! Ele foi na casa da avó dele. Pode ir lá chamá-lo. É aquelea casa ali do outro lado da rua.
- Ah... Muito obrigado...
- Por nada!
Quer dizer que o cara me chamava pra ir na casa dele e depois ficava na avó? Isso não me agradou em nada e me deixou bem irritado. Cheguei a pensar em ir embora, mas como tinha marcado com ele e não gostava de deixar as pessoas esperando, eu fui até a casa da Dona Terezinha, apertei a campainha e fiquei esperando o Murilo aparecer, mas não foi isso que aconteceu.
- Caio? – Bruno ficou espantado. – O que você está fazendo aqui?
Tudo o que eu não queria que acontecesse aconteceu. Ele ficou me olhando e eu não sabia o que responder. Se soubesse que ele estaria ali, nunca que eu teria batido na casa da avó dele.
- Não vai me responder? O que você está fazendo aqui na casa da Dona Terezinha?
Pelo jeito ele não a chamava mais de vó, mas ainda a considerava como tal porque não saía de lá. Era a segunda vez que eu o encontrava ali.
- Não vai me responder? – Bruno ficou com os lábios entreabertos. – Não me diga que você veio conversar comigo?
- É claro que não – respondi na lata.
- E então o que é?
- Eu quero... Falar com o Murilo...
- Com o Murilo? – Bruno ficou sem entender nada. – E desde quando você conhece o Murilo?
Obviamente que eu não aceitei de primeira, mas ele me encheu tanto o saco que eu fui obrigado a topar. Então, depois que saí da loja eu peguei um ônibus pra Ipanema e quando cheguei ao bairro do Murilo, fiquei totalmente apreensivo e com medo de encontrar o Vítor ou o Bruno.
Era como se algo estivesse me dizendo que isso ia acontecer. Se eu fosse continuar me encontrando com o Murilo e se fosse rolar algo a mais entre nós dois, a gente teria que dar um jeito para se encontrar fora daquele bairro. Eu não queria encontrar o Bruno de jeito nenhum.
Por sorte não achei nenhum conhecido na rua do Murilo. Isso me deixou aliviado. Na hora de passar na frente da casa da avó dos meninos eu até andei mais rápido pra evitar que alguém me visse.
Eu toquei a campainha da casa do novinho e rapidamente a mãe dele saiu para me atender:
- Pois não?
- Boa noite, o Murilo está?
- Não, não! Ele foi na casa da avó dele. Pode ir lá chamá-lo. É aquelea casa ali do outro lado da rua.
- Ah... Muito obrigado...
- Por nada!
Quer dizer que o cara me chamava pra ir na casa dele e depois ficava na avó? Isso não me agradou em nada e me deixou bem irritado. Cheguei a pensar em ir embora, mas como tinha marcado com ele e não gostava de deixar as pessoas esperando, eu fui até a casa da Dona Terezinha, apertei a campainha e fiquei esperando o Murilo aparecer, mas não foi isso que aconteceu.
- Caio? – Bruno ficou espantado. – O que você está fazendo aqui?
Tudo o que eu não queria que acontecesse aconteceu. Ele ficou me olhando e eu não sabia o que responder. Se soubesse que ele estaria ali, nunca que eu teria batido na casa da avó dele.
- Não vai me responder? O que você está fazendo aqui na casa da Dona Terezinha?
Pelo jeito ele não a chamava mais de vó, mas ainda a considerava como tal porque não saía de lá. Era a segunda vez que eu o encontrava ali.
- Não vai me responder? – Bruno ficou com os lábios entreabertos. – Não me diga que você veio conversar comigo?
- É claro que não – respondi na lata.
- E então o que é?
- Eu quero... Falar com o Murilo...
- Com o Murilo? – Bruno ficou sem entender nada. – E desde quando você conhece o Murilo?
Eu continuava crente que não devia satisfação da minha vida pra ele, por isso não respondi a essa pergunta.
- Você está querendo saber demais – suspirei. – Pode chamar o Murilo ou tá difícil?
- Eu não chamo enquanto você não me falar de onde você conhece esse moleque!
- Você quer saber demais sobre a minha vida e isso eu não vou admitir. MURILO?
- Quero saber sim. Você vem aqui, toca a campainha e fala que quer falar com ele? Eu tenho direito de saber de onde você o conhece, Caio!
- Você tem o direito é de ficar calado e de não se intrometer na minha vida! MURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILO???
- Eu quero saber e ponto final – Bruno cruzou os braços. – Até pouco tempo eu considerava esse menino meu primo! Eu tenho direito de saber!
- Cala a boca, infeliz. MURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILO?
- Caio – o garoto apareceu na garagem. – Finalmente você apareceu.
- Posso saber de onde você conhece o Caio, Murilo? – Bruno se voltou contra o menino.
- Não fala – eu sibilei.
- Hã? – o novinho ficou sem entender nada. – Boiei.
- Vamos embora daqui – eu esbravejei. – Por que não disse que ia ficar aqui? Se soubesse não teria nem aparecido!
- Ah... É que a minha...
- De... Onde... Você... Conhece... O... Caio? – Bruno segurou no braço do adolescente e o prensou contra a parede.
- Me solta, Bruno – Murilo ficou assustado. – Você está louco?
- De onde você conhece o Caio, Murilo? De onde? – o meu ex parecia transtornado.
- Da praia... A gente se conheceu na praia... Me solta, meu...
- Solta ele, Bruno! – eu exclamei.
- E o que vocês têm a ver um com o outro? – ele estava curioso demais.
- Aí você já tá querendo saber demais – Murilo empurrou o ex-primo e abriu o portão. – Vamos sair?
- Você é um idiota, Murilo! – briguei com ele. – Se disse que ia estar em casa, era lá que você deveria estar!
- Desculpa, Caio... A minh avó queria que eu colocasse a cortina pra ela. Eu tive que vir aqui... Me perdoa!
- E por que não me avisou? Fui na sua casa e sua mãe pediu pra eu vir até aqui... Se soubesse que ia encontrar esse... Idiota, eu nem teria tocado a campainha!
- Por que não me ligou?
Abri a boca, mas não soube o que responder. Isso nem passou pela minha cabeça!
- Hã... – fiquei vermelho.
- Se tivesse me ligado eu teria saído e você não teria encontrado com ele. Simples assim. O erro não foi totalmente meu.
- Droga – bufei. – Que merda, viu? Estraguei a minha noite por causa dele.
- O que você tem contra o Bruno afinal de contas?
- Tudo. Tudo e mais um pouco. Eu não gosto dele. Aliás, eu o odeio.
- Ódio é um sentimento muito ruim, Caio. Pô, por que não me conta o que aconteceu?
- Não quero falar sobre esse assunto. Ele me machuca muito.
- Machuca? Vocês tiveram alguma coisa, é?
- Pode-se dizer que sim, mas eu já disse que não quero falar nada sobre isso.
Murilo e eu atravessamos a rua e em seguida começamos a caminhar pelo calçadão de Ipanema. Eu queria descer na areia, mas como estava de tênis isso não foi possível. É claro que eu poderia muito bem ficar descalço, mas lembrei da última vez que o fizera e recordei que a experiência não foi muito bacana. Era muito ruim ficar com areia dentro do tênis.
- Vamos tomar uma água de côco no quiosque?
- Pode ser. Eu preciso desestressar depois dessa.
Sentamos e ele foi pedir as águas. Não tardou para o menino voltar com dois côcos verdes. A água estava bem geladinha.
- Quanto foi? – perguntei.
- É cortesia da casa.
- Hã?
- Eu paguei. Estou te dando de presente.
- Ah, valeu aí.
Bebi toda a água quase que de uma vez só. Isso fez com que eu me acalmasse um pouquinho, mas ainda estava pensando no Bruno.
- Que cara feia é essa? Tudo isso por causa do meu primo?
- Uhum.
- Pelo jeito ele te causa muito estresse, hein?
- Muito. Você não tem noção.
O novinho e eu ficamos conversando e pro meu total desagrado, o idiota apareceu na nossa frente:
- O que está acontecendo aqui? – ele cruzou os braços.
- Puta que pariu – eu coloquei as duas mãos no rosto e bufei. – O que você está fazendo aqui, idiota?
- Eu é que faço essa pergunta, Caio! O que está acontecendo aqui?
- Por acaso isso é da sua conta? Não, não é! Deixa a gente em paz e volta pra sua vidinha medíocre. Eu não quero falar com você!
- Pois eu não saio daqui enquanto não souber o que está acontecendo – ele puxou uma cadeira e sentou ao nosso lado.
- Murilo, vamos embora? – eu levantei e coloquei a cadeira debaixo da mesa com toda a força que tive. – O ar ficou muito contaminado.
- Se você acha melhor – Murilo também levantou e colocou a cadeira debaixo da mesa.
- Espera, Caio – Bruno correu atrás de mim e segurou no meu braço. – Me fala o que você tem com ele...
- Isso... Não... É... Da... Sua... Conta!!!
- Por acaso é com ele que você está namorando? – meu ex não tirou a mão do meu braço.
- E se for, Bruno? E se for com ele que eu estou namorando? O que você tem a ver com isso, hein?
- É ou não é?
- É sim – Murilo se meteu. – A gente está namorando sim. Algum problema?
Nunca pensei que fosse ver o Bruno tão branco como vi naquele momento. Ele parecia até um fantasma de tão pálido que ficou.
- Isso é verdade, Caio? – Bruno me olhou.
- E se for? O que você tem com isso mesmo? Nada, né?
- Eu não acredito – Bruno estava sério. – Você não é gay, Murilo.
- Realmente. Eu sou bi e o Caio tem razão. Você não tem nada a ver com isso. Deixa a gente em paz.
- Isso não pode ser verdade – o garoto de olhos azuis balançou a cabeça negativamente. – Isso não pode ser verdade...
- Vamos embora, Murilo – eu puxei o menino pela mão direita. – A gente não tem nada a fazer aqui.
- Vamos sim, Caio.

Por sorte ele não foi atrás da gente. Murilo e eu caminhamos a passos largos para evitar do Bruno ir atrás da gente, mas acho que ele desistiu depois do que ouviu da boca do Murilo.
O menino tinha mentido. Nós não éramos namorados. Por que ele tinha feito aquilo?
Não perguntei de imediato porque ainda estava digerindo a aparição do Bruno e estava também me questionando como eu pude ser tão burro ao ponto de não ter ligado pro cara ao invés de ter aparecido na casa da avó dele.
Nesse ponto eu errei e errei feio, mas o Murilo também tinha errado em não ter me comunicado que ia pra casa da Dona Terezinha.
Quando eu ia imaginar que o Bruno ia estar lá? Pelo que me parecia, ele não fazia mais parte daquela família; ele estava afastado de tudo e de todos até mesmo porque estava morando sozinho ao que me constava, então por que diabos eu ia pensar que ele estaria lá?
Em contra partida, eu deveria ter pensado que de uma forma ou de outra ele ainda era ligado aos familiares. Mesmo não estando mais sob o mesmo teto, ele ainda tinha o direito de visitá-los e tudo mais, ou será que não?
- Você está bem? – Murilo perguntou quando eu me sentei em um banco de cimento, já no calçadão de Copacabana.
- Uhum – murmurei.
O mar estava bem agitado. Fiquei com uma vontade enorme de cair naquela água enegrecida devido a noite que já caíra.
- Tem certeza que você está bem?
- Acho que sim...
O mar me acalmava. Eu sempre tive essa certeza, por isso eu fiquei olhando pras ondas no intuito de diminuir a minha adrenalina e o meu estresse e aos poucos isso foi mesmo acontecendo.
- Quer ir na minha casa? – Murilo também estava olhando pro oceano.
- Melhor não. Eu não quero encontrar com o Bruno novamente.
- Eu estive pensando...
- Em quê? – me virei pra ele.
- No passado. E eu cheguei a conclusão que você era o namorado que o Bruno tinha na época que saiu do Brasil.
Pausa. Pelo jeito a família dele sabia muito sobre mim. O que será que ele falava ao meu respeito?
- Eu estou certo? – Murilo continuava olhando pro mar.
- Está – eu me virei e voltei a fitar o oceano.
- Eu me lembro bem que a família ficou sabendo de um novo namorado. E pelo jeito ele gostava muito de você.
- Por que diz isso? – fiquei encucado.
- Porque eu nunca tinha visto o Bruno tão feliz com um relacionamento.
- Como assim? Ele falava alguma coisa ao meu respeito?
- Não exatamente. Ele só me dizia que estava muito feliz e que o namorado era um verdadeiro príncipe encantado.
Meu coração ficou do tamanho de um grão de areia ou menor. Será que aquilo era verdade?
- Ve-verdade?
- Verdade sim. O Bruno e eu crescemos juntos, sacou? Nossa família sempre morou perto e isso facilitou muito a nossa aproximação, o nosso convívio.
- E o que tem a ver uma coisa com a outra? – eu não entendi mais nada.
- Tem a ver que tipo, um pouco antes dele ter que sair do Brasil ele me falou que estava completamente apaixonado, muito feliz e que o cara era um verdadeiro príncipe. Essas foram as palavras dele.
- Sério mesmo? – meu coração ficou ainda menor.
- Sim. Eu só não sabia que esse cara era você.
- Ele nunca falou o meu nome?
- Pra mim não. Ele deve ter falado mais com o Vítor porque eles sempre foram mais grudados.
- Hum...
Eu já tinha mais do que certeza que o Vítor sabia de tudo sobre nós dois.
- O Bruno nunca deu sorte com relacionamentos – Murilo continuava olhando pro mar.
- Não? – perguntei.
- Não. Logo cedo ele sofreu muito com uma coisa que aconteceu na nossa família e de lá pra cá ele nunca conseguiu ficar com alguém de verdade.
- O que aconteceu na família de vocês?
- Isso é algo que eu não posso te contar. Eu não tenho direito de tocar nesse assunto.
- Desculpe. Eu não quero me meter nas coisas da sua família.
- Não tem problema. É que não é um assunto meu. Aconteceu com ele e eu acho que só ele tem o direito de te contar ou não, “sacolé”?
Ele quis dizer “sabe qual é?”.
- Entendo. Mas se depender de mim eu nunca saberei. Não quero contato com o Bruno porque ele já me fez sofrer demais.
- É? Ele te fez sofrer?
- Me fez sofrer sim – suspirei. – E eu não gosto nem de lembrar do assunto.
- Eu acho que já me liguei. Deve ser porquê ele saiu do país do nada, né?
- Uhum – confirmei depois de um tempo.
- Só por isso?
- Ele me traiu também... É um assunto muito delicado pra mim.
- Eu sei porque ele saiu do Brasil.
Pausa. Fiquei calado por um tempão, mas a curiosidade acabou me vencendo e eu perguntei o motivo:
- Por quê?
- Eu também não posso falar. Eu acho que isso só ele vai poder te explicar.
Quanto mistério. Eu fiquei calado mais um tempão e pensei muito no assunto. Será que eu deveria enfim conversar com o falecido?
- Por que você disse que a gente estava namorando? - perguntei.
- Porque você queria se livrar dele, ou eu estou enganado? - Murilo me olhou fixamente.
- Não, não está enganado, mas você mentiu. A gente não está namorando.
- Mas isso pode verar verdade, pô.
- Hein? - eu arregalei meus olhos.
- É... Pode virar verdade... Quer namorar comigo?
Essa pergunta veio como uma flecha e acertou direto o meu coração. Ele saltou do lugar e ficou batendo acelerado por um tempão.
Receber um pedido de namoro daqueles me deixou extasiado. Eu não sabia que o Murilo tinha tanta atitude daquele jeito... E eu não soube o que responder.
- Oi? – foi o que saiu da minha boca depois de uns 5 minutos.
- Você quer namorar comigo? – Murilo estava mais vermelho que sangue.
- Na-namorar? Com vo-você?!
- Sim. Ou está tão apaixonado pelo Bruno que não vai aceitar?
Essa foi boa! Apaixonado? Pelo Bruno? Eu? JAMAIS!
Engoli em seco e desviei meus olhos. Olhei pros meus sapatos e fiquei pensando em uma resposta para aquela pergunta.
- E aí, Caio? Vai me deixar no vácuo mesmo? Você quer ou não quer namorar comigo, moleque?
- Você está querendo saber demais – suspirei. – Pode chamar o Murilo ou tá difícil?
- Eu não chamo enquanto você não me falar de onde você conhece esse moleque!
- Você quer saber demais sobre a minha vida e isso eu não vou admitir. MURILO?
- Quero saber sim. Você vem aqui, toca a campainha e fala que quer falar com ele? Eu tenho direito de saber de onde você o conhece, Caio!
- Você tem o direito é de ficar calado e de não se intrometer na minha vida! MURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILO???
- Eu quero saber e ponto final – Bruno cruzou os braços. – Até pouco tempo eu considerava esse menino meu primo! Eu tenho direito de saber!
- Cala a boca, infeliz. MURIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILO?
- Caio – o garoto apareceu na garagem. – Finalmente você apareceu.
- Posso saber de onde você conhece o Caio, Murilo? – Bruno se voltou contra o menino.
- Não fala – eu sibilei.
- Hã? – o novinho ficou sem entender nada. – Boiei.
- Vamos embora daqui – eu esbravejei. – Por que não disse que ia ficar aqui? Se soubesse não teria nem aparecido!
- Ah... É que a minha...
- De... Onde... Você... Conhece... O... Caio? – Bruno segurou no braço do adolescente e o prensou contra a parede.
- Me solta, Bruno – Murilo ficou assustado. – Você está louco?
- De onde você conhece o Caio, Murilo? De onde? – o meu ex parecia transtornado.
- Da praia... A gente se conheceu na praia... Me solta, meu...
- Solta ele, Bruno! – eu exclamei.
- E o que vocês têm a ver um com o outro? – ele estava curioso demais.
- Aí você já tá querendo saber demais – Murilo empurrou o ex-primo e abriu o portão. – Vamos sair?
- Você é um idiota, Murilo! – briguei com ele. – Se disse que ia estar em casa, era lá que você deveria estar!
- Desculpa, Caio... A minh avó queria que eu colocasse a cortina pra ela. Eu tive que vir aqui... Me perdoa!
- E por que não me avisou? Fui na sua casa e sua mãe pediu pra eu vir até aqui... Se soubesse que ia encontrar esse... Idiota, eu nem teria tocado a campainha!
- Por que não me ligou?
Abri a boca, mas não soube o que responder. Isso nem passou pela minha cabeça!
- Hã... – fiquei vermelho.
- Se tivesse me ligado eu teria saído e você não teria encontrado com ele. Simples assim. O erro não foi totalmente meu.
- Droga – bufei. – Que merda, viu? Estraguei a minha noite por causa dele.
- O que você tem contra o Bruno afinal de contas?
- Tudo. Tudo e mais um pouco. Eu não gosto dele. Aliás, eu o odeio.
- Ódio é um sentimento muito ruim, Caio. Pô, por que não me conta o que aconteceu?
- Não quero falar sobre esse assunto. Ele me machuca muito.
- Machuca? Vocês tiveram alguma coisa, é?
- Pode-se dizer que sim, mas eu já disse que não quero falar nada sobre isso.
Murilo e eu atravessamos a rua e em seguida começamos a caminhar pelo calçadão de Ipanema. Eu queria descer na areia, mas como estava de tênis isso não foi possível. É claro que eu poderia muito bem ficar descalço, mas lembrei da última vez que o fizera e recordei que a experiência não foi muito bacana. Era muito ruim ficar com areia dentro do tênis.
- Vamos tomar uma água de côco no quiosque?
- Pode ser. Eu preciso desestressar depois dessa.
Sentamos e ele foi pedir as águas. Não tardou para o menino voltar com dois côcos verdes. A água estava bem geladinha.
- Quanto foi? – perguntei.
- É cortesia da casa.
- Hã?
- Eu paguei. Estou te dando de presente.
- Ah, valeu aí.
Bebi toda a água quase que de uma vez só. Isso fez com que eu me acalmasse um pouquinho, mas ainda estava pensando no Bruno.
- Que cara feia é essa? Tudo isso por causa do meu primo?
- Uhum.
- Pelo jeito ele te causa muito estresse, hein?
- Muito. Você não tem noção.
O novinho e eu ficamos conversando e pro meu total desagrado, o idiota apareceu na nossa frente:
- O que está acontecendo aqui? – ele cruzou os braços.
- Puta que pariu – eu coloquei as duas mãos no rosto e bufei. – O que você está fazendo aqui, idiota?
- Eu é que faço essa pergunta, Caio! O que está acontecendo aqui?
- Por acaso isso é da sua conta? Não, não é! Deixa a gente em paz e volta pra sua vidinha medíocre. Eu não quero falar com você!
- Pois eu não saio daqui enquanto não souber o que está acontecendo – ele puxou uma cadeira e sentou ao nosso lado.
- Murilo, vamos embora? – eu levantei e coloquei a cadeira debaixo da mesa com toda a força que tive. – O ar ficou muito contaminado.
- Se você acha melhor – Murilo também levantou e colocou a cadeira debaixo da mesa.
- Espera, Caio – Bruno correu atrás de mim e segurou no meu braço. – Me fala o que você tem com ele...
- Isso... Não... É... Da... Sua... Conta!!!
- Por acaso é com ele que você está namorando? – meu ex não tirou a mão do meu braço.
- E se for, Bruno? E se for com ele que eu estou namorando? O que você tem a ver com isso, hein?
- É ou não é?
- É sim – Murilo se meteu. – A gente está namorando sim. Algum problema?
Nunca pensei que fosse ver o Bruno tão branco como vi naquele momento. Ele parecia até um fantasma de tão pálido que ficou.
- Isso é verdade, Caio? – Bruno me olhou.
- E se for? O que você tem com isso mesmo? Nada, né?
- Eu não acredito – Bruno estava sério. – Você não é gay, Murilo.
- Realmente. Eu sou bi e o Caio tem razão. Você não tem nada a ver com isso. Deixa a gente em paz.
- Isso não pode ser verdade – o garoto de olhos azuis balançou a cabeça negativamente. – Isso não pode ser verdade...
- Vamos embora, Murilo – eu puxei o menino pela mão direita. – A gente não tem nada a fazer aqui.
- Vamos sim, Caio.
Por sorte ele não foi atrás da gente. Murilo e eu caminhamos a passos largos para evitar do Bruno ir atrás da gente, mas acho que ele desistiu depois do que ouviu da boca do Murilo.
O menino tinha mentido. Nós não éramos namorados. Por que ele tinha feito aquilo?
Não perguntei de imediato porque ainda estava digerindo a aparição do Bruno e estava também me questionando como eu pude ser tão burro ao ponto de não ter ligado pro cara ao invés de ter aparecido na casa da avó dele.
Nesse ponto eu errei e errei feio, mas o Murilo também tinha errado em não ter me comunicado que ia pra casa da Dona Terezinha.
Quando eu ia imaginar que o Bruno ia estar lá? Pelo que me parecia, ele não fazia mais parte daquela família; ele estava afastado de tudo e de todos até mesmo porque estava morando sozinho ao que me constava, então por que diabos eu ia pensar que ele estaria lá?
Em contra partida, eu deveria ter pensado que de uma forma ou de outra ele ainda era ligado aos familiares. Mesmo não estando mais sob o mesmo teto, ele ainda tinha o direito de visitá-los e tudo mais, ou será que não?
- Você está bem? – Murilo perguntou quando eu me sentei em um banco de cimento, já no calçadão de Copacabana.
- Uhum – murmurei.
O mar estava bem agitado. Fiquei com uma vontade enorme de cair naquela água enegrecida devido a noite que já caíra.
- Tem certeza que você está bem?
- Acho que sim...
O mar me acalmava. Eu sempre tive essa certeza, por isso eu fiquei olhando pras ondas no intuito de diminuir a minha adrenalina e o meu estresse e aos poucos isso foi mesmo acontecendo.
- Quer ir na minha casa? – Murilo também estava olhando pro oceano.
- Melhor não. Eu não quero encontrar com o Bruno novamente.
- Eu estive pensando...
- Em quê? – me virei pra ele.
- No passado. E eu cheguei a conclusão que você era o namorado que o Bruno tinha na época que saiu do Brasil.
Pausa. Pelo jeito a família dele sabia muito sobre mim. O que será que ele falava ao meu respeito?
- Eu estou certo? – Murilo continuava olhando pro mar.
- Está – eu me virei e voltei a fitar o oceano.
- Eu me lembro bem que a família ficou sabendo de um novo namorado. E pelo jeito ele gostava muito de você.
- Por que diz isso? – fiquei encucado.
- Porque eu nunca tinha visto o Bruno tão feliz com um relacionamento.
- Como assim? Ele falava alguma coisa ao meu respeito?
- Não exatamente. Ele só me dizia que estava muito feliz e que o namorado era um verdadeiro príncipe encantado.
Meu coração ficou do tamanho de um grão de areia ou menor. Será que aquilo era verdade?
- Ve-verdade?
- Verdade sim. O Bruno e eu crescemos juntos, sacou? Nossa família sempre morou perto e isso facilitou muito a nossa aproximação, o nosso convívio.
- E o que tem a ver uma coisa com a outra? – eu não entendi mais nada.
- Tem a ver que tipo, um pouco antes dele ter que sair do Brasil ele me falou que estava completamente apaixonado, muito feliz e que o cara era um verdadeiro príncipe. Essas foram as palavras dele.
- Sério mesmo? – meu coração ficou ainda menor.
- Sim. Eu só não sabia que esse cara era você.
- Ele nunca falou o meu nome?
- Pra mim não. Ele deve ter falado mais com o Vítor porque eles sempre foram mais grudados.
- Hum...
Eu já tinha mais do que certeza que o Vítor sabia de tudo sobre nós dois.
- O Bruno nunca deu sorte com relacionamentos – Murilo continuava olhando pro mar.
- Não? – perguntei.
- Não. Logo cedo ele sofreu muito com uma coisa que aconteceu na nossa família e de lá pra cá ele nunca conseguiu ficar com alguém de verdade.
- O que aconteceu na família de vocês?
- Isso é algo que eu não posso te contar. Eu não tenho direito de tocar nesse assunto.
- Desculpe. Eu não quero me meter nas coisas da sua família.
- Não tem problema. É que não é um assunto meu. Aconteceu com ele e eu acho que só ele tem o direito de te contar ou não, “sacolé”?
Ele quis dizer “sabe qual é?”.
- Entendo. Mas se depender de mim eu nunca saberei. Não quero contato com o Bruno porque ele já me fez sofrer demais.
- É? Ele te fez sofrer?
- Me fez sofrer sim – suspirei. – E eu não gosto nem de lembrar do assunto.
- Eu acho que já me liguei. Deve ser porquê ele saiu do país do nada, né?
- Uhum – confirmei depois de um tempo.
- Só por isso?
- Ele me traiu também... É um assunto muito delicado pra mim.
- Eu sei porque ele saiu do Brasil.
Pausa. Fiquei calado por um tempão, mas a curiosidade acabou me vencendo e eu perguntei o motivo:
- Por quê?
- Eu também não posso falar. Eu acho que isso só ele vai poder te explicar.
Quanto mistério. Eu fiquei calado mais um tempão e pensei muito no assunto. Será que eu deveria enfim conversar com o falecido?
- Por que você disse que a gente estava namorando? - perguntei.
- Porque você queria se livrar dele, ou eu estou enganado? - Murilo me olhou fixamente.
- Não, não está enganado, mas você mentiu. A gente não está namorando.
- Mas isso pode verar verdade, pô.
- Hein? - eu arregalei meus olhos.
- É... Pode virar verdade... Quer namorar comigo?
Essa pergunta veio como uma flecha e acertou direto o meu coração. Ele saltou do lugar e ficou batendo acelerado por um tempão.
Receber um pedido de namoro daqueles me deixou extasiado. Eu não sabia que o Murilo tinha tanta atitude daquele jeito... E eu não soube o que responder.
- Oi? – foi o que saiu da minha boca depois de uns 5 minutos.
- Você quer namorar comigo? – Murilo estava mais vermelho que sangue.
- Na-namorar? Com vo-você?!
- Sim. Ou está tão apaixonado pelo Bruno que não vai aceitar?
Essa foi boa! Apaixonado? Pelo Bruno? Eu? JAMAIS!
Engoli em seco e desviei meus olhos. Olhei pros meus sapatos e fiquei pensando em uma resposta para aquela pergunta.
- E aí, Caio? Vai me deixar no vácuo mesmo? Você quer ou não quer namorar comigo, moleque?





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