sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Capítulo 43

O

 Impacto do abraço do meu namorado foi tão forte que me fez cair pra trás.
- EU TE AMO! – ele gritou e me deu um beijo tão forte, que eu senti o dente dele pressionar o meu lábio.
Fiquei surpreso com o tamanho da felicidade do meu amor e aquilo me deixou simplesmente extasiado, afinal a felicidade dele era a minha felicidade e vice-versa.
De repente, senti algo molhado no meu rosto. Ele estava chorando e esse gesto me deixou preocupado:
- Por que está chorando? – meu coração gelou.
- Porque eu estou MUITO FELIZ – ele gritou de novo.
Mais um beijo. A entrega das alianças foi motivo de comemoração e ele não sossegou enquanto não tirou a última gota de leite do meu pênis.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo – ele me abraçou tão forte que eu nem sabia o que falar.
- Caramba, isso tudo por causa das alianças?
- Sim – parecia que ele ia chorar de novo. – Como você soube que eu sempre quis usar aliança de compromisso?
Ele grudou a testa na minha e ficou olhando no fundo dos meus olhos. Eu estava me sentindo nas nuvens.
- Você mesmo disse isso, não lembra?
- Nâo – confessou.
Tivemos que procurar a caixinha que estava caída no chão, tamanho o nosso alvoroço. A mão direita do meu namorado estava trêmula e extremamente gelada. Eu tive certeza que ele não estava fingindo aquela felicidade toda.
Olhando em seus olhos, eu disse:
- Eu te amo e quero ficar com você pro resto da vida.
- Eu também, meu amor...
Outro beijo.
Coloquei a aliança com as minhas iniciais no dedo dele e fiquei na expectativa para saber se estava no tamanho certo.
- Tudo em ordem? – perguntei.
- Caiu como uma luva – ele estava tão feliz...
Bruno pegou a minha mão direita e inseriu a aliança com as suas iniciais. A minha também ficou no tamanho ideal e não poderia ser diferente, uma vez que a vendedora mediu a largura do meu dedo.
- Eu também te amo e também quero ficar com você pro resto da vida – ele me disse, com a fisionomia muito séria.
- Você está me fazendo o homem mais feliz do mundo – confessei.
- Você é que está me fazendo feliz...
Pronto. Aquela declaração de amor foi motivo para mais um round na cama, a primeira com as alianças nos dedos. Eu já havia perdido as contas de quantas vezes a gente tinha transado aquela noite.
- Nunca mais vou tirar essa aliança – ele prometeu.
- Eu também não, amor.
E estava mesmo disposto a não tirá-la por nada. Nem para tomar banho! Além de linda, ela ficou perfeita no meu dedo e eu acabei realizando um sonho.
- Isso merece um brinde – de repente ele levantou da cama e começou a se vestir.
- Um brinde? – aquilo era coisa de granfino e das novelas da Globo.
- Um brinde à nossa felicidade! Já volto.
Ele voltou rapidamente com duas taças e uma garrafa de Smirnoff.
- Queria que fosse com champanhe, mas aqui não tem – ele fez um biquinho lindo.
Dei risada. Que fofo ele estava sendo!
- Não tem problema, amor – eu sorri e me levantei.
Ele me entregou a taça e a encheu até a boca. Sem desgrudar os olhos, nós brindamos e em seguida cruzamos os nossos braços para saborear a nossa bebida e selar o nosso compromisso.
- Te amo demais – ele me puxou para um beijo.
- Não mais do que eu.
Nossos beijos eram intensos e repletos de paixão. Era impossível desconfiar do que ele dizia sentir por mim. Eu sentia claramente que tudo o que ele falava era a mais pura verdade.
- Eu quero tirar foto das nossas alianças – ele falou.
- Fotos? E precisa disso?
- Eu quero que todo mundo saiba que eu tenho um namorado e que ele é lindo, perfeito e só meu – Bruno me deu um selinho carinhoso.
- Você não existe!
Sentamos na cama e tivemos a maior dificuldade para tirar uma foto bacana, mas quando conseguimos, não pensamos duas vezes em postar na internet.
- Quero que todo mundo saiba que eu te amo, Caio – ele me olhou.
- Eu também quero, amor.
Mas o fato é que ele era completamente assumido e eu não. Por mais que minha família soubesse – e não aceitasse –, eu ainda tinha vários amigos que nem sequer desconfiavam e tinha o maior medo que soubessem de toda a verdade.
- Não fica ligando para o que os outros falam. O que importa é a nossa felicidade – ele falou.
Eu acabei concordando com o que ele disse e resolvi deixar o receio de lado. Sem pensar muito nas consequências, troquei o status do meu Orkut de “solteiro” para “namorando” e ele também fez a mesma coisa.
- Pronto. Agora todos sabem que eu tenho um amor – ele abriu um sorriso imensamente lindo.
- E todos vão saber que eu também tenho meu bebê – o puxei para um beijo.
E que beijaço ele me deu! Tudo bem que eu ainda não tinha experimentado o beijo de outro cara, mas já tinha plena certeza e convicção que o dele era perfeito. Um mais perfeito que o outro e um mais gostoso que o outro.
O clima de felicidade parecia que ia durar para sempre, mas foi cruelmente quebrado quando eu tive que me despedir:
- Queria que você ficasse aqui comigo pra sempre – ele fez uma carinha tão triste que partiu meu coração.
- Também queria ficar com você aqui pra sempre, mas é impossível...
- Maldita responsabilidade – esbravejou.
- Não fale assim, amor. Prefere ter um namorado vagabundo?
- Claro que não, né!
- Então me entenda...
- Eu te entendo sim, mas fico triste.
Nos abraçamos.
- Fico triste também, mas fazer o quê?
- Quando vem me ver de novo?
- Final de semana – prometi.
- Promete?
- Claro! Ainda pergunta?
- Pois eu vou querer sair com você para que todos vejam a nossa aliança!
- Hum, não sei não... Não esqueça que eu ainda não me assumi para toda a sociedade...
- Pois está mais que na hora. Não devemos nada a ninguém.
- Sim eu sei disso, mas eu tenho a república. Não sei como ficaria a minha reputação lá dentro se todos souberem.
- O Rodrigo te apoia!
- Ele é firmeza demais, mas e os outros? Tem mais quatro para contar, sabia?
- Sim... é complicado. Pois então pensa bem no assunto, mas que eu vou querer sair, ah eu vou!
- Tudo bem, a gente sai sim desde que não seja para um baile funk.
Ele riu e me deu outro abraço de urso.
- Não vou te levar nesses lugares, pode ter certeza.
- Acho bom.
Depois de muitos beijos e um banho juntos, ele resolveu me acompanhar até a estação de metrô. Assim que chegamos na calçada, demos de cara com o Vítor:
- MENTIRA? – ele arregalou os olhos, colocou a mão na boca e deu um pulo pra trás.
Percebi que os olhos do garoto estavam fixos na mão direita do meu namorado.
- O quê? – o Bruno não entendeu.
- Que tudo – ele pegou a mão do Bruno com os olhos brilhando. – Que inveja, amiga!
- Você viu? Ele não é lindo? – meu namorado me olhou, também com os olhos brilhando e com um sorriso nos lábios.
- Que sorte grande você tirou! Não se fazem mais bofes como esse. Que inveja...
- Se fecha, querida. Ele é meu!
Bruno passou o braço pela minha cintura e me puxou para mais perto. Eu fiquei completamente sem graça.
- Me empresta ele aos finais de semana? – Vítor pediu.
- Está louca? Ele é meu!
- Ingrata!
- Bruno, eu preciso ir – lembrei.
- Vítor, dá licença?! Eu vou levar o MEU namorado na estação de metrô. A gente se fala outra hora.
- Posso ir junto?
- De jeito nenhum – Bitch respondeu.
- Chata!
Mesmo não podendo andar de mãos dadas, Bruno e eu ficamos bem próximos enquanto caminhávamos. Para completar a nossa felicidade, o céu exibia uma lua cheia incrivelmente linda.
- Noite linda – eu falei.
- Igual a você!
- Sem graça – fiquei vermelho.
- Já disse que eu te amo hoje?
- Já, mas pode falar de novo que eu gosto de ouvir – brinquei.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo... – ele sussurrou no meu ouvido.
- Eu também, eu também, eu também...
Assim que a gente chegou, eu fui logo entrando e não houve muito tempo para despedidas.
- Te ligo assim que você sair do trabalho – ele prometeu.
- Estarei esperando.
Mesmo sem poder perder tempo, acabei voltando até onde ele estava e me dei ao direito de dar um abraço bem apertado no meu namorado. Era a única coisa que eu podia fazer naquele momento.
- Obrigado por tudo – falamos juntos e em seguida rimos.
- Você foi perfeito – ele falou.
- Você que é. Obrigado pelo presente. Eu amei.
- Não mais do que eu amei o meu!

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