sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Capitulo 42

- Enfim sós – ele foi ao meu encontro e me deu um beijo.
Foi questão de segundos. Quando percebi, já estava deitado na cama, completamente pelado e com o pau olhando pro teto.
- Delícia – ele segurou meu pênis e começou a chupar.
Eu senti prazer de imediato. Fechei os olhos e curti o momento. Ele sabia fazer aquilo muito bem.
- Chupa – eu falei baixinho.
E ele chupou mesmo. Colocou tudo na boca de uma vez e não parou mais. Ele abriu as minhas pernas e ficou brincando com o meu saco. Eu fiquei enlouquecido rapidamente.
Coloquei a minha mão na cabeça do meu amor, mas ao invés de forçá-la pra baixo, fiquei acariciando aqueles cabelos molhados.
Ele estava sendo tão carinhoso! Completamente diferente do Vinícius...
Nâo era hora de pensar no gostosão, mas não consegui evitar. Será que ele estava bravo comigo?
- Vira de bruços – ele pediu.
- Hã? – não entendi o que ele ia fazer.
- Vira. Confia em mim!
Eu me deitei de bruços e quando senti a língua na pele do meu saco fiquei ainda mais alucinado.
- Abre as pernas – ele mandou.
Foi a melhor sensação da minha vida. Aquela língua molhada andou por todos os lados e me fez ficar mais doido que nunca... Como ele estava sendo safado!
Bitch parou de me chupar e deitou em cima de mim. Foi tudo muito rápido e praticamente indolor. Talvez eu estivesse ficando acostumado com aquela situação...
- Fica de quatro pra mim? – ele pediu com a voz bem sedosa e eu não tive como negar.
- Assim? – perguntei.
- Isso...
Foi muito bom porque foi com carinho. Eu não senti repulsa por estar naquela posição, muito pelo contrário...
Enquanto ele me penetrava, sua voz de adolescente falava palavras doces no meu ouvido:
- Eu te amo – ele sussurrou e mordeu a minha orelha.
- Mete, safado – eu falei.
- Meu amor... O meu bebê...
Ele me tratou tão bem que eu fiquei completamente seguro do que estava fazendo. Quando senti que o pênis do meu namorado ficou mais duro dentro de mim, eu me preparei para o orgasmo, mas ele não aconteceu.
- Deita – ele pediu.
Bruno me pegou de frango assado e aquela posição foi perfeita porque nós pudemos nos beijar e eu pude ficar observando aqueles olhos lindos me olhando.
- Que delícia – eu gemi baixinho.
- Está gostando? – aquele sotaque me enlouqueceu.
- Muito...
- Eu te amo!
- Eu também.
Mais um beijo. E que beijo longo, lento e cheio de amor. Um beijo diferente de todos os que nós já havíamos dado antes. Talvez o mais apaixonado de todos.
Em seguida, ele pediu que eu ficasse de pé no chão e continuou a penetração nessa posição. De todas, foi a que mais me deixou incomodado, mas mesmo assim foi muito prazeroso.
- Meu gostoso – ele disse no meu ouvido.
- Meu amor...
Por fim, eu quis experimentar a tão famosa cavalgada. Nunca tinha feito sexo naquela posição e sempre quis saber como seria.
Ele deitou com o mastro para cima e muito aos poucos, bem devagar, eu fui me sentando.
Foi incrível. Foi como na vez em que eu tinha gozado com o Vinícius. Não precisei tocar no meu pau para chegar ao orgasmo.
- Vou gozar – eu falei, sem ar e completamente suado.
- Goza, amor – ele pediu. – Goza bem gostoso...
Ele também estava sem fôlego e o suor escorria por todos os lados.
Foi sensacional. O sêmen voou para todos os lados e um rio se formou na barriga do meu anjo.
- Também vou... gozar... – ele gemeu.
- Onde você quer?
- Dentro – ele falou. – Não para... Não para...
Eu dei uma rebolada um pouco mais forte e senti o pau dele ficar ainda mais duro. O gemido do Bruno era diferente do gemido do Vini porque a voz dele era um pouco mais suave e ele era mais controlado, mas mesmo assim eu fiquei louco de tanto tesão.
- Te... amo... muito... – ele ficou sem forças.
- Eu também te amo muito!
Depois do nosso beijo, eu saí de cima do corpo dele e caí exausto ao seu lado. Ele subiu em cima de mim e nossos corpos ficarm unidos pelo suor.
- Você é o melhor de todos que eu já tive – ele me beijou.
- Lindo...
E foi assim durante toda a madrugada. Perdi a conta de quantas vezes nós transamos aquela noite. Parecíamos dois cachorros no cio de tanto tesão que tínhamos. Só podia ser os hormônios da adolescência.
Ainda bem que a Dona Elvira foi conivente com o meu pedido de folga, porque eu só consegui acordar depois das 3 da tarde.
- Bom dia... – ele me deu um beijo no rosto.
Era a primeira vez que eu acordava ao lado do meu namorado e aquilo me deixou muito feliz.
- Bom dia – eu bocejei. – Que horas são?
- 15h10.
- Já? – me surpreendi.
- Já... Nós fomos dormir muito tarde...
- Você abusou de mim – eu fiz um bico.
- Você que me estrupou a noite toda...
- Você pediu!
Um beijo e ambos ficamos a ponto de bala. Parecia até brincadeira.
- Acho que mais alguém acordou – ele segurou no meu pau.
- Também acho – eu segurei no dele.
Foi o suficiente para mais uma rodada de sexo. Meu membro estava tão dolorido que eu estava ficando até preocupado.
Quando levantei, fiquei chocado com a quantidade de camisinhas que havia pelo chão do quarto.
- Nossa Senhora... – minha bochecha esquentou.
- Vamos precisar de uma fábrica desse jeito – ele deu uma risadinha sem graça.
Eu tinha comprado dois pacotes e ele tinha mais dois. Será que já havia acabado tudo?
- Ainda tem? – eu quis saber.
- Algumas – ele me respondeu.
- Que vergonha... Parecemos dois ninfomaníacos!
- Não tô nem aí.
Bruno e eu tomamos banho juntos pela segunda vez e em seguida descemos para a cozinha. A avó dele novamente não estava e nós tínhamos a casa só para nós.
- Quer almoçar?
- Estou com fome – confessei. – Muita fome.
- Eu te sirvo.
- O que tem de bom aí?
- Lasanha.
- Mentira?
- Verdade – ele sorriu. – Uma lasanha enorme só pra gente.
- Como assim só pra gente?
- Minha vó não gosta.
- Onde ela está, falando nisso?
- Na casa dos meus tios provavelmente.
- Sua família toda mora aqui em Ipanema?
- Não. Só meus pais e minha avó. Os irmãos dela moram lá em Madureira.
- Ah, tá. Deixa eu te perguntar uma coisa... Essa é a esposa do seu avô? Quer dizer, a esposa do seu pai?
- Nâo. Ela é a mãe da minha mãe. Quer dizer, a mãe da minha cunhada. Minha outra avó não gostava de mim.
- Ela já morreu?
- Faz tempo! Eu tinha 9 anos de idade.
- Hum sim.
A lasanha estava tão suculenta que eu repeti duas vezes e nem fiquei com vergonha. De sobremesa comemos o meu bolo, que já estava quase na metade,
- Acho que meus sobrinhos já fizeram a festa.
- É.
- Justificável. Isso aqui tá uma delícia.
- Obrigado, amor.
Depois do almoço, nós voltamos pro quarto e tivemos a última transa do dia. Tanto eu quanto ele já estávamos cansados e com o corpo moído.
- Por hoje chega, tá bom? – eu pedi.
- Aham. Meu pau já tá doendo.
- O meu também. Nem sai mais nada dele...
- É. Estou tão feliz de ter você aqui comigo!
- Eu também, amor.
- BRUNO? – era a voz do Vítor.
Meu namorado suspirou e não se mexeu.
- BRUNO?
- Não vai atender?
- Não. Quero ficar com você aqui...
- BRUNÔ?
O garoto chamou mais três ou quatro vezes e depois desistiu.
- O que será que ele quer?
- Nada. Só ficar jogando conversa fora.
- Coitado, amor...
- Ah, não. Eu quero ficar é com você.
Outro beijo.
- Também. Esse é o melhor dia da minha vida...
- Da minha também, bebê.
- Posso te perguntar uma coisa?
- Claro – ele falou.
- Promete que vai ser sincero?
- Sim. Pode dizer...
- É sério que você e o Vítor já se pegaram?
Ele deu um sorriso.
- É sim, Caio. Mas já faz muito tempo e só foi uns pegas sem compromisso.
- E a amizade continua normalmente?
- Claro.
Lembrei do Vini. Será que a minha amizade com ele ia continuar a mesma depois do acontecido do dia anterior?
- Por que a pergunta?
- O meu amigo Víctor queria me pegar quando eu morava em São Paulo e eu não quis porque pensei que a amizade ia acabar...
- Acaba nada. Mas os dois têm que ser maduros para diferenciar uma coisa da outra.
- Hum...
- Então eu não fui seu primeiro né, safado? – ele apertou meu nariz.
- Claro que foi!
- Acho bom! Acho bom!
O primeiro ele havia sido, mas não o único...
- Quem foi seu primeiro? – indaguei.
De repente ele fechou a cara e ficou com a fisionomia carregada.
- Não quero falar sobre isso.
- Por quê?
- Porque é melhor não. Vamos mudar de assunto?
Eu achei aquilo estranhíssimo, mas...
- Então tá. Você me empresta uma roupa para eu ir ao trabalho?
- Claro, bobão. Pode pegar a que você quiser.
Começamos a nos beijar e só paramos quando ficamos cansados.
- Você é insaciável – falei.
- Sou escorpiano, amor – ele riu. – Tenho sangue nas veias!!!
- Percebe-se. Que horas são?
- Dez.
- Acho melhor eu tomar um banho...
- Eu vou com você.
No banho acabou rolando uma chupação, mas não gozamos porque a avó dele começou a andar pelo corredor. Eu torci para ela não entrar no quarto e ver aquela sujeira espalhada por todos os lados.
- Droga – ele reclamou.
- Tudo bem. Vamos apressar...
Eu tinha que ser rápido senão ia perder o último metrô. Quando voltamos pro quarto, ele deixou eu escolher uma roupa enquanto arrumava a bagunça que fizemos.
- 12 – ele respondeu rindo.
- Misericórdia...
Parecia até brincadeira, mas não era. Nós estávamos mesmo insaciáveis...
- Meu recorde – ele continuou rindo.
- Qual era o anterior?
- 8.
- Nossa!
As roupas do meu namorado caíram como uma luva no meu corpo. Eu fiquei até um pouco gostosinho naquela camiseta lilás.
- Ficou lindo – ele me puxou e me beijou.
- Posso usar seu perfume?
- Lógico.
- Amo seu perfume!
- Bom, né?
- Bom demais.
Era importado. Eu nunca tinha visto antes.
- É caro?
- Um pouco – ele confessou.
- Como você gasta dinheiro com coisas supérfluas...
- Não é superfluosidade. É necessário.
- Mas gastar tanto dinheiro assim com um perfume?
- Eu parcelei em 5 vezes no cartão – ele se justificou.
- Sério?
- É claro. Quem paga as minhas contas agora sou eu, esqueceu?
- Seus pais não estão mesmo te ajudando?
- Eles só pagam a escola. Nada mais.
Suspirei.
- Paciência – ele deu de ombros.
- É verdade, mas o relacionamento evoluiu?
- Muito pouco. Minha cunhada já está me aceitando mais, mas meu irmão...
- Por que os pais têm que ser assim, hein?
- Queria saber também. Por isso eu resolvi morar aqui de vez. Pelo menos a minha vó me aceita numa boa.
- Graças a Deus, né?
- Aham. Você quer jantar?
- Não. Não tenho tempo pra isso e também não estou com fome. Vou comer só um pedaço de bolo.
- Quer levar um pedaço pra você comer na pausa?
- Quero. Posso?
- Claro, né! Eu sempre quis perguntar como você faz pra comer na pausa. Não tem nada aberto, tem?
- Não. A gente tem que levar ou pedimos esfihas.
- Ah, sim. Já tem que ir, né? – ele fez bico.
- Sim.
- Me dá um beijo?
- Um? Dou todos!
Foram vários, um melhor que o outro, mas não pude demorar muito, senão ia me atrasar.
- Aqui – ele me entregou um potinho com um pedação do bolo que eu tinha feito.
- É muito grande – eu reclamei.
- É nada. Dá para você dividir com seus amigos.
- Que dividir que nada! É tudo meu.
- Egoísta – ele me deu um beijo e riu.
- Vamos?
- Sim.
Chegamos rapidamente na estação do metrô e infelizmente não tive como me despedir senão ia perder o trem.
- A gente se fala amanhã – eu falei. – Eu te ligo.
- Tudo bem. Te amo, tá?
- Também. Obrigado por tudo.
- Eu que agradeço!
- Finalmente deu as caras na sua casa, hein? – Rodrigo riu.
- Pois é. Tudo bom?
- Não tão bem quanto você – ele riu. – Olhinhos brilhando...
- Final de semana perfeito – suspirei.
- Percebe-se. Voltou até com a roupa dele...
- Como sabe?
- Nunca vi você com essa roupa antes...
- E se for nova?
- Não é porque já vi o Bruno com essa camiseta.
- Detalhista, hein?
- Pois é!
O Vinícius apareceu em seguida, todo de branco e com uma mochila enorme nas costas.
- Já vai para a faculdade? – estranhei.
- Aham. Tenho muita coisa para fazer.
Aparentemente, ele estava me tratando normalmente.
- Que dó – Rodrigo riu.
- Faz tempo que eu estou entrando lá bem mais cedo. Você que não percebe porque tá sempre dormindo quando eu saio.
- Ah, entendi – finalizei o assunto.
- Encomendou o ovo? – Rodrigo perguntou.
- Sim.
- Qual?
- Um ovo caseiro de chocolate branco de um quilo, ué.
- Um quilo? – ele se espantou.
- Sim. Um quilo. Ele merece!
- Bacana. Vou pro trabalho. A gente se fala amanhã!
Eu estava contando os dias para a chegada da páscoa. Queria logo entrager o presente do meu namorado.
- Aqui – Dona Elvira me entregou uma sacola enorme.
- Nossa, que grande!
- Um quilo, conforme solicitado.
- Jesus amado, é enorme – eu ri.
- Pois é. Eu caprichei.
- Percebi. O dinheiro fica descontado no meu pagamento, conforme combinado.
- Sim senhor.
Era bem pesado e quando eu balancei, ouvi o barulho dos bombons. Fiquei com a boca salivando com vontade de comer.
- Que delícia. Vendeu muitos?
- Vendi, vendi sim. Vendi mais de 20 em uma semana...
- Caraca! Como conseguiu dar conta?
Dona Elvira suspirou.
- Quase nem dormi – ela me explicou. – Mas deu tudo certo.
- Que bom. Pelo menos deu para lucrar um pouco, né?
- Bastante. Graças a Deus.
Quando cheguei na empresa, percebi que o Breno estava de folga pois quem estava ocupando a mesa era a supervisora substituta.
- Bom dia, Cris – a cumprimentei.
- Bom dia, Caio.
Foi um dia tranquilo, exceto pelo fato da bagunça que nós fizemos quando ocorreu a entrega do “amigo chocolate”.
Eu tinha tirado a amiga da Aline e quem me tirou foi uma menina que eu não tinha muito contato. Ganhei um ovo de 200 gramas, daqueles que vende no supermercado. Ainda bem que eu não tinha comprado um muito diferente do que havia recebido.
A empresa nos presenteou com uma cenoura de chocolate. Achei criativo até, mas o chocolate era tão ruim que me decepcionei.
- Parece sabão – Giovanni reclamou.
- Decepcionante!
Dona Elvira me presenteou com um ovinho que ela mesma havia feito e eu entreguei uma caixa de bombons como presente de última hora.
- Feliz páscoa, querido – ela me abraçou.
Eu senti vontade de chorar. Como eu queria estar ao lado da minha família naquele momento!
- Acho que seria bom você ligar para a sua mãe – ela me orientou.
- Saudades... – minha voz até cortou.
- Posso imaginar. Ligue para ela.
Não pensei duas vezes, mas quem atendeu foi meu irmão e eu acabei desmotivando.
- Ligue de novo...
- Será?
- Ligue – Dona Elvira aconselhou. – Não tem nada a perder.
Eu disquei o número e fiquei fazendo pensamento positivo para ele não atender e deu certo:
- Alô? – era uma voz feminina, mas não era minha mãe.
- Alô? Quem é?
- Quer falar com quem?
- Com a Fátima... Quem fala?
- A comadre dela.
Só podia ser a madrinha do Cauã, porque a minha já havia falecido... – era a minha avó –.
- Tia Maria?
- Quem está falando?
Falar ou não falar.
- É o Caio...
- Caio? É você mesmo?
- Sim... Minha mãe está aí?
- Que saudades, menino! Ficamos sabendo o que aconteceu... Lamentável. Onde você está?
- Não quero falar sobre isso, tia. Eu posso dar uma palavrinha com minha mãe?
- Claro. Mas está tudo bem com você?
- Bem sim... E com a senhora?
- Fiquei um pouco adoentada, mas agora estou bem.
- Algo sério?
- Não. Graças a Deus não. Só gastrite mesmo. Vou chamar a sua mãe, espera aí...
Eu ouvi a minha “tia” dar um grito pelo nome da minha mãe e quando ouvi ela falar “é o Caio” o meu coração foi parar na boca.
- VOCÊ NÃO VAI ATENDER ESSE IMUNDO – eu ouvi a voz do meu pai do outro lado da linha e em seguida a ligação foi finalizada.
Não consegui reter as minhas lágrimas. Por que ele tinha que me odiar tanto?
- O que foi, Caio? – ela foi ao meu encontro toda preocupada.
- Meu pai desligou quando ficou sabendo que era eu... Me chamou de imundo...
- Oh, meu filho...
Ela me deu um abraço tão gostoso que eu desabei ainda mais. O abraço da minha mãe estava fazendo muita falta.
- Não chora, não chora...
- É muito difícil, sabe?
- Imagino, meu filho. Imagino, mas não fique assim... Tudo vai dar certo.
Aquele “imundo” acabou com a minha páscoa. Eu tinha até perdido a vontade de me encontrar com o Bruno.
- Vai pra casa descansar, vai... – ela me deu um beijo carinhoso e secou as minhas lágrimas.
- Obrigado, Dona Elvira. A senhora tem sido uma mãe!
Se eu já estava me sentindo triste antes, quando vi aquela cesta imensa de chocolates em cima da minha cama, fiquei ainda pior.
- Chorando por que? – meu melhor amigo se preocupou.
Contei a história e ele ficou do meu lado.
- Calma. Tudo vai dar certo.
- Difícil, Rodrigo, muito difícil!
- Eu sei, cara. Fica calmo. Não chora mais! Olha a cesta enorme que você ganhou!
- Ele é um fofo!
- Então. Pensa nele só e deixa o resto do mundo de lado. Vai encontrar teu amor e relaxar!
E foi o que eu fiz mesmo. Peguei o ovo dele, que estava no congelador, tomei um banho bem rápido, me troquei e fui para a casa dele.
- Por que está assim, amor? – Bruninho percebeu a minha tristeza logo quando ao abrir o portão.
- Meu pai me chamou de imundo.
- Nossa... Ligou para ele?
- Não, eu queria falar com a minha mãe, mas quem atendeu foi a madrinha do meu irmão e ela disse em voz alta que era eu. Daí ele desligou o telefone na minha cara...
Ele me abraçou com muito carinho e me deu um beijo no rosto.
- Fica calmo. Tudo vai se resolver. Eu prometo!
- Obrigado pela cesta. Não precisava.
- Gostou?
- Muito. Esse é seu.
Eu entreguei o presente e ele literalmente ficou com os olhos brilhando.
- Mentira?
Só assim para eu conseguir sorrir.
- É seu sim, bobão.
Ele me deu um beijo ali mesmo.
- Obrigado! Foi o único que ganhei...
- Sério?
- É. Meus pais não me deram nada até agora...
- Calma, eles ainda podem dar.
- Duvido muito. Os meus irmãos já receberam...
- Não liga pra eles então.
- Vamos entrar...
Ele foi tão compreensivo comigo que me deixou dormir a tarde toda na cama e não fez nenhum questionamento.
Por que meu pai tinha que ser tão ogro? Mesmo o tempo passando, ele não tinha mudado em nada e naquele momento eu tive plena certeza que eu não fazia a menor falta naquela família.
QUASE DOIS MESES DEPOIS...
Devagar, eu acabei esquecendo o que meu pai tinha falado, mas também não tinha mais entrado em contato com a minha mãe. Eu estava disposto a deixar todos de lado. Era aquilo que eles queriam, era aquilo que eles iam ter.
Faltava muito pouco para completar um ano que eu estava morando no Rio. O tempo realmente estava passando muito rápido.
Eu fiquei pra lá de feliz quando consegui completar o dinheiro do meu amigo Víctor e me senti completamente aliviado quando pude colocar a bolsa de viagem da mãe dele no correio com a quantia em dinheiro escondida em um dos compartimentos internos do objeto.
- Você me mandou dinheiro a mais – ele falou.
- São os jurus!
- Pelo amor de Deus... Dá vontade de quebrar a sua cara!
- É o mínimo que eu posso fazer. Demorei quase um ano para pagar...
- Pouco me importa. Não estava cobrando esse valor.
- Mas eu sei que você precisa.
Meu amigo e eu ficamos conversando por muito tempo, até meus créditos acabarem, mas pelo menos colocamos o papo em dia.
Estava na semana do dia dos namorados e eu ainda não sabia que presente ia comprar pro Bruno.
Estava em dúvida entre um tênis, um óculos de sol, roupa, perfume ou chocolate.
- Se eu fosse você, compraria um tênis – disse Rodrigo.
- Será?
- Acho que sim. É o mais legal entre todos.
- Sei lá.
De repende me deu um clique. É claro! O melhor que eu podia fazer era comprar um par de alianças de compromisso!
- Aliança? – ele perguntou.
- O que acha?
- Da hora. Ele curte?
- Demais...
- Então é o melhor mesmo. Compra as alianças.
E foi isso que eu fiz. No dia 11, fui até um shopping em Botafogo e acabei escolhendo o presente.
O Bruno sempre dizia que queria uma aliança com um fio de ouro no meio e foi muito difícil de encontrar, mas quando achei não pensei duas vezes. Era aquela mesmo.
- Quais os tamanhos?
- Acho que os nossos dedos são do mesmo tamanho.
- Posso medir? – a vendedora perguntou.
- Pode.
Ela colocou várias alianças no meu dedo anelar, até encontrar o número correto.
- 22 – ela falou.
- Tudo isso? – achei estranho.
- Sim.
Dei de ombros. Se ela estava falando, quem era eu para discordar?
- Quer gravar? – a moça perguntou.
- Quero.
- Quais os nomes?
- Quero só as iniciais.
- E quais são?
- B. D. S. e C. C. M. S.
- Quer colocar alguma data?
Eu pensei bem e resolvi colocar a data em que nós havíamos voltado a namorar.
- Fica pronto em uma hora.
- Tudo isso? – fiquei chateado. – Beleza, vou dar uma volta e venho buscar.
Eu estava na esperança que ele gostasse. Será que ia funcionar ou será que ele não ia querer usar aqueles anéis de compromisso?

- Feliz dia dos namorados – eu falei.
- Feliz dia dos namorados – ele estava mais lindo e mais cheiroso que nunca.
Só depois do segundo round de sexo que nós trocamos os presentes.
- Seu presente – ele apareceu com uma sacolinha de shopping.
Eu abri e me deparei com o perfume que ele usava. Quase tive um troço de tanta emoção.
- É muito caro! – reclamei.
- Você merece, amor.
Ele me deu um beijo e eu não me controlei.
- Você é lindo! Lindo, lindo, lindo!
- Ah, bobão – ele apertou o meu nariz.
- Fecha os olhos! – eu pedi.
- Ai, ai, ai, ai, ai...
Quando ele fechou os olhos eu peguei a caixinha com as nossas alianças e disse:
- Pode abrir.
Ele abaixou a cabeça e prendeu a respiração. Eu abri a caixinha e disse:
- Quer namorar comigo oficialmente?

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